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quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Mãe de Israel

Personalidade:

As muitas vidas de Golda Meir
por Zevi Ghivelder



Foto Ilustrativa

O que mais a desgostava era quando associavam seus êxitos à condição de mulher. Ao assumir a chefia do governo de Israel, no dia 17 de março de 1969, perguntaram a Golda Meir em uma entrevista coletiva: "como a senhora se sente sendo mulher primeira-ministra?" respondeu: "não sei, porque nunca fui homem primeiro-ministro".



Apesar da sua imagem de mulher determinada, sempre firme e forte, obstinada nas suas opiniões e decisões, ela assumiu aquela responsabilidade mais com a emoção do que com a razão. Seu filho, o violoncelista Menahem Meir, conta que estava em Nova York quando, na segunda semana de março de 1969, recebeu um telefonema da mãe. Ela dizia que estava a ponto de ser eleita primeira-ministra e, embora relutasse, teria que aceitar "para evitar uma guerra entre Moshe Dayan e Ygal Allon". "O que você acha?" - perguntou. Menahem diz que, sem pretender conferir-se um crédito imerecido, está convencido de que seu apoio e de sua mulher, Aya, tiveram peso considerável na decisão de Golda.


Em dezembro de 2008, terão transcorrido três décadas desde sua morte. Durante 80 anos de existência, não houve um só momento de tédio na vida de Golda Mabovitz, nascida em Kiev, na Rússia imperial. Sua biografia politicamente correta pode ser escrita de forma sucinta. Em 1906, emigrou com a família para os Estados Unidos, radicando-se em Milwaukee, no estado de Wisconsin, onde trabalhou como professora primária. Casou-se em 1917 com Morris Meyerson, uma união infeliz da qual nasceram dois filhos, Menahem e Sarah. Sionista ardente desde a juventude, partiu com o marido para a antiga Palestina em 1921, onde integraram o grupo de fundadores do kibutz Merhavia. Como membro da Histadrut (Confederação Geral dos Trabalhadores) ascendeu a importantes posições na política doméstica pré-estado. Depois da proclamação da independência, foi nomeada embaixadora de Israel na União Soviética e, em seguida, ocupou os cargos de ministra do trabalho durante dez anos, de ministra das relações exteriores e de primeira-ministra, função que exerceu até 1974.


Um parêntese: foi na qualidade de chanceler que Golda veio ao Brasil, em 1959, sendo então recebida, com todas as honras, pelo presidente Juscelino Kubitschek. Sobre esta viagem, ela escreveu: "Sentia especial carinho pelo Brasil já que, entre outras coisas, foi o ilustre brasileiro Oswaldo Aranha quem presidiu a sessão de 29 de novembro da ONU, que decidiu pela partilha da antiga Palestina. Fiquei sensibilizada pela calorosa e festiva acolhida e muito impressionada pela impressão de energia e pertinácia que me foram dadas pelas cidades de Brasília e São Paulo. Um dos pontos mais significativos da visita foi a assinatura de um acordo que nos permitiu auxiliar aquele país a conquistar suas grande áreas áridas ou semi-áridas. Mas, um acontecimento permanece indelével em minha memória: ao assistir a uma sessão do Congresso brasileiro, ouvi encantada o senador Hamilton Nogueira saudar-me, não em português, mas no mais genuíno e fluente hebraico".


De tudo que aconteceu em sua vida, repleta de turbulências, destaco quatro momentos que me parecem os mais emblemáticos de sua trajetória: os encontros secretos com o rei Abdullah, da Transjordânia, a temporada como embaixadora em Moscou, o difícil papel desempenhado na guerra do Yom Kipur e a reação ao massacre nas Olimpíadas de Munique, em 1972.


Durante os seis meses que antecederam a criação de Israel, Golda foi incumbida de se encontrar com o rei Abdullah, da Transjordânia, na tentativa de evitar o conflito armado que era fácil de se avistar no horizonte. Eles se reuniram pela primeira vez em novembro de 1947, Golda na condição de chefe do Departamento Político da Agência Judaica, acompanhada por Eliahu Sasson, perito em assuntos árabes. O encontro teve lugar em uma usina elétrica localizada em Naharaym, às margens do rio Jordão. Ela recordou: "Bebemos as costumeiras xícaras cerimoniais de café e depois começamos a falar. Abdullah era um homem de baixa estatura, belo porte e grande encanto. Não tardou a ir direto ao assunto; ele não se associaria a qualquer ataque árabe contra nós. Disse que permaneceria sempre nosso amigo e que, como nós, queria a paz acima de tudo. Afinal de contas, tínhamos um inimigo comum: o Mufti de Jerusalém, Haj Amin el-Husseini. E não só isso. Sugeriu ainda que voltássemos a nos encontrar após a votação nas Nações Unidas".


Outro especialista em assuntos árabes, Ezra Danin, que também já tinha mantido contatos com o rei, informava a liderança judaica sobre a concepção do monarca a respeito dos judeus. Abdullah achava que a Providência havia dispersado os judeus, principalmente pelo mundo ocidental, para que estes pudessem voltar ao Oriente Médio trazendo a cultura européia, o que seria benéfico para toda a região. Mas, Danin julgava bizarra essa idéia e desconfiava das alegadas boas intenções do rei. Tinha razão. À medida que o tempo passava, os rumores de que Abdullah se filiaria à Liga Árabe se tornavam mais consistentes. No dia 10 de maio, quatro dias antes da proclamação da independência, Ben Gurion e Golda chegaram à conclusão de que valeria a pena tentar uma segunda conversa com o soberano. Dessa vez, porém, o rei se recusou a ir a Naharaym, por considerar por demais perigoso. Se Golda quisesse vê-lo, teria que ir a Amã, capital da Transjordânia, e ele não assumiria qualquer compromisso quanto à sua segurança e de Danin, que a acompanharia. Golda e Danin empreenderam a viagem a partir de Haifa. Ele falava árabe fluentemente e se disfarçaria apenas com uma kafiah sobre a cabeça. "Quanto a mim", escreveu ela, "iria com as volumosas vestes escuras de uma mulher árabe; eu não falava uma só palavra de árabe, mas como uma esposa muçulmana, acompanhando o marido, era pouco provável que tivesse que dizer qualquer coisa a quem quer que fosse". Para terem a certeza de não estar sendo seguidos, Danin e Golda trocaram várias vezes de carros e, em determinado ponto, apareceria alguém que os conduziria até Abdullah, na casa de um de seus auxiliares. Golda nunca esqueceu que o rei ali entrou pálido e gaguejante. No decorrer de uma hora de conversa, Abdullah disse que não mais poderia manter a palavra empenhada porque antes estava agindo por conta própria, mas agora era um entre cinco, sendo Egito, Síria, Líbano e Iraque os outros quatro. O rei perguntou: "Por que estão com tanta pressa para proclamar seu estado?" Golda respondeu: "Quem já está esperando há dois mil anos, certamente ignora o que seja pressa". Em seguida, insistiu: "Vossa Majestade não compreende que nós somos seus únicos aliados nesta região? Se formos forçados à guerra, lutaremos e venceremos". Ele respondeu: "Vocês têm o dever de lutar. Mas por que não esperam alguns anos? Desistam de suas exigências de livre imigração. Eu assumirei o controle de todo o país e vocês serão representados no meu parlamento". Em face dessa proposta inviável, Golda e Danin se despediram e partiram de regresso a Tel Aviv, viagem que correspondeu a um filme de terror. O motorista transjordaniano ficava apavorado cada vez que o carro era parado por sucessivos postos de controle da Legião Árabe. Por isso, mandou que os dois saltassem a uma longa distância da usina elétrica. Já passava das duas da manhã e eles tiveram que caminhar no escuro sem saber se estavam na direção certa de Naharaym.



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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Festa na rua - Belo Horizonte

Você que mora em Belo Horizonte, prestigie.
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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Conheça Israel!


Conheça Israel, sua história e sua luta para viver com vizinhos hostis, e mesmo assim ser um país de primeiro mundo. Com alta tecnologia Israel se destaca da idade média em que vivem seus vizinhos.

Leia aqui

terça-feira, 9 de junho de 2009

Obama confia nos árabes

O enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, afirmou nesta segunda-feira que o presidente Barack Obama quer "todo o esforço" na retomada do diálogo de paz entre os israelenses e os palestinos e quer a fundação rápida de um Estado palestino que seja "independente e viável".


Nesta segunda-feira, Mitchell compareceu a uma conferência de doadores de palestinos, em Oslo (Noruega), e reforçou a necessidade de dar apoio para a Autoridade Nacional Palestina (ANP), do líder Mahmoud Abbas, cuja autoridade não é reconhecida pelo grupo radical islâmico Hamas, que domina a faixa de Gaza.


"É importante que sejam construídas instituições e um governo para que, em breve, possa haver um independente e viável Estado palestino."


O ex-senador americano, considerado um dos artífices da paz na Irlanda do Norte, viaja nesta semana para o Oriente Médio, em sua quarta visita à região desde que assumiu a função, em janeiro passado. De acordo com Mitchell, seu papel será o de "normalizar as relações" entre Israel e vizinhos, o que serve "aos interesses de segurança dos EUA".


Na semana passada, em seu discurso ao mundo muçulmano, no Cairo, Obama pressionou Israel publicamente a aceitar um Estado palestino, dizendo ser o "único meio de atender as aspirações de ambos os lados". "Que não fiquem dúvidas: a situação do povo palestino é intolerável. Os EUA não vão dar as costas para a legítima aspiração dos palestinos por dignidade, oportunidade e um Estado seu."


O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou que irá apresentar os "princípios" de sua "política de paz e segurança" em um discurso que será realizado nos próximos dias. Ele tem evitado falar na criação de um Estado palestino independente e afirmou que "não é razoável" o pedido de Obama para congelar as colônias judaicas estabelecidas em territórios palestinos ocupados na Guerra dos Seis Dias (1967).


Nesta segunda-feira, Abbas, descartou a retomada das negociações de paz enquanto Israel não aceitar a solução baseada na criação do Estado palestino. "Sobre que base negociar se é recusada uma solução baseada em dois Estados?", questionou Abbas em Ramallah, que é considerada sede do governo da ANP na Cisjordânia.


O presidente da ANP ainda pediu que Israel "respeite os compromissos previstos na primeira etapa do Mapa do Caminho que estipula o fim da colonização, incluindo o crescimento natural, o fim das colônias ilegais e a reabertura de instituições palestinas em Jerusalém". O Mapa do Caminho é o plano de paz americano que norteia as negociações do conflito desde 2003. Ele prevê a criação de um Estado palestino vizinho a Israel.


France Presse, Reuters e Associated Press

Comentário:

O que eu acho mais interessante nessa história, é que se pressiona só Israel, como se os judeus fossem culpados pelo drama palestino. Até hoje eles não cumpriram nenhum dos ítens dos acordos. Israel saiu de Gaza e ganhou foguetes na cabeça. Abbas é um grande mentiroso e aproveitador. Alguém acha que eles querem fundar um país e perder a mamata dos donativos.

Os judeus sabem que confiar em árabes nunca deu certo. Aqueles com toalha na cabeça que o Aluisio Amorim fala. Obama está caindo na conversa de terroristas que sonham em destruir Israel.


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Israel e Palestinos


Se você ainda não conseguiu entender o conflito Israel X Palestinos clique abaixo e entenda
um pouco mais. Nós sabemos que para quem não está diretamente envolvido é muito dificil
saber quem é quem
Leia sobre o conflito

Uma Rápida e Dura Guinada contra Israel

A já muito antecipada reunião entre Barack Obama e Binyamin Netanyahu no dia 18 de maio, transcorreu tranquilamente, um tanto tensa, conforme previsto. Todos se comportaram da melhor maneira e o evento chamou tão pouca atenção que o New York Times referiu-se a ela na página 12.


Contudo, como já era esperado, imediatamente após o encontro as luvas de pelica foram tiradas, com uma série de duras exigências americanas, especialmente a insistência da Secretária de Estado dos Estados Unidos Hillary Clinton em 27 de maio, de que o governo de Netanyahu cesse a construção de residências para israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. . Isto provocou uma resposta desafiadora. O presidente da coalizão do governo israelense destacou o erro de "ditames americanos" anteriores, um ministro comparou Obama ao faraó e o diretor do gabinete de imprensa do governo atrevidamente zombou "dos residentes do território iroquês por assumirem que têm o direito de determinar onde os judeus devem viver em Jerusalém".


Se os pormenores de quem vive onde tem pequena importância estratégica, a rápida e dura guinada da administração Obama contra Israel tem potencialmente grande significado. A administração não só pôs fim ao enfoque das mudanças no lado palestino realizadas por George W. Bush como até desconsiderou entendimentos verbais a que Bush chegou com Ariel Sharon e Ehud Olmert.


Yasir Arafat sorri enquanto Barack Obama se encontra com Mahmoud Abbas em julho de 2008.

Um artigo de Jackson Diehl no Washington Post capta esta mudança de maneira brilhante. Diehl observa, baseado na entrevista com Mahmoud Abbas da Autoridade Palestina, que através de ênfases repetitivas e públicas da necessidade de um congelamento das construções na Cisjordânia, sem exceções por parte de Israel , Obama

reviveu uma fantasia palestina, dormente há muito tempo: a de que os Estados Unidos irão forçar Israel a fazer concessões críticas, não importando se o seu governo democrático concorda ou não, enquanto os árabes assistem e aplaudem. Os americanos são os líderes do mundo... Eles podem usar seu peso com qualquer um ao redor do mundo. Dois anos atrás eles usaram seu peso sobre nós. Agora eles deveriam dizer aos israelenses, "Vocês têm que respeitar as condições".


É claro, dizer aos israelenses é uma coisa e conseguir sua aquiescência é algo completamente diferente. Para isso Abbas também tem uma resposta. Esperar que Netanyahu aceite um completo congelamento nas construções acabaria com sua coalizão, Diehl explica que Abbas planeja "ficar sentado com os braços cruzados e assistir os Estados Unidos espremer lentamente o primeiro ministro israelense para fora de sua função". Uma autoridade da Autoridade Palestina previu que isso acontecerá "em um par de anos" – exatamente quando se acredita que Obama espera o estabelecimento de um estado palestino.


Enquanto isso, Abbas pretende não ceder. Diehl explica seu modo de pensar:


Abbas rejeita a noção de que ele deva fazer qualquer concessão comparável – tal como reconhecer Israel como um estado judaico, o que implicaria na renúncia de qualquer reassentamento em larga escala de refugiados. Ao contrário, diz ele, Abbas permanecerá passivo... "Eu vou esperar Israel congelar os assentamentos". "Até antão, na Cisjordânia nós temos uma boa realidade... o povo está levando uma vida normal".


A idéia de "vida normal" de Abbas, deve-se acrescentar, também é algo fornecido por Washington e seus aliados; os palestinos da Cisjordânia recebem de longe a maior ajuda externa per capita comparado com qualquer outro grupo no mundo; em apenas uma "conferencia de doadores" em dezembro de 2007, por exemplo, Abbas recebeu promessas de mais de 1.800,00 dólares por habitante da Cisjordânia por ano.


Diehl conclui laconicamente, "Na administração Obama, até agora, é fácil ser palestino".


Mesmo que se ignore a estupidez de se focar nos moradores de Jerusalém aumentando o número de quartos de recreação às suas casas em vez dos iranianos aumentando o número de centrífugas a sua infraestrutura nuclear e mesmo que se faça vista grossa à óbvia contra produtividade de se deixar Abbas livre, leve e solto – a nova postura dos Estados Unidos está fadada ao fracasso.


Primeiro, o governo de coalizão de Netanyahu deverá se mostrar impérvio à pressão dos Estados Unidos. Quando ele formou o governo em março de 2009, ele continha 69 parlamentares dos 120 membros do Knesset, bem acima do mínimo de 61. Mesmo que o governo dos Estados Unidos consiga produzir um racha nos dois partidos menos comprometidos com os objetivos de Netanyahu, o Trabalhista e o Shas, ele poderia substituí-los com os partidos de extrema direita e os religiosos para manter uma sólida maioria.


Segundo, os arquivos mostram que Jerusalém assume "riscos pela paz" somente quando confia em seu aliado americano. Uma administração que abala esta frágil confiança provavelmente se verá confrontada com uma liderança israelense relutante e cautelosa.


Se Washington continuar no seu presente curso, o resultado poderá bem ser um espetacular fracasso de política que consiga ao mesmo tempo enfraquecer o único aliado estratégico da América no Oriente Médio quanto aumentar as tensões árabe-israelenses.

Sim, nós podemos, ou será não, não podemos

O discurso do Presidente americano, Barak Hussein Obama, no Cairo, na quinta-feira dia 4 de junho, deve ser entendido como uma definição política dos Estados Unidos. Quando o Presidente falou das relações políticas dos Estados Unidos com Israel, e também em relação aos vizinhos de Israel, devemos entender que discursos são diplomaticamente preparados e devem ser entendidos como mensagem para se interpretar o que quer explicitar e o quer ocultar.


Falou Barak Hussein Obama: “As fortes ligações da América com Israel são bem conhecidas. São ligações inquebrantáveis, baseadas em laços culturais e históricos e no reconhecimento de que a aspiração por uma pátria judaica se assenta numa história trágica, que não pode ser negada.” (…) “em todo o mundo o povo judeu foi perseguido por séculos, e o antissemitismo na Europa culminou num Holocausto sem precedentes.” (…) “Negar esse fato é irreal, ignorante e odioso. Ameaçar Israel de destruição (…) é profundamente errado.”


Entendamos: foram destacados os laços americanos com Israel e que o sonho de uma pátria judaica decorre da culpabilidade européia com o Holocausto, sem considerar que o Movimento Sionista se originou há mais de 100 anos, muito antes do Holocausto, e representou a condução política do milenar sonho pelo retorno à pátria judaica, acalentado e aspirado por 2.000 anos. Não foi o Holocausto que fez Israel: lamentavelmente, foi uma ajuda cruel. As Nações Unidas, por duas vezes trataram de recriar Israel: em 1920, na Conferência de San Remo e, em 1947, já depois do Holocausto, sob a presidência de Oswaldo Aranha. Mas, logo após as palavras sobre Israel, O Presidente Barak Hussein Obama prossegue:


“Por outro lado, é também inegável que o povo palestino – muçulmano e cristão – sofreu em busca de sua pátria. Por mais de sessenta anos aguentaram a dor de terem sido deslocados de sua pátria. Muitos aguardam, em campos de refugiados na Margem Ocidental, Gaza e países vizinhos, por uma vida de paz e segurança, que nunca lhes foi garantida. Acham-se submetidos a humilhações diárias, grandes e pequenas – decorrentes da ocupação. Portanto, que não haja dúvida (…) a situação do povo palestino é intolerável.” E mais disse: que “os palestinos se queixam que a fundação de Israel afastou-os da própria pátria”.


Bem, aqui Barak Hussein Obama negou tudo o que poderia ser entendido inicialmente sobre Israel. A busca de uma pátria pelo povo palestino, povo não judeu conforme deixado claro, dito afastado de sua pátria por mais de sessenta anos, conseqüência da ocupação, significa que o restabelecimento da antiga pátria judaica, no seu lugar histórico, isto é, Israel, há 61 anos, se fez com a ocupação de uma pátria palestina não judaica. Isso significa que Israel tem o direito de existir, mas não seria lá, porque lá acabou exilando, deslocando, afastando os palestinos não judeus de sua pátria respectiva. E mais, fez entender uma comparação entre o Holocausto e o sofrimento dos palestinos não judeus, o que é inconcebível e falso.


O Holocausto foi uma política de extinção do povo judeu, uma indústria de morte para promover essa extinção. Ninguém pretende extinguir palestinos não judeus, mesmo que se os considerem refugiados; ninguém pretende matá-los a todos. Dos milhões de refugiados em todo o mundo, os únicos que permanecem em campos de refugiados por sessenta anos, mesmo não o sendo, são os palestinos, assim mantidos como massa de manobra, sem piedade, sem absorvê-los nos locais onde se encontram. E ninguém fala nos judeus expulsos dos países árabes, todos já definitivamente assentados nos países onde foram recebidos, a mioria em Israel.

Trata-se de texto diplomático. Devemos entender o que fica dito, com clareza. Há aqueles que questionam o erro de falar em 60 anos, quando deveria ser após 1967, “ocupação” depois da Guerra dos Seis Dias. Não tratemos de corrigir ou não ver o que foi dito: a expressão foi “mais de sessenta anos” e explicitado a quem se refere como povo palestino: muçulmanos e cristãos. A Palestina deixa de ser judaica, como sempre o foi: judaica. Devemos saber que nunca houve, até hoje, um país chamado Palestina que não fosse judaico.


Israel não deslocou ninguém e, lembremos, quem fez a guerra em 1948, foram os árabes dos países vizinhos, que atacaram o novo Estado, em 1948 e, em conseqüência, surgiram refugiados. Perderam a guerra e esperneiam. Como falar em refugiados em Gaza, se Gaza está nas mãos de palestinos? Refugiados em sua própria terra? Bem, costumamos dizer que se deve entender que o que é bom para os americanos não significa ser bom para Israel, bom para os judeus, nem bom para nós do Brasil. Mas Barak Hussein Obama exortou os palestinos a renunciarem à violência e reconhecer Israel, coisa que nem Mahmoud Abbas faz.


Há mais coisas a examinar das colocações feitas pelo Presidente Barak Hussein Obama, mas no que toca às relações com Israel, por ora, é o bastante. E lamentável.



Herman Glanz

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Israel e o eixo do mal

A Coreia do Norte fica a meio mundo de distância de Israel. Mesmo assim, o teste nuclear que ela realizou no dia 25 de maio de 2009 colocou os responsáveis pela defesa de Israel em alerta máximo, enquanto seus oponentes iranianos ficaram sorridentes como o gato de Cheshire (personagem de Alice no País das Maravilhas).

Entender por que isso acontece é a chave para se compreender o perigo representado por aquilo que alguém chamou, certa vez, de maneira pouco polida, de Eixo do Mal.

Há menos de dois anos atrás, no dia 6 de setembro de 2007, a Força Aérea Israelense (FAI) destruiu uma usina de produção de plutônio construída pela Coreia do Norte em Kibar, na Síria. A instalação destruída era praticamente um clone da usina de produção de plutônio Yongbyon na Coreia do Norte.

Em março de 2008, o diário suíço Neue Zuercher Zeitung informou que o desertor iraniano Ali Reza Asghari, que serviu como general na Guarda Revolucionária do Irã e como vice-ministro da Defesa antes de sua fuga para os Estados Unidos, em março de 2007, revelou que o Irã pagou pela usina nortecoreana. Teerã via a instalação na Síria como uma extensão de seu próprio programa nuclear. De acordo com estimativas israelenses, o Irã gastou entre 1 e 2 bilhões de dólares no projeto.

Pode-se pressupor que funcionários iranianos estavam na Coreia do Norte durante o teste. Nos últimos anos, participantes do programa nuclear iraniano estiveram presentes em todos os testes mais importantes da Coreia do Norte, inclusive na explosão de sua primeira bomba nuclear e no lançamento do míssil balístico intercontinental em 2006.

Além do mais, é provável que a Coreia do Norte tenha realizado algum nível de coordenação com o Irã no que se refere à escolha do tempo mais adequado para seus testes da bomba nuclear e dos mísseis balísticos. É difícil imaginar que seja uma mera coincidência que as ações da Coreia do Norte acontecessem exatamente uma semana após o Irã ter testado seu míssil de combustível sólido Sejil-2, com um alcance de 2 mil quilômetros.

Independentemente de sua proximidade cronológica, a razão principal por que faz sentido pressupor que o Irã e a Coreia do Norte combinaram seus testes é que a Coreia do Norte tem tido um papel central no programa de mísseis do Irã. Embora observadores ocidentais afirmem que o Sejil-2 do Irã tenha base em tecnologia chinesa transferida ao Irã através do Paquistão, o fato é que o Irã deve grande parte de sua capacidade em mísseis balísticos à Coreia do Norte. O míssil Shihab-3, por exemplo, que forma a espinha dorsal da estratégia do Irã, que ameaça Israel e seus vizinhos árabes, é simplesmente uma adaptação iraniana da tecnologia do míssil Nodong da Coreia do Norte. Desde pelo menos o início dos anos 1990, a Coreia do Norte tem prazerosamente proliferado aquela tecnologia entre quem quisesse. Como o Irã, a Síria deve grande parte de seu robusto arsenal de mísseis à proliferação nortecoreana.
Em resposta ao teste nuclear da Coreia do Norte, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse: "O comportamento da Coreia do Norte aumenta as tensões e enfraquece a estabilidade no Nordeste asiático''.

Embora [a afirmação de Obama] seja verdadeira, os laços íntimos da Coreia do Norte com o Irã e a Síria mostram que o programa nuclear nortecoreano, com suas ogivas, mísseis e componentes tecnológicos, não é uma ameaça distante, limitada em alcance à longínqua Ásia Oriental. É um programa multilateral, compartilhado em vários níveis com o Irã e a Síria.

Conseqüentemente, coloca em perigo não apenas países como o Japão e a Coreia do Sul, mas todas as nações cujos territórios e interesses estão ao alcance dos mísseis iranianos e sírios.

Mais que seu impacto sobre a capacidade tecnológica e de equipamentos do Irã, o programa nuclear da Coréia do Norte tem influenciado singularmente a estratégia política iraniana para o avanço diplomático de seu programa nuclear. A Coreia do Norte tem sido pioneira na utilização de uma mistura de agressão diplomática e pseudo-acomodação para, alternativamente, intimidar e persuadir seus inimigos a não reagirem contra seu programa nuclear. O Irã tem seguido assiduamente o modelo de Pyongyang. Além disso, o Irã tem usado a resposta internacional - e especialmente a americana - a várias provocações nortecoreanas ao longo dos anos, para determinar como se posicionar a qualquer momento a fim de fazer avançar seu programa nuclear.

Por exemplo, quando os Estados Unidos reagiram ao teste do míssil balístico intercontinental e ao teste nuclear da Coreia do Norte em 2006 através do restabelecimento de conversações com seis países na esperança de apaziguar Pyongyang, o Irã aprendeu que, ao demonstrar interesse em envolver os Estados Unidos em seu programa de enriquecimento de urânio, poderia ganhar um tempo valioso. Assim como a Coreia do Norte foi capaz de dissipar a determinação de Washington em agir contra ela enquanto ganhava tempo para fazer avançar ainda mais seu programa através das conversações com os seis países, também o Irã, ao aparentemente concordar com um molde para discutir seu programa de enriquecimento de urânio, tem sido capaz de manter os Estados Unidos e a Europa à distância nesses últimos anos.

A resposta impotente da administração Obama ao teste do míssil balístico intercontinental de Pyongyang e sua reação semelhantemente gaguejante ao teste nuclear da Coreia do Norte mostraram a Teerã que já não precisa nem fingir interesse em negociar aspectos de seu programa nuclear com Washington ou com seus parceiros europeus. Enquanto o aparente interesse em alcançar certa acomodação com Washington fazia sentido durante o tempo em que Bush era presidente, quando gaviões e pombas competiam pela atenção do presidente, hoje, com a administração de Obama formada apenas por pombas, o Irã, assim como a Coreia do Norte, entende que não tem nada a ganhar por fingir-se preocupado com a concordância de Washington.

Esse ponto foi esclarecido nitidamente tanto pela resposta verbal imediata do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao teste nuclear nortecoreano, quanto pelo envio provocador de navios iranianos ao Golfo de Aden no mesmo dia. Como disse Ahmadinejad, na opinião do regime iraniano, "a questão nuclear do Irã acabou''.

Não há motivos para se falar mais nada. Assim como Obama tornou claro que não tem intenção de fazer coisa alguma em resposta ao teste nuclear da Coreia do Norte, o Irã também acredita que o presidente não fará nada para impedir seu programa nuclear.

É claro que não é simplesmente a política do governo americano com relação à Coreia do Norte que está sinalizando ao Irã que ele não tem motivos para ficar preocupado com a possibilidade dos Estados Unidos desafiarem suas aspirações nucleares. A política geral dos Estados Unidos para o Oriente Médio, que condiciona a ação americana contra o programa de armas nucleares do Irã à implementação anterior de um acordo de paz impossível de ser realizado entre Israel e os palestinos, torna óbvio para Teerã que os Estados Unidos não tomarão providência alguma para impedir o Irã de seguir os passos da Coreia do Norte para se tornar uma potência nuclear.

Obama, durante sua entrevista à imprensa com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, disse que os Estados Unidos irão reavaliar seu compromisso de apaziguar o Irã ao final de 2009. Logo a seguir foi noticiado que Obama instruiu o Departamento de Defesa a montar um plano para atacar o Irã. Além disso, o chefe do Estado-Maior Conjunto, almirante Michael Mullen, fez recentemente várias declarações avisando sobre o perigo que um Irã com armas nucleares será para a segurança global - e, por extensão, à segurança nacional dos Estados Unidos.

Superficialmente, tudo isso parece indicar que o governo Obama pode estar disposto a realmente fazer algo para impedir o Irã de se tornar uma potência nuclear. Infelizmente, porém, devido ao prazo que Obama estabeleceu, fica claro que, antes que ele esteja pronto para levantar um dedo contra o Irã, a "mullahcracia'' já terá se tornado uma potência nuclear.

Israel avalia que o Irã terá quantidade suficiente de urânio enriquecido para fazer uma bomba nuclear antes do final do ano. Os Estados Unidos crêem que isso poderia demorar até a metade de 2010. Em sua entrevista à imprensa, Obama disse que, se as negociações estiverem fadadas ao fracasso, o próximo passo dos Estados Unidos será expandir as sanções internacionais contra o Irã. Com isso, pode-se pressupor também que Obama permitirá que essa política se mantenha por pelo menos seis meses antes que esteja disposto a reconsiderá-la. A essa altura, com toda probabilidade, o Irã já estará de posse de um arsenal nuclear.

Além do prazo dado por Obama, duas outras manifestações tornaram aparente que, independentemente do que o Irã fizer, o governo Obama não revisará sua política no Oriente Médio: a ênfase é o enfraquecimento de Israel e não o impedimento do Irã adquirir armas nucleares. Primeiro, o jornal israelense Yediot Aharonot informou que, em uma palestra recente em Washington, o general americano Keith Dayton, responsável pelo treinamento de forças militares palestinas na Jordânia, indicou que, se Israel não entregar a Judéia e Samaria dentro de dois anos, as forças palestinas, que ele e outros oficiais americanos estão treinando atualmente a um custo de mais de 300 milhões de dólares, poderiam começar a matar israelenses.

Admitindo a veracidade do relato do Yediot Aharonot, ainda mais perturbadora que a certeza de Dayton de que em breve essas forças treinadas pelos Estados Unidos poderiam começar a matar israelenses, é sua aparente serenidade em face das conhecidas conseqüências de seus atos. A perspectiva de as forças militares palestinas assassinarem judeus não faz com que Dayton repense se é sábio o compromisso dos americanos formarem e treinarem um exército palestino.

A afirmação de Dayton revelou o fato perturbador de que, embora o governo americano esteja completamente consciente dos custos de sua abordagem do conflito palestino com Israel, ainda não está disposto a reconsiderá-la. O secretário da Defesa, Robert Gates, acabou de estender o tempo de serviço de Dayton por mais dois anos, e acrescentou-lhe a responsabilidade de servir como assessor de George Mitchell, o mediador do governo Obama no Oriente Médio.

QUATRO DIAS depois que as observações de Dayton foram publicadas, funcionários de alto nível americanos e israelenses se encontraram em Londres. O propósito anunciado desse encontro foi discutir como Israel vai atender à exigência do governo americano de proibir todo tipo de construção nos assentamentos israelenses na Judéia e Samaria.

O mais notável sobre o encontro foi o momento da sua realização. Ao fazerem a reunião um dia depois que a Coreia do Norte testou sua bomba e que o Irã anunciou sua rejeição da oferta dos Estados Unidos de negociarem a respeito de seu programa nuclear, o governo americano demonstrou que, independentemente do que o Irã faça, o compromisso de Washington de exercer pressão sobre Israel não está sujeito a mudanças.

Tudo isso, logicamente, é música aos ouvidos dos mullahs. Com a impotência da América contra os aliados do Irã - os nortecoreanos - e o inabalável compromisso americano de manter as pressões sobre Israel, os iranianos sabem que não têm motivos para se preocupar com o Tio Sam.

Quanto a Israel, é positivo que as Forças de Defesa de Israel tenham realizado o maior exercício de defesa civil na história do país. A partir do teste nuclear da Coreia do Norte, da audaciosa belicosidade do Irã e da traição da América, fica claro que o governo israelense não pode fazer coisa alguma para impactar as políticas de Washington com relação ao Irã. Nenhuma destruição de assentamentos judaicos convencerá Obama a agir contra o Irã.
Hoje Israel está sozinho contra os mullahs e sua bomba. E isso, assim como a decisão dos Estados Unidos de abandonarem sua oposição ao Eixo do Mal, não está sujeito a mudanças.



Caroline Glick nasceu nos EUA e emigrou para Israel em 1992. Como capitã do exército israelense, ela fez parte da equipe de negociações com os palestinos de 1994 a 1996. Mais tarde, serviu como conselheira-assistente de política externa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (durante seu primeiro mandato, de 1997 a 1998). A seguir, fez mestrado na Universidade Harvard. Após retornar a Israel, foi comentarista diplomática e editora de suplementos sobre questões estratégicas no jornal Makor Rishon. Desde 2002, é vice-editora e colunista do jornal The Jerusalem Post. Seus artigos têm sido reproduzidos em muitas outras publicações e suas opiniões são amplamente respeitadas. Seu site é www.carolineglick.com







Escrito por: Caroline Glick, Editora Especial e Colunista do Jerusalem Post. Tradução: Noticias de Israel

De olho na Mídia

Cenas de guerra

Guerra é uma coisa muito séria. Não é para brincadeira. Pois eu tenho uma história para lhes contar, que poderia ser folclórica – e até cômica. Aconteceu na chamada Guerra do Golfo. Na verdade, essa não foi bem uma guerra, que exige duas facções combatentes.


Naquela época, o Presidente do Iraque, Sadam Hussein (que depois foi condenado e enforcado por crimes de guerra) resolveu atacar Israel, que, por seu lado, decidiu não reagir e manteve-se totalmente passivo. A ameaça era grande e o susto, maior ainda. É que a população foi advertida que o referido ditador ameaçava disparar foguetes contra Israel dotados de ogivas que poderiam conter produtos químicos venenosos. Daí ter havido uma distribuição de máscara contra gás a todos os habitantes, de todas as idades.


As autoridades publicaram instruções sobre como colocar a máscara e, em caso de necessidade, havia uma injeção especial a ser aplicada. Havia máscaras específicas para gente de barba e crianças. Também foram dadas claríssimas instruções de como proceder em caso de ataque, por exemplo: a partir do momento em que tocava a sirene, havia um prazo de em média 2 minutos (conforme a localidade) para correr até o abrigo anti-aéreo, fechar hermeticamente as portas e colocar a máscara.


Durante mais de um mês todo mundo andava com uma caixinha de papelão pendurada no braço, contendo a tal máscara, e de ouvidos atentos ao que poderia acontecer. E aconteceram coisas dignas de registro. Ficará gravada na memória de todos a inesquecível cena, transmitida pela televisão, em que o público que lotava a sala de concertos para ouvir a Orquestra Sinfônica de Israel, no momento em que tocou a sirene estava todo ele com as máscaras devidamente colocadas. Ninguém fugiu, ninguém correu para um abrigo, e ficaram ali, gostosamente sentados, devidamente mascarados. O solista era Isaac Stern, que desprezou a máscara!


Também durante mais de um mês Israel foi bombardeada por mais de 30 foguetes, que fizeram muito barulho, deixando a população em um alerta permanente, causando danos materiais muito limitados e, felizmente, quase que nenhuma vítima, e não como resultado direto dos foguetes. Quem não tinha abrigo antiaéreo, deveria escolher um lugar o mais protegido de sua residência e vedá-lo com folhas de plástico, que deveriam, além das máscaras, impedir a contaminação pelas ameaçadoras armas químicas que, afinal, nunca chegaram.


Bom cidadão que sou, segui rigorosamente as instruções recebidas. Arrumei o abrigo que tenho em minha residência e lá coloquei um rádio portátil para ouvir os avisos caso um foguete tivesse sido disparado. Lá eu tinha armazenado água, alguns alimentos, material de leitura, medicamentos de emergência e uma garrafa de bom uísque, para o que der e vier. Havia até um colchão para dar uma estirada. Do meu abrigo, cheguei a dar algumas entrevistas por telefone para o Zevi Ghivelder, da saudosa Manchete.


No meu escritório, a coisa era mais complicada. Não tínhamos no edifício abrigo antiaéreo e, após analisar a situação logística do escritório, chegamos à conclusão de que o lugar mais protegido era o toalete. Após ali instalar a devida cortina de plástico na porta, como o lugar era muito exíguo colocamos duas cadeiras dentro da banheira. Estava eu arrumando uns livros numa prateleira de metal, quando tocou a sirene, o que era sempre assustador, e, afobado, bati a cabeça no canto da estante e sofri um ferimento superficial, mas que sangrou bastante. Aí corremos, eu e minha mulher, rápido para o toalete.


Fechamos bem a cortina de plástico pelo lado de dentro com fitas adesivas, colocamos as máscaras, entramos na banheira, onde havíamos colocado previamente as duas cadeiras, e sentamos um frente ao outro. Nos olhamos e ambos caímos numa gargalhada ininterrupta de alguns minutos, porque não poderia haver uma cena mais cômica do que esta: dois advogados adultos sentados numa banheira, mascarados, aguardando a caída de uma bomba.


Alguns minutos depois foi dado o sinal de “tudo bem”. Tiramos as máscaras, tratei meu “ferimento de guerra” e, ato seguinte, voltamos ao nosso trabalho normal no escritório. Nessa normalidade, não fomos exceção. Durante todo o período daquela guerra, a vida em todo o país continuou normal: cinemas e teatros funcionavam, os restaurantes estavam cheios, as pessoas se telefonavam após a caída de cada foguete para saber “…se caiu perto de você e o que você ouviu…”.


Sempre que me recordo do acontecido em meu escritório, e conto a história, ela provoca boas risadas; mas não se iluda o leitor, e pense que aquela guerra foi uma brincadeira. Longe disto! Como todas as guerras, foi uma coisa muito séria.


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Marcos Wasserman é advogado em Israel, Brasil e Portugal, e é presidente do Centro Cultural Israel-Brasil

terça-feira, 26 de maio de 2009

Os árabes israelenses odeiam Israel


Uma pesquisa realizada pela Universidade de Haifa revelou que os habitantes árabes de Israel - os "árabes israelitas" - estão muito mais próximos dos inimigos de Israel do que se imaginava.

Durante uma apresentação feita hoje dos resultados da pesquisa, o professor Sami Samocha disse que só 41 por cento dos árabes inquiridos é que reconhecem o direito à existência de Israel como um estado democrático judaico. Comparando com 1995, o número dos que negam esse direito é elevadíssimo, já que nessa altura não ultrapassavam os 7 por cento.

O enorme crescimento do número de árabes israelitas que querem ver a queda do estado judaico pode ter algo a ver com a crescente negação do Holocausto entre a comunidade árabe. Mais de 40 por cento dos inquiridos disseram não acreditar que o Holocausto nazi tenha alguma vez tido lugar e que é uma justificação fabricada para o estabelecimento de Israel.

E ironicamente, enquanto o mundo tenta pintar os judeus israelitas como racistas, a pesquisa feita pela Universidade de Haifa mostra que 47 por cento dos árabes israelitas se opõem a ter um vizinho judeu. Há cinco anos atrás essa percentagem era de 27,2 por cento.

E ainda surgem por aí os "inteligentes" - normalmente vivendo bem longe de Israel - que insistem numa coexistência pacífica, querendo forçar Israel a conviver e a suportar o ódio e a agressividade daqueles a quem o estado de Israel concede o direito de serem cidadãos de pleno direito mas que sonham com a destruição da nação que os acolhe...

As evidências estão bem claras. Este ódio está na estirpe dos árabes e eles jamais conseguirão entender a linguagem da democracia, muito menos a da diplomacia.


Shalom, Israel!

Jerusalém - Nossa para sempre




Hoje celebra-se o DIA DE JERUSALÉM. Na cerimónia de estado alusiva, tanto o primeiro-ministro Netanyahu como o presidente Shimon Peres juraram que a capital nunca será dividida.


"Jerusalém unificada é a capital de Israel. Jerusalém sempre tem sido e sempre será nossa e nunca mais será dividida" - afirmou o primeiro-ministro no seu discurso, congratulado por estrondosos aplausos.

"Estou hoje aqui... afirmando o mesmo que disse na minha visita aos EUA: Jerusalém nunca mais será dividida. Só a soberania de Israel sobre a cidade é que pode assegurar a liberdade de religião para as três expressões de fé, e essa é a única coisa que pode garantir que todas as minorias e congregações podem viver nela" - afirmou.

O presidente Peres subiu à plataforma antes de Netanyahu e afirmou que Jerusalém é a única capital que Israel e o povo judeu conheceram.
"A grandeza de Jerusalém não advém da sua geografia, mas da sua história. Nenhuma outra cidade do mundo criou tanta abundância de história espiritual e política".

"Jerusalém é considerada sagrada por metade da humanidade. Sempre foi e será a capital de Israel. Nunca tivemos nenhuma outra e nunca foi a capital de nenhum outro povo."

Assim seja! Shalom, JERUSALÉM! Shalom, Israel!

Leis para Palestinos

O partido ultranacionalista Israel Beiteinu, do chanceler Avigdor Lieberman, apresentou ontem uma projeto de lei que vincula a cidadania israelense a um juramento de fidelidade ao "judaismo, ao sionismo e ao Estado democrático". A medida afetaria 1,5 milhão de árabes israelenses que vivem em Israel - o equivalente a um quinto da população do país.

No domingo, o mesmo partido já havia proposto que o governo proibisse que os árabesisraelenses relembrassem a "catástrofe" (nakba) - termo usado pelos palestinos para descrever a criação do Estado de Israel, em 1948, que foi seguida de uma guerra entre israelenses e árabes.

Caso a lei seja aprovada, os infratores serão punidos com até 3 anos de prisão. As duas iniciativas reforçaram o caráter conservador do chanceler, que defende uma plataforma ultranacionalista, considerada por seus críticos como um entrave ao processo de paz com os palestinos.

A mensagem de Lieberman e seus correligionários é a de que os árabes israelenses representam uma ameaça interna para Israel. Seu partido, o Israel Beiteinu (Israel Nossa Casa), tornou-se o terceiro maior partido na Knesset - o Parlamento israelense - depois das eleições de fevereiro.

Agora, com a apresentação dos dois projetos, a legenda dá sinais de que os discursos radicais de campanha podem se transformar em leis, caso passem por todas as etapas legislativas até a aprovação final.

CRÍTICAS

Mohamed Darawshe, do Abraham Fund Initiatives, grupo que promove a relação pacífica entre judeus e árabes em Israel, disse que as duas propostas refletem "uma ideologia importada de regimes obscuros que desmoronaram".

Alex Miller, parlamentar ultranacionalista que apresentou as propostas, justificou sua posição em uma entrevista concedida à rádio do Exército israelenses. "Penso que podemos chegar a uma situação na qual cidadãos do nosso país não marquem um dia de luto pela criação do Estado no qual eles vivem", disse Miller em referência à "catástrofe".

A parlamentar árabe Hana Swaid chamou as propostas de Miller de "racistas" porque "eliminam o direito de cidadãos árabes de professarem sua identidade, sua religião e seus sentimentos nacionais".

Analistas dizem que dificilmente as leis seriam aprovadas pelo Parlamento, mas chamam a atenção para a intransigência crescente do governo do premiê de Israel, Binyamin Bibi Netanyahu, em relação aos palestinos.

Netanyahu recusa-se a endossar a independência dos palestinos e tem defendido que nenhum israelense deixe a parte leste de Jerusalém, ocupada por Israel em 1967, em um movimento que nunca foi reconhecido pela comunidade internacional.
Comentário de leitor:

O partido Israelense "Beiteinu" e o estado de Israel se adotar esse plano, tem que ser admirado, pois a rota de apaziguamento nao funciona.
Nesta situacao, Israel tem uma populacao civil p/ proteger e se preocupa em exercer a funcao principal do governo que e a de proteger e dar seguranca a sua populacao e a opiniao do mundo, que va pro inferno.
Qdo o mundo mostrar alguma preocupacao com os inocentes Israelis morrendo nas maos dos perversos Arabes, entao talvez Israel reconsidere. Mas por enquanto está correto. Esses arabes dentro de Israel valem tanto qto uma sinagoga no centro de Baghdad.
Onde estavam os Arabes qdo o povo de Israel estava sendo exterminado pelo vilao da Historia Hitler, se nao apoiando os nazistas a cometer genocidio.


Estado de Sào Paulo

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Natalia e o Papa

Ela é uma russona forte e cheia de vida. Chegou a Israel há dois anos, com um visto especial para cuidar e servir de dama de companhia a uma mulher de muita idade. Não tem nada a ver com as jovens e lindas filipinas que vêm para Israel com a mesma finalidade.


Nos dias de folga, Natália faz uns bicos, e trabalha um dia numa casa, outro noutra, ganhando por dia um salário que, em muitos países, representaria o soldo de um mês. Ela só fala russo, romeno, algumas palavras de hebraico, mas nos entendemos em francês. Veio da Moldávia. Falo com ela, com certa emoção, da terra que fez parte da Bessarábia, onde nasceram meus pais. Natália estava muito excitada com a perspectiva da vinda do Papa a Israel, e aguardava, ansiosa, o dia de sua chegada. Soube que o Papa iria visitar, primeiramente, a Jordânia, e perguntou-me: “O que ele vai fazer lá no meio dos árabes?”. Ela deu uma gostosa gargalhada: “Não acredito”, disse, quando lhe respondi que naquele país existia uma comunidade cristã e, parece até, alguns lugares santos para a Cristandade, os quais ele iria visitar.


O Papa foi recebido na Jordânia com todas as honras pelo seu monarca muçulmano, e fiquei admiradíssimo ao ver sua fotografia nos jornais acompanhado pela jovem e linda esposa do rei. (Vale lembrar que alguns importantes chefes de Estado têm se destacado por suas lindas esposas, como os presidentes da França e da Itália). Na Jordânia, o Papa fez uma importante declaração, enfatizando a profunda ligação do Cristianismo com o Judaísmo. Teve grande repercussão a vista do Papa a Israel, onde também foi recebido com todas as pompas. Manteve uma conversa muito amigável com o Presidente do Estado de Israel, Shimon Perez, que lhe entregou um presente especial: toda a “Bíblia” gravada num microchip de silicone.


O Papa visitou Yad VaShem, onde fez um discurso emocionado, no qual manifestou seu profundo pesar pelo que ocorreu no Holocausto. Encontrou-se com seis sobreviventes e trocou algumas palavras com cada um. Entre eles, havia uma mulher que sobreviveu escondida numa escola de freiras, o que lhe possibilitou ocultar sua identidade ao apresentar-se como cristã, e outro que se salvou vivendo num mosteiro. A visita do Papa a Israel ficou empanada por um desagradável incidente ocorrido em Jerusalém. Foi num encontro quase que ecumênico, que contou com a presença de líderes representando as diversas religiões. O Presidente do Tribunal Superior Muçulmano de Israel valeu-se da oportunidade para fazer um inesperado discurso de ataque violento a Israel, convocando o Cristianismo para, em todo mundo, juntar-se ao Islã, numa união de forças contra Israel.


O Papa não teve dúvidas, levantou-se e abandonou o recinto, e teria dito a seu acompanhante, manifestando a indignação pelo que aconteceu: “Como é possível uma coisa dessas?”. Até agora, não me parece ter havido qualquer reação, por parte das autoridades israelenses, ao referido e inusitado discurso, principalmente pelas palavras proferidas de forma tão grosseira por aquela autoridade religiosa. É certo que Israel é uma autêntica democracia, com todas as falhas deste tipo de regime, mas causará espécie se não for tomada alguma atitude a respeito. A liberdade deixa de existir quando extravasa para a anarquia.


A Natália não soube nada do que acabei de narrar. Ela, naquele dia, recebeu folga do trabalho, viajou cedo a Jerusalém para ver o Papa de perto e, quiçá, receber dele alguma bênção. Depois, ela comentou comigo: “Vim para Israel para ganhar algum dinheiro e ajudar minha família, que ficou para trás na Moldávia. Sou uma mulher de muita sorte e recebi o melhor presente que poderia ocorrer em minha vida: vi o Papa!”. Bento XVI, cujo nome em hebraico seria Baruch, calou-se quanto à agressão verbal ocorrida, mas manifestou de forma incisiva a sua discordância, ao retirar-se do recinto, em protesto, quando ocorreu o incidente. O Papa deu um exemplo pessoal de quem não aceita a intolerância.


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Marcos Wasserman

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Homenagem a Eli Cohen

Desde a criação do Estado de Israel até nossos dias, a Síria foi um dos maiores, senão o maior, inimigo de Israel. De 1948 a 1967 a Síria estava em ótima situação para expressar a sua antipatia e desejar colocar um fim no estado judeu. De posse do Golan, a Síria fez com que durante 19 anos, povoados judaicos situados ao norte se sentissem constantemente ameaçados pelas forças sírias, pois eram alvos de freqüentes ataques.

Desde 1992 o Golan foi o centro das discussões nas conversações de paz devido ao seu significado histórico e estratégico, além de sua beleza selvagem. Quando conquistado em 1967, quase no fim da guerra dos seis dias, os colonos no norte puderam finalmente descansar das constantes ameaças. O crédito da conquista do Golan deve-se em grande parte a Eli Cohen, um notável espião de Israel.


A importância do Golan não se deve somente ao seu significado militar. Abastece também, 30% das fontes de água de Israel. Em 1960 Israel desenvolveu um aqueduto que desviaria água do Kineret, situado ao Norte de Israel e que passaria a irrigar o país, especialmente o árido sul de Israel.


Israel tentou obter a cooperação dos vizinhos árabes, mas estes não concordaram. Os árabes decidiram desviar as nascentes do Rio Jordão, no Golan, com a intenção de privar Israel da água tão necessária para seu crescimento nacional. A Síria contratou engenheiros e equipamentos especializados para esta finalidade. O Ministério da Defesa de Israel precisava urgentemente de alguém que conseguisse os dados sobre o projeto do desvio das águas, obtendo diagramas, mapas e informações detalhadas. Eli Cohen era o homem certo para este trabalho.


Eli Cohen nasceu em Alexandria, Egito, no dia 26 de dezembro de 1928. Em 1949 os seus pais, judeus sírios da cidade de Alepo e três irmãos, mudaram-se para o norte de Israel. Eli permaneceu no Egito afim de coordenar atividades sionistas. No dia 8 de fevereiro de 1957 Eli chegou a Israel.


Aos 29 anos quis ingressar no serviço secreto de Israel mas foi reprovado duas vezes. A agência concluiu que Cohen tinha um alto QI, grande coragem, memória fenomenal e a habilidade para manter segredos, mas os testes também mostraram que tinha uma auto avaliação exagerada e muita tensão interna, concluindo que Cohen não media corretamente os perigos e estava, portanto, sujeito a assumir riscos alem dos necessários.


Dia 31 de agosto de 1959, Eli casou com Nadia Majald, judia de origem iraquiana. Entretanto, o serviço secreto de Israel resolvera analisá-lo novamente. Afinal, Eli nascera num pais árabe, possuía feições orientais e conhecimento nas áreas de inglês, francês e árabe.


Certo dia, em 1960, o serviço secreto convocou Eli. Da primeira vez recusou a oferta mas um mês após, tendo perdido o seu emprego, aceitou prontamente. O treinamento foi longo e exaustivo. Foram-lhe ensinadas técnicas de manipulação de armas de pequeno porte, topografia, criação de mapas, sabotagens e especialmente a transmissão por rádio e criptografia. Em resumo, a maioria dos itens essenciais para a segurança e sobrevivência de um tal de Kamal Amin Ta’abet, a nova identidade de Eli Cohen.


Uma das tarefas mais complicadas para Eli Cohen foi desenvolver a fonética árabe com o inconfundível sotaque sírio. O serviço secreto criou uma identidade completamente nova. Kamal Amin Ta’abet nascera em Beirute, Líbano. O nome do pai , Amin Ta’abet e Sa’adia Ibrahim o da sua mãe. Em 1948 a família mudou-se para a Argentina onde abrira um próspero negócio têxtil, de acordo com a sua imaginária biografia. Kamel Amin Ta’abet (Eli Cohen) retornaria à Síria para a realização de um sonho patriótico.


Em 1961, Chaim Herzog, chefe da inteligência militar e mais recente presidente de Israel, assinou o documento autorizando Cohen na sua missão de espionagem. No dia do embarque, no aeroporto, sua esposa Nadia entendeu que ele estaria trabalhando para o Ministério da Defesa, mas não exatamente em que área. Disseram-lhe que estaria em completa segurança.

Foi enviado primeiramente para Buenos Aires, a fim de estabelecer sua cobertura como imigrante sírio. Em pouco tempo já estava entrosado na vida social e cultural da comunidade síria de Buenos Aires e era conhecido como um próspero e generoso homem de negócios. Era muito querido e respeitado, estabelecendo contatos com os políticos, diplomatas e funcionários do exército que trabalhavam na embaixada Síria.


Através dos contatos de Kamal, nutridos por festas periódicas, ocasiões sociais e amizades, foi convidado para visitar Damasco a fim de montar uma empresa. Foi-lhe prometido incondicional apoio. As generosas somas de dinheiro vivo que parecia possuir atraíram o governo sírio.

Nove meses depois, em 1961, Eli voltou para Israel, afim de visitar sua esposa, mas gastou a maior parte do tempo em Tel-Aviv, aperfeiçoando sua cobertura e colhendo os últimos dados necessários para sua missão. É desnecessário dizer que o seu sucesso na Síria ultrapassou todas as expectativas.


Cohen chegou a Damasco em fevereiro de 1962 como um grande comerciante vindo da Argentina e retornando a sua pátria. Cultivava contatos com as autoridades promovendo festas em sua casa aonde compareciam diversos ministros, homens de negócio e outros, que usavam seu apartamento para conversar livremente sobre seu trabalho e planos do exército. Eli escutava tudo e todos cuidadosamente.


Fazia empréstimos para oficiais e agia como perfeito anfitrião. Pediam-lhe conselhos e com o passar do tempo ganhou a confiança dos mais altos escalões do poder. Tornou-se um confidente de George Saif, um dos mais importantes ministros da informação. Cohen desfrutou de informações que ajudariam sobremaneira Israel no futuro.


Certa vez, Cohen estava no escritório de Saif, lendo um documento secreto enquanto um sírio se encontrava ao telefone. Um dos diretores do ministério entrou na sala sem ser anunciado e perguntou furiosamente para Saif:

– Como você permite que um estranho leia um documento secreto ?

Saif calmamente responde :

– Não há nada com que se preocupar. Ele é um amigo altamente confiável..

Em 1963 Eli consolidou sua posição na alta sociedade Síria. Entretanto transmitia importantes informações às autoridades israelenses através de um transmissor de rádio escondido em seu quarto.

Periodicamente voltava a Israel para falar com as autoridades e visitar sua esposa e seus filhos pequenos. Voltou para Israel três vezes de 1962 a 1965.


Cohen começou a trabalhar no projeto sírio, já citado, que desviaria a água da nascente do Rio Jordão para longe de Israel, estabelecendo contatos com dois altos oficiais do exército: o coronel Hatoum e o coronel Dali. Estes estavam perfeitamente informados sobre o esquema. Em 1964, Eli conseguiu informar Tel-Aviv de que o canal estava sendo cavado por onde passava o fluxo do Rio de Baniyas. Passou cuidadosamente todos os detalhes do projeto para o serviço secreto israelense. Em 1964, devido a essa informação, a força aérea de Israel pode acabar com o esquema sírio, bombardeando todo o equipamento em uso.

Eli foi levado para conhecer o Golan, ponto extremamente estratégico para os sírios. Kamal Amin Ta’abet (Eli Cohen) visitou todas as posições. Passou novamente informações para Israel: a localização das torres de artilharia, o lugar onde eram guardadas as armas, fortificações do Golan, armadilhas de tanques projetadas para impedir qualquer ataque israelense, etc.

Um dos aspectos mais famosos de Eli foi durante uma viagem ao Golan. Foram-lhe mostradas as fortificações construídas pelo exército sírio. Eli sugeriu que fossem plantados eucaliptos a fim de camuflar estas fortificações. O oficial sírio concordou e Eli passou imediatamente as informações para Israel. Baseado nas plantações de eucaliptos, Israel sabia exatamente onde estavam localizadas. Mas mudanças estavam ocorrendo no governo sírio. O chefe da inteligência, Coronel Ahmed Su’edani não confiava em ninguém. Eli amedrontou-se e desejou terminar sua tarefa na Síria ao visitar pela ultima vez Israel. Mas o serviço secreto pediu-lhe que continuasse por mais algum tempo.


Eli regressou à Síria, mas seu comportamento mudou. Ficou menos cuidadoso nas suas transmissões, repetindo-as quase sempre no mesmo horário: às 8:30 da manhã. As transmissões eram longas.

Os sírios e os conselheiros russos estavam alarmados ao perceber que estavam vazando informações para fora do país. Os peritos em segurança, russos altamente treinados, equipados com sofisticados equipamentos, detectaram a fonte das transmissões. Provinham da casa de Eli.

Certo dia de janeiro de 1965, a inteligência Síria arrombou a casa de Eli durante uma transmissão. A figura principal era a cabeça da inteligência Síria, Coronel Ahmed Su’edani. Eli foi pego em flagrante. Nada podia ser feito. Mesmo torturado, não deu nenhuma informação incriminando Israel.

Lideres mundiais, o governo de Israel, o Papa e muitos outros intervieram a seu favor. Foi tudo em vão. Foi enforcado em 18 de maio de 1965. Enviou sua última carta para a esposa, antes de sua morte. A execução, em praça pública, foi transmitida para toda a Síria.


Eli Cohen passou uma quantidade incrível de dados para o serviço secreto de Israel, durante um período de três anos. Em 1967, Israel pode conquistar o Golan em dois dias, graças aos dados coletados.

Pode se dizer que Eli é conhecido como o maior espião de Israel.

O rabino chefe da comunidade judaica de Damasco, o Rav Nissim Andabo Cohen, recitou com Eli a prece de Ziduk Hadin. Após o kadish pela alma de seu pai Shaul, pediu ao rabino Nissim que ligasse para sua família e dissesse que havia completado sua missão até o final e que se mantivera fiel ao seu povo e à sua terra até o último momento. Como última vontade pediu para escrever uma carta de despedida para sua esposa e filhos. A carta que escreveu antes de sua morte

Com mãos trêmulas, antes de seu enforcamento, Eli Cohen escreveu:

Nadia minha querida, minha querida família

Escrevo estas últimas palavras, com a esperança de que continuem sempre unidos. Peço que me perdoes. Pensa em ti e espero que dês uma boa cultura a nossos filhos… Virá o dia em que meus filhos terão orgulho de seu pai.

“Nadia minha querida, você deve casar-se novamente, para que nossos filhos tenham um pai. Neste assunto você tem liberdade total. Peço que não se enlute pelo que aconteceu, mas, sim, olhe para o futuro.

Te mando meus últimos beijos

Rezem pela elevação de minha alma

Eli ”

O dia a dia em Israel

Meu amigo turista brasileiro não se cansou de elogiar Israel, mas alguma coisa empanou a sua visita: o israelense. Por que, perguntou-me ele, o israelense está sempre com cara de bravo e ninguém saúda ninguém no elevador? Pensei com meus botões: o israelense é assim mesmo, e contei ao meu amigo a seguinte historia:


Outro dia sai com meu carro da garagem de minha casa, numa lenta marcha a ré. Brequei, fechei o portão com o controle remoto, o carro andou mais um pouco para trás e, quando mudei de marcha, para a minha surpresa, o carro, que é automático, continuou em marcha a ré e acabei parando do outro lado da rua, a qual fechei pela metade, em diagonal.


A rua onde eu moro não é das mais movimentadas, mas em alguns instantes formaram-se duas filas de automóveis, que começaram a buzinar desesperadamente, e eu nada podia fazer. A muito custo os motorista acabaram se entendendo e os carros começaram a se mover, num pandemônio de ruídos e gritos atirados contra minha pessoa.


Mesmo não havendo palavras de baixo calão, os distintos motoristas encontraram o devido vocabulário em hebraico para ferir a minha dignidade. Alguns até apontaram o dedo médio para cima, e algumas senhoras motoristas me cravaram olhares mortíferos –se olhar matasse, eu teria morrido várias vezes.


Havia decorrido apenas alguns segundos desde o início do “incidente”. De imediato, desliguei o motor, abri as portas do carro, abri o porta-malas, montei o triângulo vermelho indicativo da minha situação de penúria. Ajudou um pouco. Apenas um caminhoneiro parou um instante para perguntar se eu precisava de ajuda. Foi o único.


Dizem que Israel é o único lugar do mundo onde o som viaja mais rápido do que a luz! Se você está na primeira fila de um semáforo, mal o sinal muda e quem está atrás já buzina irritado. Dá até vontade de não sair do lugar para deixar o tipo ainda mais nervoso. Por que o israelense é assim? O cidadão, quando acorda de manhã, via de regra a primeira coisa que faz é ligar o rádio para escutar o bip bip bip, que indica o início do noticiário. Os locutores israelenses são sempre muito dramáticos, mesmo quando anunciam o resultado de futebol.


Mas as notícias nunca são boas. É outro foguete que caiu na cidade do Norte ou do Sul, é o tal ministro que está complicado com a Justiça, ou são notícias sobre os terroristas, os soldados raptados, as negociações intermináveis com os palestinos, ou sobre aquele famoso partido charedi que ameaça derrubar o governo, para não falar daquele aloprado presidente do Irã que acena pulverizar-nos, isto se não formos liquidados, como o resto do mundo, asfixiados pela poluição do planeta terrestre.


Além do veneno radiofónico, que o israelense toma com o seu café da manhã, os cabeçalhos dos jornais não são lá muito encorajadores. À noite, a televisão nos empolga e transmite ao vivo um noticiário que parece ser especialmente preparado para deixar os telespectadores completamente frustrados. Depois de tudo isso, o israelense já sai de casa emburrado, preocupado quanto ao destino do mundo em geral e o de Israel em particular. Quando chega ao trabalho e tem que entrar no elevador, sua cabeça ainda está extremamente atribulada, ele não vê ninguém, não cumprimenta, e ainda acha ruim se alguém passa a sua frente. Começa mal o dia.


Não é por força do acaso que o meu visitante interlocutor não se cansava de elogiar Israel, a tranqüilidade que se sente nas ruas, nos teatros, nos cafés. Pode-se caminhar tranqüilo, seja durante o dia ou à noite, e não ser assaltado. A única coisa que exige cuidado é o atravessar a rua, para evitar ser atropelado por algum motorista que maneja seu veículo em alta velocidade, enquanto a cabeça dele está em outro lugar.



Não sou sociólogo nem psicólogo para poder analisar o comportamento sui generis do israelense, mas pelo pouco que escrevi acima, valendo-me de Machado de Assis, ocorreu-me cognominar o israelense de “Dom Casmurro”.


P.S: O mecânico me informou, depois, que nada aconteceu com a caixa de câmbio do carro, e o problema foi resolvido com a simples troca de um cabo.

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Marcos Wasserman

Só em Israel

David Ben Gurion, o Pai da Pátria, teria dito: “Em Israel quem não acredita em milagres não é realista”. Senão, vejamos.


Consta que Deus costumava frequentar estas terras de Israel, então Canaã, e até falava com as pessoas. Conversou com Moisés, o libertador do Povo Judeu, usando a sarça ardente (como microfone ou alto-falante?) – Êxodo, capítulo 3. E este mesmo Deus chegou até mesmo a escrever um livro em hebraico, que veio a ser um best-seller em todos os tempos e foi entregue de presente ao Povo Judeu. Só que o Povo Judeu, tão ocupado em estudar e analisar os escritos divinos, sequer chegou a pensar na absoluta conveniência de tentar obter um copyright para o tal Livro.


Atualmente, Deus deixou de falar com a gente diretamente e a era dos milagres divinos parece ter terminado. A palavra milagre não tem mais nenhuma expressão divina e é usada de forma semântica apenas para apontar algum acontecimento inédito ocorrido na nossa Natureza e Humanidade. Mas, se não existem mais milagres divinos, existem os científicos, produtos da inteligência e da mão-de-obra humanas. Não faltam exemplos nesta Terra de Israel.


Israel está se convertendo em um importante centro de investigação genética e mil e uma são as possibilidades que se divisam no horizonte. Nos últimos anos, tem exportado grandes quantidades de sêmen, (!) para a Europa, Ásia e África, de uma variedade de touro de origem belga. Um novo tipo de gado está sendo desenvolvido e a previsão é de que, ainda este ano, serão inseminadas aqui em Israel mais de 7.000 vacas. Qual é a vantagem? É que as tais vacas israelenses passarão, quando transformadas em carne comestível, a produzir bifes dietéticos, com um conteúdo grasso de apenas 7%, comparado aos 30% ou quase 40% de gordura de outros tipos de vaca.


Cientistas do Departamento de Zoologia da Universidade de Tel Aviv identificaram vários tipos de antibióticos nas esponjas marinhas, estes organismos sedentários encontrados no mar. A expectativa é a de que tais esponjas marinhas possam resolver o problema da infecção provocada por determinados tipos de cogumelos e responsável pela morte, todo ano, de mais de 1.000.000 de pessoas em todo mundo. Em sua próxima visita a Israel, o Papa Bento XVI receberá um presente inusitado, produzido pelo Instituto Technion de Haifa. Um presente israelense. Quase que um milagre científico: um chip de silicone de meio milímetro quadrado, banhado a ouro, contendo a bíblia integralmente.


Cientistas israelenses estão desenvolvendo um novo dispositivo para colocar no caule das árvores: sempre que os níveis de água estiverem baixos, o vegetal envia um SMS ou e-mail ao agricultor, ou abre a torneira de irrigação para regar-se a si própria (do boletim da Cambici). O milagre estará completo o dia em que os cientistas israelenses conseguirem fazer com que as árvores se comuniquem com cada um de nós através de nossos computadores. Imaginem, meus caros leitores, que revolução seria se árvores centenárias, nos quatro cantos do mundo, começassem a contar as história do mundo sob um enfoque vegetal. Isto sim seria um milagre!


Alguns “milagres” são apenas de ordem semântica. Ao escrevermos estas linhas, estamos sendo bombardeados por informações sobre a nova ameaça ao mundo, a “gripe suína”. O Vice-ministro da Saúde de Israel, o deputado religioso Yaacov Litzman, não gostou, por motivos óbvios, do nome desta nova e assustadora enfermidade e passou a referir-se a ela apenas como a “gripe do México”. Prova de que a mudança de uma palavra faz milagres. Os palestinos, nossos vizinhos, tentam, de alguma maneira, imitar o Povo Judeu, tentando apoderar-se subrepticiamente de um pouco da História, tentando provar, a todo custo, seus pretensos direitos históricos sobre a Terra de Israel, com esdrúxulas fantasias de que eles já se encontravam aqui muito antes dos judeus. Coisa sem pé nem cabeça.


Também li algures ter sido Jesus, antes de mais nada – pasmem – muçulmano. Esta fé no absurdo, por incrível que pareça, tem a sua devida repercussão e não são poucos que acabam acreditando nestas estórias. Mas nem mesmo um grande milagre poderia transformar essas fantasias em realidade.


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Marcos Wasserman

Israel produz energia a partir do trânsito

Ficar preso no trânsito prejudica a todos. Gera mais poluição, causa stress, perda de tempo e de dinheiro. Mas a empresa Israelense Innowattech encontrou uma maneira de produzir algo positivo dessa catástrofe dos tempos modernos: energia a partir da pressão dos veículos no piso.

“Nós podemos produzir eletricidade em qualquer lugar onde haja uma estrada agitada usando energia que normalmente é desperdiçada”, explicou à agência britânica Reuters Uri Amit, presidente da Innowattech. Com uma equipe de 12 pessoas e o investimento privado de US$ 3 milhões, a empresa pretende instalar geradores embaixo de calçadas, malhas viárias e ferroviárias capazes de armazenar energia a partir do movimento e peso por meio do processo de “piezeletricidade”. Assim, quanto mais congestionado o trânsito estiver, melhor.

Ligada ao Instituto de Tecnologia Technion de Israel, a Innowattech deve implantar o projeto a partir de 2010 nas principais cidades do mundo, começando pelas israelenses e norte-americanas. A empresa trabalha atualmente em um programa piloto para instalar os geradores em shoppings e no metrô de Nova York, por exemplo, para captar a energia do movimento de pedestres.

Empresa pretende instalar geradores embaixo de calçadas e ferrovias capazes de armazenar energia

O professor Haim Abramovich, fundador da organização, explica que uma avenida com menos de 1,6 quilômetro (uma milha), quatro faixas e por onde cerca de mil veículos circulam por hora pode criar aproximadamente 0.4 megawatts de potência, o suficiente para alimentar 600 casas. No futuro, os cientistas do projeto desejam aprimorar a tecnologia para armazenar mais energia e distribuí-la em escala nacional.

O custo de implantação atual dos geradores israelenses é de US$ 650 mil por quilômetro, o que equivale a US$ 6,5 mil por kilowatt. Entretanto, o presidente da empresa, Amid, observa que o custo deve cair 60% quando alcançarem a produção em massa, tornando o sistema mais barato do que a energia solar. “O lado bom é que o sistema não demanda muito espaço como a energia solar”, afirmou o professor Abramovich para a agência de notícias israelense Israel21c. “Nós podemos produzir energia onde ela é necessária, sem a necessidade de usar cabos para transportar essa potência.”

Grandes empresas já demonstraram interesse no empreendimento da Innowattech. A multinacional Mc Donald’s, por exemplo, teve a idéia de instalar o sistema em suas filas, para que os consumidores gerem energia enquanto esperam para comer um Big Mac. “Acredito que as pessoas vão começar a pular e dançar sabendo que ao fazer isso vão criar energia. Vai ser bom para a saúde delas”, defende Abramovich.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Carta a Mídia brasileira

Carta aberta a midia Brasileira
Grupo de Acao Pro-Israel

Antes, uma apresentação. Nós judeus brasileiros, que redigimos esta carta, não pertencemos a nenhum partido de direita israelense. Pertencemos sim ao time de torcedores por uma convivência pacífica entre o Estado de Israel (menor que Sergipe) e as nações árabes (do Marrocos ao Paquistão). Ou seja, entre cinco milhões de judeus e seus trezentos milhões de vizinhos árabes. Enfim, entre a única democracia do Oriente Médio (onde inclusive seus cidadãos árabes são eleitos livremente ) e vinte ditaduras, regimes fundamentalistas e monarquias.


Feitas as apresentações, declaramos que sua cobertura em relação a Israel, através do poder de som, imagem e mídia escrita (salvo raras exceções) vem se tornando cada vez mais aviltante, unilateral, injusta e, pior que tudo para jornalistas, descomprometida com a história e os fatos.


Será que vocês nunca se perguntaram por que crianças palestinas inocentes são mortas durante as intifadas? Ainda não deu pra perceber que elas são covardemente usadas como escudo, enquanto atiradores palestinos disparam metralhadoras e fuzis por trás? Faltam evidências?


As ações terroristas que visam deliberadamente assassinar cidadãos judeus, são equiparadas às retaliações que visam eliminar seus perpetradores. Em outras palavras, se "x" invade a casa de "y" matando sua mulher e filho, e "y" persegue e mata "x", o ato dos dois é igualmente hediondo? Vocês classificam como "terrorismo de Estado" a política de eliminação de terroristas, levado a cabo com precisão pelos dois últimos governos. O que vocês recomendam a Israel? Queixar-se ao bispo e assistir de braços cruzados civis sendo explodidos em pizzarias? Chamar alguma comissão de direitos humanos para dialogar com suicidas assassinos e seus "guias espirituais"?


É sabido que cada família palestina que perde um filho no conflito é ressarcida com somas generosas, explodindo-se então, melhor ainda. Além da glória de seus homens "encontrarem-se com o profeta" Arafat e seu staff desviavam e desviam vultosas somas para paraísos fiscais. Imaginem esses recursos em saúde, educação, que aliás... bom... deixa pra lá.


Sabemos que muitos palestinos querem de verdade viver em paz com Israel. Mas são sumariamente desaparecidos quando ousam pensar alto. Afinal, não existe um "Paz Agora" palestino. Não existe uma autoridade palestina livremente eleita. Mas estes parecem ser detalhes indignos de nota. Não é?


Já nos acostumamos em ser bodes expiatórios dos males da humanidade mas agora somos também os agressores malvados. Esperem aí! Vocês caíram na armadilha de ver a ocupação fora do contexto histórico, como uma ocupação pura e simples, esquecendo-se que os chamados territórios palestinos foram conquistados da Jordânia e do Egito numa guerra de vida ou morte imposta a Israel. Ou, por acaso, os palestinos já se constituíram algum dia em uma nação? Eles teriam sido absorvidos pelas nações árabes ao redor, se estas não tivessem, depois de ter lhes exortado a fugir, imposto miseráveis campos de refugiados com a promessa de jogar os judeus no mar. Os governantes árabes assustados por um possível contágio de suas sociedades arcaicas e medievais por vírus israelenses como, sociedade aberta, direitos da mulher e exemplos socialistas singulares como os kibutzim, espertamente perceberam que esta era a formula certeira de manter viva essa válvula de escape, de uma pátria palestina, a fim de que seus povos não se virem contra eles e comecem a questionar por que se acham desprovidos de seus próprios direitos humanos. A propósito, alguém ao menos lembra da questão dos curdos que afeta milhões de pessoas desprovidas de qualquer direito ? Povo que teve centenas de mulheres e crianças exterminadas por armas químicas. Mas é claro, já íamos esquecendo... Este assunto não interessa aos homens do petróleo e também não interessa estar em pauta.


Vocês focam o conflito judaico-palestino esquecendo-se do trapézio maior em que ele acontece, que é a contínua não aceitação da existência de Israel por grande parte de seus finos vizinhos. Por motivos óbvios, nunca foi, é ou será do interesse de Israel ocupar áreas densamente povoadas por palestinos, Justamente por isso Israel, mesmo correndo riscos, retirou-se de 90% de Gaza e das principais cidades palestinas. A ironia é que vocês não perceberam que um país ao lado, como a Jordânia com população majoritariamente palestina, poderia também ser uma alternativa de pátria palestina. Bastava para isso o direito de elegerem seus governantes. Mas claro... que heresia...


Vocês omitem, que a "libertação da palestina" é conceito muito anterior à ocupação, em 67. Já aparecia na Carta Palestina de 1964, e se referia a eliminação do Estado Judeu. Quanto a Jerusalém, é oportuno lembrar que ela é mencionada mais de 700 vezes no Tanach, livro sagrado judaico, e nem uma vez sequer no Corão. Foi fundada e proclamada capital dos judeus pelo rei David ha mais de três mil anos, enquanto Maomé nunca esteve lá. Os judeus religiosos rezam voltados para Jerusalém, enquanto os muçulmanos, rezam voltados para Meca, de costas para Jerusalém.


A divisão da cidade em duas partes, foi muito triste para o povo judeu. Nenhuma nação do mundo levantou um dedo para salvar a cidade, tão sagrada para tantas religiões e proibida para judeus, da destruição de templos, profanação de cemitérios, dos saques e do lixo.


Nestes 50 anos de existência, Israel, proclamado pela ONU numa sessão histórica presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, e imediatamente atacado por cinco exércitos, transformou deserto árido em terras irrigadas e férteis ao mesmo tempo que acolhia milhões de refugiados. Durante 2 mil anos antes fomos perseguidos e massacrados pela inquisição espanhola e portuguesa, pelos progroms russos, poloneses e finalmente o Holocausto. Simplesmente porque não tínhamos uma pátria que nos defendesse. Enquanto os palestinos tem irmãos de fé e de sangue em grande parte do globo em áreas riquíssimas pelo petróleo, e que constituem um quinto da população mundial, o minúsculo Israel, em sua curta aventura, conturbada por guerras e ataques terroristas, conseguiu ser um país com ensino de primeiro mundo, exportando ciência e tecnologia. Israel é exemplo único de país, que apesar de ameaçado de extinção e até hoje nunca ter vivido um dia de paz, não viveu um único dia sem democracia plena.


Mas tudo isso parece não ser relevante. Vocês insistem em não ver as angústias, sofrimento, as dezenas de anos de isolamento, de cerco e ameaça a Israel, cuja única alternativa foi ser forte e arriscar-se de ser rotulado como opressor.

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