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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Palestinos cristãos são perseguidos.

Julie Stahl, CNSNews.com

Os cristãos palestinos estão sofrendo abusos dos direitos humanos, inclusive confisco de terra, estupro e assassinato nas mãos da população muçulmana, que é muito maior, mas eles não abrem a boca para falar e a Autoridade Palestina não lhes oferece nenhum recurso ou proteção, disse um advogado de direitos humanos e escritor.

Na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza, tanto muçulmanos quanto cristãos palestinos contam aos visitantes que não há nenhum atrito entre eles — que eles vivem como cidadãos iguais sob o governo da A.P.

Mas Justus Reid Weiner, autor do livro recentemente publicado “Human Rights of Christians in Palestinian Society” (Direitos Humanos dos Cristãos na Sociedade Palestina) disse que isso simplesmente não é verdade.

A perseguição religiosa é um problema em toda a sociedade palestina e é um problema sentido de diferentes maneiras, Weiner disse. “Algumas pessoas são acusadas de colaborar com Israel. Algumas pessoas são acusadas de ofensas morais. Algumas pessoas são acusadas de tentar propagar o Cristianismo através da distribuição de Bíblias”.

Weiner, um advogado judeu que trabalha com questões de direitos humanos, disse que um pastor evangélico o incentivou a investigar os abusos de direitos humanos de muçulmanos que se converteram ao Cristianismo. Mais tarde, ele também estudou os cristãos que vivem sob governo da A.P.

“Comecei quando um amigo meu que é pastor evangélico leigo perguntou se eu já havia pesquisado ou escrito sobre as vítimas cristãs que estavam sofrendo abusos de direitos humanos vivendo sob a A.P.”, Weiner contou ao Serviço Noticioso Cybercast. “E embora eu tenha experiência de 25 anos trabalhando como advogado de direitos humanos, eu não sabia nada”.

Seu livro é dedicado a Ahmad El-Ashwal, um muçulmano palestino que se converteu ao Cristianismo e foi assassinado por causa de sua fé.

El-Ashwal, pai de oito filhos que viviam no campo de refugiados de Askar perto da cidade de Nablus, na Margem Ocidental, foi preso e torturado nas prisões da A.P. por se converter ao Cristianismo, disse Weiner.

“Ele foi levado à prisão por dois meses e eles o questionaram muito sobre suas convicções cristãs. Eles pediram que ele revelasse os nomes de outros cristãos que ele conhecia e lhe prometeram que se ele voltasse para o islamismo, eles lhe dariam um emprego bom, com salário elevado e um escritório só dele”, disse ele.

El-Ashwal foi surrado; seu carro sofreu um ataque à bomba; e ele foi forçado a fechar seu próspero local de venda de falafel quando o proprietário não quis renovar o aluguel dele por causa de sua fé cristã. Ele dirigiu uma igreja secreta em sua casa no campo de refugiados e quando ele não quis voltar ao islamismo, homens mascarados bateram à sua porta em janeiro de 2004 e lhe atiraram na cabeça.

“Nunca houve investigação alguma. Até tentei descobrir uma notícia de jornal dizendo que alguém havia levado tiro e sido morto — mas não havia notícia alguma”, contou Weiner. Sua família não quer se encontrar com nenhum estrangeiro mais, acrescentou ele.

A constituição da A.P., que precisa ainda ser ratificada, é baseada na Sharia, a rígida lei religiosa islâmica, declarou Weiner. (A Sharia rebaixa os que não são muçulmanos a uma condição inferior e também proíbe conversões do islamismo a qualquer outra religião.)

O islamismo vê uma conversão como “rua de mão única”, observou Weiner. “Você é mais que bem-vindo para se converter para o islamismo, mas quem tiver o atrevimento de pensar em se converter do islamismo para alguma outra religião merece a pena de morte”.

Se a A.P. for governada por uma constituição baseada na lei islâmica, há pouca esperança de que a constituição protegerá um muçulmano que se tornar cristão, declarou ele.

Os cristãos também sofrem

Mas não é só os muçulmanos que se convertem ao Cristianismo que sofrem, ele disse.

Weiner observou que os países do mundo não dão atenção aos abusos contra a pequena população cristã (menos que dois por cento da população total da Margem Ocidental e da Faixa de Gaza).

“A realidade da vida do dia-a-dia dos cristãos palestinos que vivem sob o governo da A.P., sujeitos aos caprichos de uma maioria muçulmana, continua a ser em grande parte ignorada pelas organizações, governos, os meios de comunicação e o público internacional”, escreveu Weiner em seu livro.

“Não só a população palestina cristã está sofrendo ameaça à sua própria existência, mas o que mais chama a atenção é que sua condição como minoria perseguida é ignorada, já que a atenção internacional está toda no terrorismo e nos planos de paz iniciais, em vez das presentes necessidades de direitos humanos”, declarou ele.

O livro de Weiner é o cume de oitos anos de pesquisa e entrevistas com convertidos e cristãos nas áreas da A.P. Ele também publicou muitos artigos em várias revistas de direito e direitos humanos.

“A maioria das vítimas tem medo de falar, medo de dar entrevistas, medo até de se encontrar comigo”, comentou Weiner.

“Tive de reassegurar-lhes na maioria dos casos de que eu não ia publicar minhas descobertas aqui em Israel, de que tudo ia ser publicado em revistas acadêmicas no outro lado do oceano… que têm pequena circulação”, observou Weiner.

“Além disso, eu estava disposto a mudar os nomes, as cidades de residência e a ocupação das pessoas que eram entrevistadas, e apesar dessas afirmações reiteradas havia algumas pessoas que ainda não queriam conversar”, declarou ele. “Basicamente, há um grande problema de medo de ameaças”.

Recentemente, uma mulher muçulmana foi assassinada por sua família, porque alegaram que ela estava tendo um caso com seu patrão cristão. A família muçulmana foi então atacar enlouquecidamente a vila cristã de Taibeh, queimando lojas e obrigando os cristãos a fugir em busca de segurança, disse ele.

O silêncio dos líderes cristãos

Para piorar o problema, os líderes cristãos — há muito tempo amedrontados com as ameaças de Yasser Arafat, que era presidente da A.P., e agora amedrontados com a atual liderança da A.P. — não abrem a boca em favor de suas comunidades, observou ele.

Weiner disse que no começo ele ficou perplexo com o silêncio dos líderes cristãos para com o tratamento cruel que seus membros estavam sofrendo.

“Penso no Cristianismo como uma das maiores religiões mundiais envolvendo bilhões de seguidores… e muitos deles são ricos e cultos. Líderes poderosos de muitos países professam uma identidade cristã e certamente eles vêm de uma tradição cristã”, disse ele.

A Autoridade Palestina tem de tal modo intimidado os líderes cristãos que eles cooperam com a causa nacionalista palestina, declarou Weiner.

“Eles obedeciam toda vez que Arafat estalava os dedos para vestir roupas cristãs e dar garantia pessoal do fato de que os cristãos e os muçulmanos eram palestinos acima de tudo, e que todos eles estavam comprometidos com o nacionalismo palestino como sua prioridade máxima”, comentou ele.

Os cristãos, pois, viam seus líderes como homens que haviam se vendido, acrescentou ele.

Pelo fato de que havia muito poucos cristãos, em comparação ao número de muçulmanos, “os líderes da A.P. tendem a fechar os olhos quando o Hamas ou a Jihad Islâmica atira, esfaqueia, bate, intimida, rouba ou estupra os cristãos”, ele declarou.

Intervenção dos EUA

Weiner disse que ele escreveu esse livro, destinado ao público geral, porque não queria que o problema permanecesse um “segredo” entre acadêmicos.

Ele acredita que o governo americano poderia fazer mais para pressionar a A.P. a cumprir, como se espera, os padrões de direitos humanos internacionais.

A pressão de Bush para que haja democracia no Oriente Médio não é só sobre “urnas eleitorais e eleições livres e justas”, observou ele.

“Parte da democracia sobre a qual ele tem falado inclui liberdade de religião, liberdade de mudar de religião, liberdade de diferir da religião ou cultura da maioria”, ele disse.

“Sob as leis internacionais de liberdade religiosa, o governo americano pode fazer alguma coisa, o uso de pressão deve ser uma possibilidade, não é uma situação sem esperança como pensam alguns”, ele observou.

Traduzido e adaptado por Julio Severo:

Fonte: Crosswalk — Religion Today Feature: Palestinian Christians Are Persecuted, Author Says, 25 de novembro de 2005.

Quem confia nos palestinos?

Abbas e Fayyad falaram em inglês para os americanos e israelenses, Erekat falou em árabe para os palestinos. Ambas as declarações não podem ser verdadeiras; uma tem que ser mentira.


Sob o comando de Iasser Arafat, a Organização para a Libertação da Palestina notoriamente dizia uma coisa à audiência árabe/muçulmana e o contrário à israelense/americana, discursando de forma malévola para a primeira e em tons dúlcidos para a segunda. O que dizer sobre o amável sucessor de Arafat, Mahmoud Abbas? Ele rompeu com esse padrão de falsidade ou lhe deu continuidade?

Essa questão tem em si uma importância renovada visto que segundo levam a crer as informações, Abbas estaria disposto a oferecer a Israel vários compromissos territoriais, e mais, ele deu alguns passos sem precedentes dando uma entrevista a jornalistas israelenses, reunindo-se com líderes judeus americanos no S. Daniel Abraham Center for Middle East Peace.

Com uma especificidade inédita, o diário em idioma árabe Al-Hayat revela, que Abbas informou à administração Obama sobre sua disposição em chegar a um acordo no que diz respeito à Cisjordânia e até mesmo Jerusalém (embora a AP negasse imediatamente esses termos).
Na entrevista, Abbas se diz genuinamente decidido a alcançar um acordo de paz e a aceitar a ideia de tropas internacionais. Um assistente de Abbas descreveu esse esforço como a "tentativa dele estender a mão à população israelense... nós desejamos ter um parceiro israelense para o estágio final, um parceiro que optou pela paz, não assentamento, paz, não ocupação". O próprio Abbas advertiu os israelenses, "Não me deixem perder as esperanças".

E por último, uma transcrição da reunião no Abraham Center revela Abbas dizendo a sua audiência exatamente o que ela queria ouvir: que ele condena a violência, reconhece as ligações históricas judaicas à terra controlada por Israel, que aceita as preocupações israelenses sobre a segurança e que promete retirar o incitamento da mídia e dos materiais escolares. Sobre a delicada questão do Holocausto - um tópico sobre o qual o próprio Abbas escreveu uma "dissertação" pela qual recebeu Ph.D. na URSS, onde ele acusa os sionistas de aumentarem o número de judeus mortos por motivos políticos - Abbas admitiu que os judeus sofreram e rejeitou a negação do Holocausto.

Como interpretar tudo isso? Abbas alega que falou para os líderes judeus americanos "na mesma linguagem" que usa para falar aos palestinos comuns.

Altamente improvável.

Na realidade, a mídia da AP deturpou as declarações dirigidas aos palestinos "comuns" que, para não ser grosseiro, negava as doces palavras dirigidas aos israelenses e americanos. Assim que saiu o noticiário de Abbas estendendo a mão ao outro lado, também saíram notícias no Palestinian Media Watch sobre as mensagens que veiculavam exatamente o contrário aos palestinos.

Por exemplo, a TV da Autoridade Palestina, que é controlada diretamente pelo escritório de Mahmoud Abbas, apresenta o programa de televisão semanal, As Estrelas, no qual representantes das universidades palestinas competem entre si para responderem perguntas. Em um programa recente, duas questões sobre geografia (aqui simplificadas) implicitamente negavam a existência do Estado de Israel.
  • Qual o comprimento do litoral da "Palestina"? A resposta, 235 quilômetros, soma a costa de Gaza (45 km) a da costa mediterrânea de Israel (cerca de 190 km).
  • Qual a área da Palestina? A resposta de 27000 quilômetros quadrados incluem a Cisjordânia e a Faixa de Gaza (6000 km quadrados) juntamente com Israel (21000 km quadrados).
Num exemplo semelhante de fraude, Salam Fayyad, que se denomina primeiro ministro da Autoridade Palestina, anunciou em inglês em Aspen, Colorado, no ano passado que os judeus são bem vindos para morarem em um futuro Estado da Palestina onde eles "irão desfrutar de [todos] os direitos e certamente não desfrutarão menos direitos do que os árabes israelenses desfrutam agora no Estado de Israel."

De fato, palavras amáveis. Contudo, alguns dias antes, Saeb Erekat, líder do departamento de negociações da Autoridade Palestina, disse exatamente o contrário em árabe (conforme está disponível pelo MEMRI): "ninguém deverá aceitar a permanência de colonos judeus em um [estado] Palestino... Alguns dizem que nós estamos [dispostos a] conceder cidadania aos colonos. Nós rejeitamos [essa ideia] peremptoriamente".

Abbas e Fayyad falaram em inglês para os americanos e israelenses, Erekat falou em árabe para os palestinos. Ambas as declarações não podem ser verdadeiras; uma tem que ser mentira. Eu gostaria de saber, qual delas?

Os palestinos jogam esse jogo duplo, transparente e simplista porque dá certo. Os israelenses, os americanos e outros levam em conta os sons agradáveis que ouvem diretamente e desconsideram os relatos de palavras fortes que apenas ouvem falar. A Autoridade Palestina irá continuar alegremente a emitir as mentiras até o mundo prestar atenção e rejeitá-las, posto que recompensar mal comportamento invariavelmente acarreta em mais mal comportamento.

Quando iremos parar de nos iludir de que Abbas e a AP não querem nada menos do que o total aniquilamento do estado judeu? Que desastre terá que acontecer antes de abrirmos os olhos para a realidade?

Publicado no site da National Review.
Original em inglês: Trust the Palestinian Authority?

Tradução:
Joseph Skilnik

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mentiras visuais

RESPONDENDO A QUEM ME CHAMOU DE MANIPULADOR

À esquerda, cartaz de ato público de apoio a Israel realizado em São Paulo. À direita, o mesmo cartaz, GROSSEIRAMENTE MANIPULADO, que circulou na Internet nos dias em que antecederam ao evento.


Cada um seleciona a parte que lhe convém para dar base aos argumentos. Outra coisa, quem é idiota o bastante para esperar de braços abertos um exército que tem ordem para matar? Cada um manipula a informação do jeito que acha melhor. (Bruna)


Sou sensato, quem me garante que estas fotos [sobre a verdadeira Gaza] não são manipuladas? (Fábio)



Pelo que parece ninguém viu o vídeo [da Iara Lee] na íntegra. Ele mostra pessoas mortas,

invasão dos israelenses etc. Isso num vídeo de 15 minutos. Portanto, não tirem conclusões apenas por fotos. O vídeo diz mais do que fotos manipuladas por setas. (Fábio)



As três frases acima foram pinceladas de comentários postados neste BLOG. Nelas, sou acusado de manipulador da verdade. Desculpem se demorei a responder, foi pura falta de tempo. Eis aqui, agora, as respostas.


MANIPULADORES ACHAM QUE TODOS OS DEMAIS TAMBÉM O SÃO


Os mentirosos, manipuladores e deturpadores da verdade têm dois problemas básicos. Primeiro, pensam que todas as demais pessoas são como eles. Depois, quando percebem que estão errados, ao invés de admitirem o erro passam a desacreditar as fontes e pôr sobre suspeita os fatos contrários às suas teses. Mesmo que para isso tenham que lançar mão dos argumentos mais incongruentes.


No artigo Obrigado Iara Lee demonstrei, cabalmente, que Israel foi vítima e não agressor no caso da abordagem do navio turco Mavi Marmara. E para isso usei as próprias fontes dos denunciantes. Alguns tiveram a hombridade de reconhecer que a ação de Israel foi apresentada de forma deturpada pela grande mídia. Outros procuraram lançar dúvidas sobre meu trabalho acusando-me de manipulador.


Cada um seleciona a parte que lhe convém para dar base aos argumentos, disse uma tal Bruna. A menina que me escreveu não atentou para um detalhe: O artigo não é uma peça elucubratória com o objetivo de descrever o que se passou à bordo do Marmara, mas sim um trabalho em defesa da ação dos israelenses.


Naquela altura, parte significativa da mídia mundial acusava Israel de cometer atrocidades gratuitas contra um singelo barco recheado de amáveis pacifistas. Minha matéria se concentrou em destruir esta tese e eu não selecionei partes, eu dissequei o vídeo todo. Minuto por minuto. E isso resultou no artigo Sem Nexo Mentiras e Videotape. Aliás, postei também nesta matéria um documentário em vídeo que mostra quem são os verdadeiros manipuladores de imagens.


Depois, a garota indaga: Quem é idiota o bastante para esperar de braços abertos um exército que tem ordem para matar?


Acertou e errou. Acertou quando disse que aqueles que se propõem a enfrentar as Forças de Defesa de Israel (FDI) são idiotas. São mesmo! Israel tem um dos melhores e mais bem preparados exércitos do mundo e todos aqueles que ousaram enfrentá-los se deram mal. E continuarão a se dar. Portanto, quem embarca numa aventura belicosa sabendo que não está à altura do embate é um idiota. Acertou.


Mas ela errou quando disse que o Exército de Israel TEM ordem para matar. Total desconhecimento do que escreve. Aliás, isso mostra bem a alienação em que vive a moçoila. As FDI atuam com um olho na arma e outro na mídia. E não apenas na mídia internacional, mas também na interna.


Os maiores críticos de Israel são seu próprio povo e sua imprensa. Os soldados, generais e, principalmente, seus superiores estão cientes da avalanche de críticas que receberão se uma mínima falha acontecer nas suas abordagens.


Recentemente vimos o desastre provocado pela inabilidade da polícia filipina ao lidar com o seqüestrador de um ônibus de turistas. O Governo local se desculpou, Hong Kong chorou seus mortos e pronto. Agora, imaginem se isso tivesse acontecido em Jerusalém e se a falha fosse da polícia judaica? O mundo desabaria sobre Israel.


Conheço soldados das FDI e uma das coisas que alguns deles reclamam é da seqüência de ordens que precisam receber para dar um tiro. Diante de uma situação de conflito eles têm que esperar diversas instâncias de decisões antes de fazer o disparo. E quando não obedecem a esta cadeia hierárquica ou, desastradamente alguma coisa sai errada (são humanos, ora essa), a lei pesa severamente sobre eles. Há diversos soldados israelenses presos por terem extrapolado às ordens recebidas.


O mesmo já não acontece do lados dos inimigos de Israel. Desafio qualquer um a apresentar um único caso de soldados árabes que tenham sido punidos por atitudes erradas no exercício de suas funções!


O QUE É MANIPULAÇÃO?


Agora, irritante mesmo são os argumentos de que eu manipulei as fotos. Um leitor teve a estupidez de afirmar que as fotos foram manipuladas por setas.


Lição primária para o rapaz: Setas podem induzir, mas nunca manipular. O objetivo das setas era levar o leitor a atentar para detalhes que passam despercebidos quando as imagens são projetadas na velocidade que as coisas aconteceram. E isso é uma ação didática, caro leitor, e não uma manipulação.


Agora, posso lhes dar alguns exemplos do que verdadeiramente venha a ser uma manipulação.


EXÉRCITO DE ISRAEL ATACA ESCOLA DA ONU


Sistematicamente Israel é acusado de atirar a esmo e até mesmo de atirar propositadamente em alvos civis. Durante a cobertura das ações resultantes da incursão das Forças de Defesa de Israel na faixa de Gaza, no final de 2009, o Portal UOL publicou uma bombástica matéria cujo título, de forma sensacionalista, dizia: Quarenta pessoas morrem após novo ataque de Israel atingir escola da ONU. Exército conhecia local, declara porta-voz.


A matéria do UOL dava destaque às palavras da porta-voz da ONU, Elena Mancusi, que diretamente da Suíça denunciava que o Exército de Israel sabia que aquele era um prédio civil: “Nossas instalações de saúde, escolas ou armazéns são conhecidas pelas forças israelenses para prevenir ataques do ar ou incursões. Eles sabiam que era um abrigo. Este foi um ataque contra uma instalação da ONU”, acusou Mancusi.


Na mesma matéria, John Ging, diretor da UNRWA (agência de socorro da ONU), lamentava: “Esta é uma situação muito, muito trágica. É sem precedentes na escala e na futilidade. É conflito desnecessário e completamente sem justificativa”.


Para arrematar o tom fúnebre, UOL dava conta que os dois “ilibados” organismos internacionais estavam arrasados: “O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a ONU afirmaram que o sofrimento da população é insustentável”.


Israel vilão, Palestinos vítimas, ONU e Cruz Vermelha ameaçadas. Fui taxado de desalmado por defender os desmentidos e dar crédito às declarações de Avital Leibovich, porta-voz do Governo Israelense, que negava peremptoriamente que Israel tivesse atingido instalações da ONU.


A notícia chegou às primeiras páginas dos jornais no dia 06 de Janeiro de 2009. Curiosamente, apenas jornais e BLOGs anti-Israel continuaram a lamentar o “incidente” nos dias que se seguiram. ONU e Cruz Vermelha se calaram. As razões do silêncio só foram conhecidas quase um mês depois quando, no dia 04 de Fevereiro de 2009, Maxwell Gaylord, coordenador de ajuda humanitária da ONU, afirmou em Jerusalém que nenhuma instalação da ONU havia sido atingida e desculpou-se, então, pelo “equivoco” em relação ao suposto ataque em Gaza.


Desde as primeiras notícias até o desmentido havia se passado 29 dias! Não estamos falando de um mero deslize burocrático, que exigisse uma investigação para comprovar ou não a veracidade dos fatos. Tratava-se da denúncia de uma escola destruída por um bombardeio que supostamente teria causado dezenas de mortes.


Se isso não tinha acontecido, por que a ONU demorou quase 700 horas para negar a suposta tragédia? Já no outro dia eles poderiam ter dito: Não houve bomba nenhum, a escola está intacta e nossos funcionários estão bem. Mas, não foi isso que aconteceu.


O curioso é que o Portal UOL, que tanto destaque deu à primeira versão, não fez o mesmo em relação à verdade. Isso é que é manipulação.


Outra que ficou calada foi a “imaculada” Cruz Vermelha. Fico triste quando vejo pessoas dizendo que “Israel desrespeita a Cruz Vermelha”, como se isso fosse uma mera pendenga religiosa, pelo fato dela ter sua imagem ligada ao Cristianismo e ser a correspondente ocidental do Magen David Vermelho. Na verdade, Israel tem muitas razões para não dar a mínima para a Cruz Vermelha.



Passaporte de Adolf Eichmann falsificado com ajuda da Cruz Vermelha: Organização transformou o criminoso nazista em Ricardo Klement, um voluntário idôneo.


Depois que terminou a 2ª Guerra, por exemplo, a Cruz Vermelha ajudou a quase 500 mil criminosos de guerra a reabilitar seus documentos. Quase meio milhão de passaportes “esquentados” com ajuda da Cruz Vermelha. Boa parte deles, ex-nazistas como Adolf Eichmann, foram acolhidos na Argentina, país que, por sinal, também foi destino de centenas de crianças polonesas seqüestradas pelos nazistas e traficados com ajuda sabem de quem? Isso mesmo, da Cruz Vermelha.


EXÉRCITO DE ISRAEL ATACA AMBULÂNCIA DA ONU


Por falar em Cruz Vermelha, esta organização também foi conivente com outra vergonhosa manipulação quando Israel foi acusado de acertar com um míssil uma ambulância da Cruz Vermelha.


A foto de uma ambulância, com um buraco simetricamente aberto no topo, encheu páginas de jornais e até hoje faz festa na Internet. Trata-se da “prova inconteste” da barbárie israelense. Enquanto os sites, jornalísticos ou sensacionalistas, reproduziam à exaustão a foto, a página da Cruz Vermelha se encarregava de lamentar os supostos ataques sofridos pelas ambulâncias da organização. Não assumia a veracidade da foto, mas não fazia nada para estancar a polêmica que o caso criava.


Uma publicação abriu manchete: Novamente agonias para a equipe que está ao lado dos anjos.. O título emblemático sugere que a Cruz Vermelha sofre, uma vez mais, por se colocar a favor dos angelicais palestinos.



Falso ataque à ambulância repercute na mídia


Meses depois apareceram novas fotos da tal ambulância e a verdade veio à tona: Tratava-se de um veículo velho, sucateado, e o orifício bem centro da Cruz Vermelha nada mais era do que o suspiro de ventilação da ambulância que tinha sido arrancado.



Sentido horário: Foto publicada pela Imprensa; detalhe do suspiro arrancado; visão lateral da ambulância provando que se trata de sucata; ambulâncias similares vista do alto com destaque para a tampa do suspiro bem no centro da cruz.


Embora elucidado o fato, a imagem de um exército que alveja ambulâncias está entranhado no imaginário dos inimigos de Israel. Como entranhadas estão imagens de bichos de pelúcia das crianças do sul do Líbano. Outra fraude histórica contra Israel.


EXÉRCITO DE ISRAEL ATACA QUARTOS DE BEBÊS


Há alguns anos, as agências internacionais de notícias distribuíram fotos de prédios destruídos em ataques aéreos onde apareciam brinquedos espalhados em meio aos escombros. Ninguém atentou para o fato de que os brinquedos estavam inaculadamente limpos. Mickey, Minie, bonecas e até mesmo um usinho branco que, misteriosamente, sugiram em meio aos destroços sem nenhuma poeira.


A resposta para o mistério do “ataque limpo” dos bombardeiros israelenses veio quando a seqüência original das fotos vazou na Internet. Nelas, um homem aparece carregando uma mala cheia de brinquedos. Depois, teatralmente, ele espalha os brinquedos pelo local do bombardeio. Embora a verdade tenha vindo à tona, as imagens dos brinquedos espalhados fizeram do Exército de Israel um símbolo de como os judeus são selvagens que atacam criancinhas indefesas.



Acima, os brinquedos espalhados. Em baixo, o espalhador dos brinquedos.


EXÉRCITO DE ISRAEL ATACA CASAS DE VIÚVAS INDEFESAS


Como manipulação pouca é bobagem, há também o famoso caso da Palestina Azarada. Trata-se de uma mulher que aparece em diversas fotos lamentando a casa destruída. A farsa veio à tona quando ela esqueceu-se de trocar a roupa. Olhares mais atentos perceberam que a mulher que lamentava a destruição da casa já aparecera em diversos locais diferentes. Azar demais ou uma boa atriz? Ganhou a segunda opção e a mulher nunca mais teve sua casa destruída.



Viúva azarada ou Fernanda Montenegro Palestina?


EXÉRCITO DE ISRAEL ATACA PALESTINO INDEFESO


Agora, a manipulação que mais resultados (e vexames) trouxeram para os autodenominados palestinos foi o caso do jovem espancado pela polícia israelense. Uma matéria de capa do The New York Times falava de palestinos agredidos no Monte do Templo e era ilustrada por uma foto onde um jovem aparecia com a cabeça sangrando.


A imagem ganhou destaque principalmente entre os próprios palestinos. Apareceu em diversos web sites e até virou peça publicitária contra Israel. Numa delas, um cartaz trazia o rapaz bem no centro, bem ao estilo das peças publicitárias do refrigerante Coca-Cola, e estimulava os árabes a boicotarem as empresas americanas que apóiam Israel: “Beba Coca-Cola, apóie Israel!”, dizia o cartaz, convocando as pessoas a responder ao “cruel” ataque ao palestino da foto a não adquirirem produtos de quem apoiava o país que perpetrara aquela barbárie.


De repente uma reviravolta. O jovem que aparece na foto procurou as autoridades e disse: “Sou judeu, moro em Chicago, meu nome é Tuvia Grossman e eu fui atacado por palestinos durante uma visita à Jerusalém. O soldado que aparece na foto estava a me defender do ataque e devo a ele minha vida. O sangramento deve-se aos ferimentos feitos pelos palestinos que me atacaram”.


Envergonhado, o Times pediu desculpas pelo “equívoco” e publicou a foto inteira, sem cortes. Nunca mais as imagens circularam entre os palestinos. Eu ainda consegui copiar, via “print screen”, um dos sites onde a imagem aparecia no banner principal.



Em cima: Esquerda: Foto original; No centro: Foto manipulada na primeira página do The New York Times; Direita: Cartaz de boicote a empresas que investem em Israel. Embaixo: Banner de site islâmico mostra judeu atacado por palestino como se fosse palestino atacado por judeu.


A ÚLTIMA DA REUTERS


Por falar em “fotos cortadas”, termino compartilhando uma última manipulação. A agência internacional de notícias Reuters (de novo ela) andou “editando” algumas das fotos tiradas pelos “ativistas humanitários” dentro do navio Mavi Marmara.


Os supostos “pacifistas” não só atacaram covardemente os soldados israelenses como fotografaram sua “proeza”. As fotos foram vendidas para as agências de notícias e a Reuters teve a idéia de recortar algumas delas de modo a amenizar a selvageria dos meninos que estavam no navio.


Nas imagens manipuladas, facas e manchas de sangue foram “cirurgicamente” cortadas pelos editores de imagem. Como os “fotógrafos” venderam as imagens para mais de uma agência, não demorou muito para a manipulação ser desmascaradas. Fiz uma montagem com as fotos distribuídas pela Reuters mostrando como uma delas teve uma parte cortada (Foto 1) e uma sobreposição para que vocês possam ver o quanto a outra foi suavizada (Foto 2).



1. Foto distribuída pela Reuters; 2. Foto original, sem cortes; 3. Parte que foi recortada para suavizar a ação dos terroristas.



Na foto de cima, a parte destacada foi o que a Reuters distribuiu para seus clientes. Na foto inferior, completa, percebe-se o que a Reuters procurava esconder.


Para aqueles que me acusaram de Manipulador fica essa pequena explicação do que vem a ser, realmente, uma manipulação. Infelizmente algumas pessoas estão tão acostumados a mentiras e manipulações, que pensam que todos são iguais a elas.


Do Blog Noticias de Sião

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Menina palestina e a cobra

CRIANÇA BRINCANDO COM COBRA



Duas fotos impressionantes feitas pelo fotógrafo Abbas Momani, foram distribuidas pela Agência France Press . As imagens de uma menininha, aparentando menos de 5 anos, brincando com uma cobra duas vezes maior que ela o que é chocante! As fotos foram feitas no meio de uma rua de Ramallah, na Samaria, região de Israel onde a fiscalização das leis (e cuidados com crianças) estão sob responsabilidade da Autoridade Palestina (AP).

As imagens, chocantes para os ocidentais, são inimagináveis no lado israelense da Terra Santa. E se perguntarem ao Presidente Shimon Peres “por que as crianças israelenses não brincam com animais selvagens?”, provavelmente ele responderá: “Nós cuidamos das nossas crianças!”

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Blog Noticias de Sião

Conheça Gaza

 

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Gostou? Parece com um campo de concentração?

Parece com uma prisão ao ar livre?

Quem mente? Os israelenses ou os palestinos?

Você ainda vai continuar a falar mal de Israel?

Os incômodos judeus



O mundo está horrorizado com o bloqueio israelense a Gaza. A Turquia denuncia sua ilegalidade, desumanidade, barbárie, etc. Os habituais suspeitos da ONU, o Terceiro Mundo e os europeus, aderem. O governo Obama treme.


Mas, conforme escreveu Leslie Gelb, ex-presidente do Conselho de Relações Exteriores (CFI), o bloqueio não só é perfeitamente racional, como também perfeitamente legal. Gaza, sob o Hamas, é um inimigo auto-declarado de Israel – declaração apoiada em mais de 4 mil foguetes disparados contra território civil israelense. Mesmo empenhado em incessante beligerância, o Hamas se faz de vítima quando Israel impõe um bloqueio para impedir que se arme ainda com mais foguetes.


Na Segunda Guerra Mundial, os EUA, com plena legalidade internacional, bloquearam a Alemanha e o Japão. Em 1962, durante a Crise dos Mísseis, em Cuba, os EUA bloquearam a ilha. Navios russos com armamentos que se dirigiam a Cuba deram meia-volta porque os soviéticos sabiam que a Marinha americana ia abordá-los ou afundá-los. Israel, porém, é acusado de crime internacional por fazer o que John Kennedy fez: impor um bloqueio naval para impedir que um Estado hostil obtenha armas letais.


Oh!, mas os navios não iam para Gaza em missão humanitária? Não. Se fossem, teriam aceitado a oferta israelense de levar os suprimentos a um porto em Israel, onde seriam inspecionados para verificar a presença de material militar, e depois levados por terra para Gaza – da mesma forma como 10 mil toneladas de alimentos, remédios e outros suprimentos humanitários são enviados toda semana a Gaza por Israel.


Por que a oferta foi recusada? Porque, como admitiu a organizadora Greta Berlin, o objetivo da flotilha não era levar ajuda humanitária, mas furar o bloqueio, acabando com o regime israelense de inspeção, o que resultaria no fim das restrições à entrada de navios em Gaza e no armamento ilimitado do Hamas.


Israel já interceptou por duas vezes navios carregados de armas iranianas destinadas ao Hezb’Allah (Partido de Alá, no Líbano) e para Gaza. Que país permitiria isso?


Mas, ainda mais importante: por que Israel foi obrigado a adotar o bloqueio? Porque é sua alternativa, já que o mundo sistematicamente considera ilegítimas suas formas tradicionais de auto-defesa - avançada e ativa.


(1) Defesa avançada: Sendo um país pequeno, densamente povoado e cercado de Estados hostis, Israel adotou, durante seus primeiros 50 anos, a defesa avançada – transferindo a luta para território inimigo (como no Sinai e nas Colinas de Golã), para não travá-la em seu próprio território.


Sempre que possível, Israel trocou terras por paz (o Sinai, por exemplo). Mas onde as ofertas de paz foram recusadas, o país reteve o território como uma zona-tampão de proteção. Assim, manteve [até o ano 2000] uma pequena faixa no Sul do Líbano para proteger as aldeias no Norte do Estado judeu. Em Gaza, sofreu muitas baixas para não expor cidades fronteiriças aos ataques terroristas palestinos. Pela mesma razão, os americanos travam uma guerra desgastante no Afeganistão: lutando com [os jihadistas] lá, para não ter de combatê-los nos EUA.


Porém, sob forte pressão externa, os israelenses desistiram. Disseram-lhes que a ocupação não era apenas ilegal, mas a fonte das insurgências contra Israel – portanto, a retirada, ao remover a causa, traria a paz.


Terras por paz. Lembram-se? Na última década, Israel deu terras – evacuou o Sul do Líbano no ano 2000, e Gaza em 2005. O que ganhou em troca? Intensificação da beligerância, pesada militarização dos inimigos, múltiplos seqüestros, ataques pela fronteira, anos de incessantes bombardeios com foguetes.


(2) Defesa ativa: o país adotou então a defesa ativa – ação militar para dividir, desmantelar e derrotar (para usar as palavras do presidente Obama sobre a campanha americana contra o Talibã e a al-Qaeda) os mini-Estados terroristas no Sul do Líbano e em Gaza, após a retirada israelense.


O resultado? A guerra do Líbano em 2006 e a operação em Gaza em 2008-2009. Elas foram recebidas com outra avalanche de críticas e calúnias pela mesma comunidade internacional que exigira a retirada israelense no esquema terras por paz. E o pior, o relatório Goldstone da ONU, que basicamente criminalizou a operação defensiva de Israel na Faixa de Gaza, enquanto encobriu o “casus belli” – os ataques com foguetes pelo Hamas que precederam a operação – e que efetivamente deslegitimou qualquer defesa ativa por parte de Israel contra os seus auto-declarados inimigos que utilizam o terror.


(3) Defesa passiva: Sobrou a Israel a defesa mais passiva e benigna de todas – o bloqueio para evitar o rearmamento do inimigo. Também este recurso está a caminho de ser deslegitimado pela comunidade internacional. Mesmo os EUA tendem pela sua abolição.


Então, se nada mais é permitido, o que resta?


Bem, este é o ponto. É o ponto compreendido pelos simpatizantes do terror e idiotas úteis da flotilha que pretendiam romper o bloqueio, pela organização turca que a financiou, pelo automático coro anti-israelense no Terceiro Mundo e na ONU e para os apáticos europeus que estão fartos do problema judaico.


O que resta? Nada. O objetivo da incessante campanha internacional é privar Israel de toda forma legítima de defesa. Por que, [no final de maio], o governo Obama se juntou aos chacais, e inverteu uma prática de quatro décadas seguida pelos EUA, assinando um documento de consenso que coloca o foco em Israel por possuir armas nucleares? – deslegitimando a última linha de defesa de Israel: a dissuasão.


O mundo está cansado desses incômodos judeus, 6 milhões – de novo, este número – espremidos junto ao Mediterrâneo, recusando todo convite ao suicídio nacional. Eles são implacavelmente demonizados, isolados e coagidos a não se defender, mesmo que os mais empenhados anti-sionistas – os iranianos em particular – estejam preparando abertamente uma solução final mais definitiva.


Charles Krauthammer é Colunista do The Washington Post

Charges valem mais que mil palavras




Geralmente se afirma que "os judeus controlam a mídia...".

Agora, parece que esse "controle" não tem funcionado muito bem, pois quase toda a mídia é desfavorável a Israel e a opinião pública se volta cada vez mais contra os judeus. As tentativas do governo e das entidades judaicas de explicar e justificar as ações israelenses praticamente se perdem diante da avalanche de notícias e artigos que condenam Israel.

Isso lembra a antiga anedota sobre um judeu que encontrou seu amigo lendo tranqüilamente um jornal anti-semita e lhe perguntou, assustado, qual era a razão. Ao que o outro lhe respondeu: "Quando eu lia os jornais israelenses, só havia notícias ruins: ataques terroristas, ameaças de guerrra, dificuldades econômicas, divergências políticas, pressões dos europeus e americanos, etc. Neste jornal, as notícias são muito melhores: os judeus são donos dos bancos, controlam a mídia, dominam o mundo...".





quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Gaza, a mentira da fome palestina

Gaza

Três andares de cem metros quadrados cada, horário ininterrupto 8:00 - 02h00 na sexta-feira incluída, 80 funcionários e preços "mais baixos do que em outras lojas", segundo seu diretor, Salahadin Abu Abdu, é o primeiro grande centro comercial que abriu em Gaza.
Desde a sua inauguração em julho passado os resultados estão sendo "espetaculares, graças a Deus", conta Salahadin explica o sucesso, porque "a maioria dos cidadãos querem conhecer essas áreas porque têm visto no Golfo ou nos filmes americanos, agora eu tenho a poucos metros de suas casas. "
Os horários de pico são meio dia e das oito horas da tarde, quando famílias inteiras estacionam o seu automóvel no parque de estacionamento subterrâneo privado, enchendo carrinhos de compras no supermercado no primeiro andar, bem abastecido, e comprar roupas, brinquedos, perfumes e calçados no segundo. Para terminar o dia em um restaurante fast food.
Não há fotos dos mártires, não há propaganda política, um grupo de empresários de Gaza queria fazer algo diferente de tudo , diz o jovem diretor deste centro, ele encheu o templo de "bens de consumo provenientes dos túneis em Rafah, como a maioria das coisas neste cidade ". Pequenas luzes de néon anunciam as melhores ofertas e uma grande televisão de plasma em um loop que emite um aviso ao centro. Pessoas subindo e descendo as escadas, que não são mecânicas, nos seus olhos percebem um misto de esperança, satisfação. Loai Abu Oued, pensa que ele está vivendo "um sonho que anteriormente só era visto nos Emirados Árabes Unidos, este era impensável em Gaza".
Não existe multiplex local, o hamas não deixa. A área ao redor do Shopping Strip é um enxame de carros de diferentes direções tentando, sem sucesso, acessar o estacionamento subterrâneo. Um trabalhador em uma escada faz reptipoaração de lâmpadas vermelhas

Muito diferente do que a mídia noticia. Em Gaza existem shoppings, carros de luxo e existia um parque aquático também, eles não precisam pagar água, Israel lhes dá de graça, então vamos gastar a vontade. Infelizmente para o povo os terroristas do hamas acharam que a felicidade estava demais e incendiaram o parque. Devem ter pensado: Essa gente muito feliz vão acabar esquecendo que precisam assassinar os judeus, isto aqui já estava parecendo Israel.

Alguns chamam Gaza de prisão a céu aberto ou um campo de concentração, tipo os que existiam na Polonia na 2a guerra mundial. Pode se ver que em matéria de mentiras é dificil bater os palestinos.




quinta-feira, 25 de junho de 2009

Os palestinos que renegam o terrorismo são traidores?

Assim, tenta-se resolver o conflito de forma unilateral. E ao passo que o governo israelense se propôs a retirar colonos judeus de alguns territórios ocupados em 1967, na Guerra dos Seis Dias, os grupos que governam a Palestina não retrocederam um milímetro em seus objetivos de destruir o Estado Judeu. Tampouco abandonaram o terrorismo como ação política, embora muitos acreditassem, presidente George W. Bush incluso - que com a ascensão ao poder político, o Hamas abandonaria as armas.

As notícias que chegam ao Brasil sobre o Oriente Médio se resumem em organizar um apanhado do que informam as agências de notícias sem aprofundar em temas mais espessos ou mesmo vinculando as notícias com o contexto histórico das quais elas correspondem. A impressão quando se lê o que se publica no Brasil sobre os conflitos na Faixa de Gaza por exemplo, é que bastaria Israel devolver os territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias que a paz reinaria absoluta na região. A mentalidade não poderia ser mais pueril.


Os problemas em relação à Palestina iniciaram ainda no mandato inglês, após a dissolução do Império Otomano no final da Primeira Guerra. Os judeus já imigravam para a Palestina com a idéia de estabelecer um estado. Esta imigração aumentou após a Declaração de Balfour, em 1917, que era um parecer favorável do governo inglês ao estabelecimento de um estado judaico na região. No entanto, também crescia um sentimento nacionalista entre os palestinos, mas diferente da coesão sionista, havia diversas correntes políticas com objetivos contraditórios.


Ainda assim, grande parte dos palestinos não viam os judeus como inimigos e passaram a vender terras e trabalhar juntos para o desenvolvimento de um estado. Por outro lado, outras correntes, lideradas por Mufti Haj Amin al-Husseini, viam os sionistas como intrusos e consideravam traidores os palestinos que vendiam suas terras ou estabeleciam negócios com os judeus. Al-Husseini acabou por declarar uma jihad contra mais da metade da população palestina. [1]


Anos se passaram entre agressões mútuas, mas ainda há hoje alguns poucos palestinos dispostos a viverem em paz ao lado dos israelenses [2]. Principalmente àqueles que sofrem com a tirania do Hamas, que, segundo o Human Rights Watch [3], desde que chegou ao poder, massacra seu próprio povo. Porém, a questão mais importante é que os grupos que governam a Palestina ainda pretendem a dissolução do Estado de Israel como pré-requisito para a instauração de um Estado Palestino. Para o Hamas e o Hezbollah, não existe a solução dos conflitos com dois estados, como pretende o plano do presidente B. Hussein Obama. Eles querem um estado único.


Assim, tenta-se resolver o conflito de forma unilateral. E ao passo que o governo israelense se propôs a retirar colonos judeus de alguns territórios ocupados em 1967, na Guerra dos Seis Dias, os grupos que governam a Palestina não retrocederam um milímetro em seus objetivos de destruir o Estado Judeu. Tampouco abandonaram o terrorismo como ação política, embora muitos acreditassem, presidente George W. Bush incluso - que com a ascensão ao poder político, o Hamas abandonaria as armas.


Mas há quem acredite, sobretudo aqui no Brasil, que o Hamas e o Hezbollah são movimentos políticos legítimos. Ignoram o fato de existir palestinos que não coadunam com o terrorismo e que, como àqueles que lutaram ao lado dos sionistas contra o extremismo de al-Husseini, são considerados traidores e sofrem perseguições.


Notas:


1 - Sobre os palestinos que historicamente contribuíram com o sionismo, leia o livro de Hillel Cohen, Army of Shadows. (http://www.amazon.com/Army-Shadows-Palestinian-Collaboration-19


2 - Are there conditions under which you could accept coexistence with Israeli Jews in peace and

3 - The Killing Goes On in Gaza - Human Rights Watch - http://www.hrw.org/en/news/2009/04/23/killing-goes-gaza

Midia sem Máscara

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Os palestinos não existem



Luis Dolhnikoff
confronta a alegação de que o Estado de Israel seria uma criação "artificial", afirma que o "povo palestino" não possui, na realidade, uma identidade cultural ou étnica que o diferencie no interior do mundo árabe como um todo, mas defende a solução de dois Estados independentes

"Só existem duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana", segundo Einstein. Parafraseando-o, creio que existem poucas coisas realmente universais, uma delas, a mentira. Não cabe aqui insistir nos infinitos motivos por que se mente. Grosso modo, trata-se de uma necessidade da sociabilidade. Não por acaso, há infinitos modos de mentir, e a vasta maioria é não somente inócua como necessária. O mesmo não vale, porém, para a mentira profissional, caso geral dos políticos, e para a mentira ideológica, caso particular do fascismo, como sintetizado por Goebbels: "Uma mentira muito repetida se torna uma verdade". Uma mentira muito repetida é uma mentira muito repetida. Pois não se trata de questão de quantidade, mas de qualidade: a verdade possui outra natureza.


A natureza da verdade, não obstante, é dupla. Há a verdade da intenção e a verdade do fato. A verdade da intenção é o mesmo que a sinceridade: está-se dizendo a verdade quando se diz o que se pensa, ainda que o que se pense não corresponda aos fatos. Neste caso, não se trata de mentira, mas de engano. A verdade do fato é aquela que corresponde à realidade. Pois ainda que a apreensão da realidade não seja jamais unívoca, neutra ou ideal, e ainda que, no limite, toda descrição de um fato seja uma interpretação de um fato, há interpretações que cabem na moldura de um fato e outras que não cabem. As que não cabem são uma forma de mentira.


O Estado de Israel comemora, em maio de 2008, os sessenta anos de sua fundação. A data, como a verdade, tem caráter duplo. Por um lado, o grande júbilo pela criação e pela sobrevivência de um pequeno e heróico Estado-nação surgido nas condições e circunstâncias geopolíticas mais difíceis, tendo por fundo histórico imediato a tragédia da Shoá e por fundo histórico mediato dois milênios de diáspora e de anti-semitismo. Por outro lado, o não-pequeno amargor de a fundação de Israel significar o nascimento da última grande mentira envolvendo a história judaica, tão cheia de grandes mentiras (como a dos Protocolos dos Sábios de Sião) quanto de grandes tragédias. Esta mentira é, ainda uma vez, dupla: afirma, de um lado, que Israel é um Estado artificial, e, de outro, que é o responsável pela miséria geopolítica dos árabes nas últimas décadas conhecidos como palestinos.


A dupla grande mentira sobre Israel é, porém, unívoca na sua condição de ser uma mentira de tipo fascista. Não importa que um de seus principais fiadores seja a esquerda internacional; não há aqui contradição incontornável, pois desde Stálin, pelo menos, sabemos que pode haver mais semelhanças entre o fascismo e a esquerda do que seria natural supor. Tampouco importa que o outro fiador dessa mentira sejam as lideranças políticas árabes e muçulmanas em geral, e as lideranças políticas palestinas em particular. Não é impossível nem inverossímil, sequer incomum, que muitos compartilhem uma mesma mentira (como os alemães durante o nazismo).


Não é difícil repetir os argumentos que demonstram ser falsa a afirmação da "artificialidade" de Israel. Primeiro, porque tal afirmação traz um "somente" implícito: só se justifica se somente Israel for "artificial". Caso contrário, seria uma afirmação ridícula por sua obviedade, como a de que a rosa é um vegetal. Se não há nada mais vegetal do que uma flor, não há nada mais artificial do que um Estado. Dito de outro modo, não existem Estados naturais. Estados são criações geopolíticas. Todas, portanto, igualmente "artificiais" (e todas diferentes; não há dois Estados com a mesma história; a criação de cada um dos quase duzentos Estados existentes hoje no mundo foi, portanto, particular, apesar de eventuais semelhanças em certos grupos geográficos ou de possíveis proximidades em alguns momentos históricos; se a criação de Israel foi particular, compartilha com todos os demais Estados esta condição paradoxal: ser comum em sua particularidade). Segundo, porque Israel é, na verdade, um dos Estados menos "artificiais", tendo o povo judeu uma das histórias mais antigas e melhor documentadas. Por fim, a criação de Israel é obra da comunidade internacional por meio da ONU. Ou seja, traz a marca de nascença inquestionável da legalidade e da democracia, pois fruto de uma votação, a da Assembléia Geral.


O argumento da "artificialidade" se apóia, grosso modo, no fato de a maioria da população do novo país advir de um fluxo migratório, fruto, por sua vez, de um movimento político, o sionismo. O sionismo, porém, é tão legítimo, como movimento nacionalista surgido no século 19, quanto qualquer outro dos inúmeros movimentos nacionalistas surgidos no século 19, um dos momentos mais intensos da história dos nacionalismos; o sionismo tem, portanto, toda a legitimidade de seu momento histórico. O fluxo migratório judaico não é menos legítimo. Em primeiro lugar, porque a Palestina era, à época, não um Estado, mas colônia de um império (esta sim artificial; o território da então Palestina britânica fora definido pelo colonialismo inglês a partir do rearranjo de ex-colônias do Império Otomano, que dominara a região nos últimos séculos antes da 1ª Guerra). Em segundo lugar, porque havia um importante núcleo judaico original na região - que correspondia ao antigo Reino de Israel. Em terceiro lugar, pelas tão antigas quanto profundas ligações da cultura e da história judaicas com o território. Em quarto lugar, porque a migração judaica não foi afinal determinada predominantemente pelo sionismo, mas pelo nazismo, ao desalojar milhões de judeus europeus e ao negar aos sobreviventes qualquer esperança de viver em segurança na Europa. Em quinto lugar, porque o momento histórico da criação de Israel foi marcado por vários grandes fluxos migratórios mundiais - sendo o maior o que envolveu milhões de indianos muçulmanos para o território do nascente Paquistão (plenamente artificial, no sentido de ser fruto de um programa político de um partido - aliás, religioso).


A segunda parte da grande mentira de tipo fascista que envolve Israel é ser ele o responsável pela miséria geopolítica dos árabes hoje conhecidos como palestinos. Pois como no caso do "somente" implícito na primeira parte, há aqui implícito um "único": Israel seria o único - ou o grande - responsável por sua miséria. Mais uma vez, duplamente; por sua própria criação, gerando o primeiro importante fluxo migratório árabe, e pela ocupação dos territórios da Cisjordânia e de Gaza em 1967. É preciso, portanto, dizer e redizer que, se existe um grande responsável pela miséria geopolítica dos árabes da ex-colônia britânica, este responsável são suas próprias lideranças. Pois foram elas os únicos autores de dois erros históricos catastróficos e determinantes (de que israelenses e palestinos seriam as vítimas); um, recusar - ao contrário de Israel - a partilha da ONU de 1947, cuja aceitação teria resultado na criação do Estado palestino já em 1948; dois, adotar como objetivo estratégico no período subseqüente, entre 1947 e 1967, a destruição de Israel, em lugar da criação de seu Estado nas áreas então sob domínio árabe - ou seja, Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Gaza. Fato este que está na origem da Guerra dos Seis Dias e da subseqüente ocupação dos territórios (em parte já desocupados, como no caso de Gaza).


Mentiras de tipo fascista também são conhecidas como verdades de tipo orwelliano, como nos slogans do livro 1984: "Guerra é paz". Trata-se, na realidade, de um subtipo da mentira fascista, caracterizado não pelo mero falseamento deliberado dos fatos, mas por sua completa inversão. Golda Meir afirmou, certa vez, que não existia um povo palestino. É até hoje vilipendiada por parte importante da esquerda como se estivesse decretando a inexistência de um povo visando preparar objetivos inconfessáveis. A verdade é o contrário disso, pois a mentira está na afirmação da existência histórica de um povo palestino. O que Golda Meir estava, em suma, dizendo, era simplesmente isto: não existia, historicamente, um povo palestino - mas existia um povo judeu.


Não há uma língua palestina. Não há uma literatura palestina. Não há heróis históricos palestinos (ao menos não antes de Arafat e de seu antecessor, o Mufti de Jerusalém, aliado entusiasmado de Hitler). Não há uma histórica geopolítica palestina. Não há uma cultura palestina. Não há, em suma, uma História palestina. E não há porque, historicamente, não existe aquele que seria o sujeito dessa história, o povo palestino. Cuja emergência data dos anos 1960. E cuja inexistência explica, em grande parte, os erros de 1947-1948.


Os que afirmam a existência do povo palestino pretendendo, com isto, que este tenha uma existência robusta, ou seja, baseada numa história profunda e/ou numa caracterização étnica, são obrigados a afirmar, por coerência, que existe um povo coreano-do-norte e um povo taiwanês, assim como teria existido, até recentemente, um povo alemão-oriental e um povo vietnamita-do-norte. Mas nada disto é verdade. Em nenhuma das múltiplas definições de povo a população do Vietnã do Norte poderia ser enquadrada, assim como não o pode a população da Coréia do Norte. No máximo, existe um povo vietnamita e um povo coreano; aquele dividido em dois Estados até recentemente (como os alemães), este ainda hoje dividido. O chamado "povo palestino" é, na verdade, apenas uma parte do povo árabe, não tendo, em relação aos demais árabes da região, qualquer distinção significativa, seja lingüís­tica, histórica, cultural ou geopolítica. Neste último aspecto, toda a região fora, por vários séculos, parte fragmentada do Império Otomano, até ser re-subdividida, de modo igualmente arbitrário, pelo Império Britânico e pela França. Não obstante, o nascimento dos novos países da região, num longo processo de descolonização que duraria até os anos 1960, não corresponde, de modo algum, à emergência de Estados que seriam, afinal, a tradução geopolítica de entidades étnico-lingüísticas. Pois jamais existiu um povo jordaniano, um povo kuwaitiano, um povo iraquiano, um povo saudita. Este último, aliás, deriva seu nome de certo Ibn Saud, que passou a governar parte da Península Árabe no início do século 20 com apoio britânico, no contexto da disputa da Inglaterra com os turcos. De modo semelhante, o Iraque jamais foi qualquer unidade geopolítica até o Foreign Office traçá-lo num mapa, nos anos 1920. Afirmar a existência de um povo iraquiano, ao menos no sentido em que existe um povo chinês (na verdade, povo han), um povo aborígine australiano ou um povo curdo é, no limite, mentira. O chamado "povo" iraquiano é apenas o subconjunto do povo árabe que se viu historicamente confinado numa unidade geopolítica arti­ficial (esta, sim) chamada Iraque. Assim como o "povo" jordaniano, o "povo" sírio, o "povo" libanês (os últimos criados pela França), e o "povo" palestino - criado pela mudança estratégica das lideranças árabes da região nos anos 1960.


Até então, o termo palestino era, na verdade, rejeitado pela maioria dos árabes, e com razão: não passa de uma invenção do colonialismo inglês, ao criar, em 1920, uma província e lhe dar o nome de Palestina, retirado da antiga história da região, assim conhecida no tempo do Império Romano (e apenas então, e apenas pelos romanos). Nos anos 1940, 50 e 60, a idéia geopolítica dominante no mundo árabe era o pan-arabismo, segundo o qual existe uma unidade étnico-lingüística árabe, artificialmente subdivida, primeiro, pelo Império Otomano, em seguida pelo colonialismo europeu. Assim, o território da agora ex-Palestina britânica, dividido, entre 1948 e 1967, entre Israel, Egito (Gaza) e Jordânia (Jerusalém Oriental e Cisjordânia), deveria integrar, no futuro, uma grande unidade geopolítica árabe que englobaria o Líbano, a Síria e a Jordânia - para começar. Foi a derrota árabe - e não palestina - na Guerra dos Seis Dias, em 1967, que afinal impôs uma mudança estratégica nas lideranças árabes locais, fazendo-as, por fim, adotar decididamente o que fora até então uma entre outras opções (e não a predominante). Em suma, se Israel não seria destruído, pela incapacidade militar árabe consignada nas consecutivas derrotas, e se o pan-arabismo morrera pela consolidação dos aparatos político-burocráticos de poder em cada uma das ex-unidades coloniais agora transformadas em Estados, só restava um modo de reverter ao menos em parte a derrota histórica que fora, para os árabes da região, a vitória da causa israelense: a saída política nacionalista. Para isto, era preciso que existisse um agente político relevante a embasá-la, isto é, a justificar a reivindicação tardia de uma parte da antiga Palestina britânica. Ou seja, o "povo" palestino.


Grosso modo, há dois tipos de Estado-nação na sua relação com unidades étnico-lingüísticas: ou esta unidade preexiste, e cria seu Estado, ou um Estado é criado e, com o tempo, determina o surgimento de uma unidade lingüística. Os países das Américas são o paradigma do Estado anterior ao povo; assim, o povo brasileiro só existe porque existe o Estado brasileiro, como os povos argentino e norte-americano. Dito de outro modo, se não existisse o Estado brasileiro, não existiria nenhum povo brasileiro - não porque ficaria então oculto, mas porque não existiria de fato, isto é, não teria sido criado. Já o povo curdo existe a despeito de não existir um Estado curdo - que, se e quando existir, será fruto da existência prévia do povo curdo. O povo palestino é fruto de um movimento político (assim como o povo brasileiro é, portanto, fruto de uma entidade geopolítica criada pelo Império Português). A criação recente do povo palestino não é, porém, mais artificial do que a de outros povos. Mesmo porque os povos, como os Estados, não são fatos da natureza.


Como em relação à terra, partilhar a verdade é dividi-la. Ao contrário, porém, da terra, a verdade, quando dividida, fica maior. O caminho para a paz no Oriente Médio passa pela divisão da terra, mas também pelo compartilhar da verdade. E a verdade é que, por caminhos inteiramente distintos, tanto o atual Estado de Israel quanto um futuro Estado palestino são igualmente legítimos. Portanto, o reconhecimento do direito à existência de um Estado palestino não pode e não poderá nunca se dar à custa de qualquer questionamento da legitimidade do Estado de Israel. Questionamento jamais realmente abandonado pelo movimento palestino, que dele obtém, não sua força, mas sua trágica fraqueza.


Luis Dolhnikoff é escritor e ensaísta

Revista 18

Refugiados palestinos - Outra Mentira

O "direito de retorno" dos refugiados palestinos – a "grande mentira"

Os Palestinos fazem exigências descabidas - e todo o mundo os apóia sem conhecer as verdadeiras circunstâncias que levaram ao conflito.

Uma das mais surpreendentes tendências recentes é o apoio dado por muitos cidadãos europeus e americanos ao "direito de retorno" dos refugiados palestinos para Israel. O que é surpreendente nessa proposta, expressa pelas numerosas cartas e comentários publicados ultimamente pelos jornais, é a tentativa de dar aos palestinos um "direito" que jamais foi desfrutado por algum outro grupo de refugiados no decorrer da história.


A maioria das pessoas que escreve a respeito não tem consciência disso, mas trata-se apenas de uma das muitas táticas para que a "grande mentira" se perpetue – ou seja, qualquer mentira, por mais absurda que pareça, acabará sendo crida, se for repetida muitas vezes. Certamente seria difícil encontrar outras alegações que podem ser tão facilmente rebatidas como a idéia de que refugiados têm tido o "direito de retornar" para seu território original.


A história do século XX é uma grande lição sobre a falsidade dessa reivindação. Vejamos alguns exemplos:


– Milhões de muçulmanos fugiram da Índia para o Paquistão após os sangrentos conflitos de 1947. A Índia não apenas os privou da cidadania, como também os proibiu, através de sua Constituição, de voltarem para lá. Em momento algum alegou-se que aqueles muçulmanos tinham "direito de retorno".


– Após a II Guerra Mundial, a Checoslováquia expulsou de seu território todos os alemães que lá residiam. Mas ninguém sugeriu que os milhões de alemães que viviam na região dos Sudetos tinham o "direito de retorno". Em 1997, a Alemanha assinou um tratado concordando que a expulsão não seria revogada.


– Quando os comunistas assumiram o poder no Vietnã, milhões de pessoas fugiram em barcos e a maioria acabou sendo levada para os EUA. Ninguém insinuou que eles tinham "direito de retorno".


– Nos cinco primeiros anos após seu restabelecimento em 1948, Israel recebeu cerca de 500.000 refugiados judeus – cerca de 50% eram sobreviventes do Holocausto e o restante vinha dos países árabes.


– Um número similar de pessoas chegou nos três anos seguintes. Como resultado, a nova população do Estado de Israel já havia dobrado em 1953 e triplicado em 1956. Mesmo assim, ninguém jamais sugeriu que esses refugiados tivessem um "direito de retorno" para os seus países de origem.


Na verdade, nenhum desses refugiados chegou a receber alguma compensação financeira – outro "direito inalienável" exigido pelos palestinos. Existem muitos outros exemplos semelhantes. Por que, então, os refugiados palestinos teriam esse direito garantido inquestionavelmente, algo que qualquer outro grupo de refugiados jamais recebeu?


A melhor explicação consiste de uma circunstância que também é peculiar aos palestinos. Diferentemente do que aconteceu no caso da maior parte dos outros refugiados, os países para onde os palestinos fugiram recusaram-se a acolhê-los, preferindo que ficassem em campos de refugiados, para assim encorajar o sentimento antiisraelense.


Os muçulmanos que fugiram para a Índia tornaram-se cidadãos do Paquistão. Os alemães dos Sudetos foram totalmente absorvidos pela Alemanha. Os vietnamitas que fugiram nos barcos são agora cidadãos produtivos dos Estados Unidos. Os refugiados judeus que vieram dos países árabes estão integrados em Israel.


Mas os palestinos, cuja fuga é de responsabilidade direta dos árabes, devido à sua decisão de declarar guerra a Israel ao invés de aceitar a divisão proposta pelas Nações Unidas, continuam nos campos de refugiados depois de 52 anos.


A Jordânia chegou a conceder cidadania aos refugiados palestinos que recebeu, mas não fez esforço algum para retirá-los dos campos. Por isso os campos de refugiados ainda estavam cheios quando Israel conquistou a Margem Ocidental do Jordão em 1967, depois de 19 anos de domínio jordaniano.


Ainda assim, aqueles que fugiram para os territórios controlados pela Jordânia tiveram sorte, pois os que foram para o Líbano, por exemplo, além de não receberem a cidadania, também foram privados dos direitos civis mais básicos, como a proibição de exercerem mais de 70 profissões.


Ironicamente, o único país que tentou melhorar a situação dos refugiados [palestinos] foi Israel. Em Gaza, por exemplo, 36.000 refugiados foram removidos para alojamentos melhores em 1973, antes que a pressão internacional e as ameaças da OLP contra os refugiados interrompessem esse processo.


O elemento mais impressionante nessa história de negligência é o papel dos próprios palestinos. A maioria dos refugiados esteve sob o governo palestino autônomo nos últimos anos – mesmo que a Autoridade Palestina (AP) não tenha gasto nenhum centavo dos milhões de dólares de ajuda internacional recebidos para melhorar as condições de vida deles. Aparentemente a AP também prefere deixar o seu povo sofrer para fazer propaganda de sua causa.


É impossível não ter pena dos refugiados que, graças à insensibilidade de seus companheiros árabes, têm vivido na miséria nos últimos 50 anos. Mas isso não dá a eles o "direito de retorno", algo que não foi concedido a nenhum outro grupo de refugiados na história.


A única solução justa para o problema é que o mundo árabe, particularmente o futuro Estado Palestino, os absorva – assim como Israel tem feito com todos os refugiados judeus do mundo desde 1948. (The Jerusalem Post).


Que história impressionante! Seria de se esperar que os meios de comunicação investigassem com profundidade a verdadeira situação dos refugiados palestinos e a divulgassem para todo o mundo. Trata-se de uma situação incomum, que realmente nunca aconteceu antes, mas a mídia continua silenciosa a respeito, repetindo simplesmente a frase da OLP: "direito de retorno".


Mas há algo mais envolvido além de uma disputa entre judeus e árabes. Trata-se de um conflito global: o mundo é contra os judeus.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Palestinos querem deixar o Brasil

BRASÍLIA - Palestinos refugiados no Brasil querem deixar o País. Eles alegam que não têm assistência do governo, nem do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Para chamar a atenção sobre sua situação, um grupo de refugiados realizou nesta sexta-feira manifestação no gramado em frente ao Ministério das Relações Exteriores.


De acordo com o advogado dos palestinos e coordenador nacional do Movimento Democracia Direta, Acilino Ribeiro, 20 palestinos querem deixar o Brasil por falta de condições de morar no País. “Eles querem ir para a Europa, porque a maioria das famílias deles está lá. Eles têm irmãos, pais tios, primos. Qualquer país da Europa é tranquilo para eles”, disse Ribeiro.


Agência Brasil
Palestinos protestam em frente ao Itamaraty
De acordo com o advogado, o Acnur não está dando o apoio necessário aos palestinos. Além disso, muito deles não podem voltar para os países de onde vierem porque correm risco de morrer ou de de voltar para campos de refugiados, afirmou.

Segundo Ribeiro, houve problemas de adaptação provocados pelo Acnur. "O primeiro foi não dar [aos refugiados], por exemplo, no mínimo seis meses de [adaptação à] cultura local, alfabetização, aulas, para que eles conhecessem o português. Depois, eles começaram a sentir dificuldade porque foram assentados distante de outras comunidades palestinas”, explicou.


Acilino Ribeiro informou que os palestinos vieram para o Brasil em 2007 e que alguns já têm filhos brasileiros. O advogado disse que espera do governo brasileiro, principalmente dos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, que ao tomar conhecimento da situação dos palestinos, negocie a ida deles para a Europa.


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terça-feira, 12 de maio de 2009

Palestina por um palestino




Reportagem de uma jornalista portuguesa. Mostra a rivalidade entre os palestinos moderados da Fatah e os radicais do Hamas. Se eles não se entendem como podem querer se entender com Israel.

Repressão, interrogatórios, espancamentos, tiros. É o que contam do Hamas os militantes que não são do Hamas. Histórias de um território degradado pela ocupação israelita e pela guerra. Jihad, socialista filho de socialista, tem um apelo: “Pedimos à comunidade internacional que nos ajude a sair deste dilema.”


Reportagem

Alexandra Lucas Coelho, em Gaza

Gaza tem uma cor nos céus: verde-Hamas. Nos candeeiros, nos postes, nas casas, essa é a bandeira, ao longo das estradas e no meio da cidade. De vez em quando avista-se também a bandeira multicolor palestiniana, e é tudo.

E é um sinal do que está a acontecer desde que o Hamas tomou o poder, há um ano e meio.
Os militantes de outros partidos contam histórias de repressão violenta. A Fatah de Arafat, que nem há cinco anos tinha a sua bandeira amarela por toda a parte em Gaza, parece ter-se eclipsado. Entrou numa clandestinidade de muitos milhares.

É o caso de Mohammed.

Para chegar a ele é preciso ir com homens da sua confiança através de um labirinto de ruelas, em Jabaliya, no Norte de Gaza.

Jabaliya é um nome mítico para os palestinianos, porque foi aqui que rebentou a Primeira Intifada, em 1987. Dezenas de milhares de pessoas divididas entre Jabaliya-cidade, menos pobre, e Jabaliya-campo-de-refugiados.

Na Jabaliya pobre há um improvisado Café Internet que pertence a Mahmud, 22 anos, um convicto partidário da Fatah. Mahmud conhece a família de Mohammed e oferece-se para levar lá o P2, enquanto não há electricidade. “Tenho que fechar o café sempre que não há electricidade.” O que tem sido a maior parte do tempo, desde a guerra.

“O Hamas diz que é democrático, mas usou força e tortura contra os palestinianos”, vai dizendo Mahmud pelo caminho, entre solavancos de cimento e terra batida. “Um dos meus amigos perdeu as pernas. Alvejaram-no e ele teve de ser amputado, porque era da Fatah, e trabalhava nas forças da segurança presidencial.”

O Hamas ganhou democraticamente as eleições legislativas palestinianas em Janeiro de 2006 – não só em Gaza, em todos os territórios. Formou um governo de unidade nacional, mas a tensão com a Fatah e com a comunidade internacional nunca se resolveu. A própria Fatah estava corroída por tensões entre as facções internas, que se responsabilizavam mutuamente pela humilhação da derrota. Diplomatas e políticos estrangeiros não falavam com o Hamas, listado como organização terrorista. Gaza começou a ficar violenta, com raptos e assassinatos, que o Hamas – mas também a generalidade da população – atribuía a Mohammed Dahlan, o poderoso responsável pelo aparelho de segurança da Fatah. Até que em Junho de 2007 o Hamas tomou o poder em Gaza, depois de confrontos que fizeram mais de 100 mortos. Sem terem um estado, os palestinianos passaram a ter dois governos, um em Ramallah, nomeado pelo presidente Mahmoud Abbas e chefiado por Salam Fayyad, e outro em Gaza, chefiado por Ismail Hanyieh, do Hamas.

“Aqui não há liberdade, não é uma democracia”, continua Mahmud. Que pensa ele dos “rockets” que o Hamas lançou para Israel? “São inúteis.”

Durante a Segunda Intifada, a partir de 2000, Jabaliya era também um forte bastião das Brigadas Al Aqsa, ligadas à Fatah. Em 2002, o Público viu neste campo de refugiados militantes da Fatah equipados com armas, granadas, cintos de explosivos e bombas caseiras. Tudo isso parece desaparecido. “Toda a gente que tinha uma arma teve que a entregar ao Hamas”, diz Mahmud. “Os militantes que eram das brigadas Al Aqsa são vigiados.” E, ruela a ruela, não se vê um único homem armado, o que antes era uma visão comum.

“Eu fui interrogado duas vezes pelo Hamas”, conta Mahmud. “E fui espancado. Bateram-me com paus na estação de polícia de Jabaliya. Era o dia do aniversário da morte de Yasser Arafat e eu estava a vir da manifestação em sua memória quando me prenderam. Só nos queriam humilhar.”
O carro dobra agora uma esquina com um mural em que foi pintada a cara de um rapaz muito jovem. “Ele foi morto na mesma altura em que me prenderam.”

E, de repente, desembocando numa espécie de terreiro entre prédios, uma bandeira amarela da Fatah. Agora é preciso ir a pé, porque os caminhos são estreitos. Areia e pedras. Placas de zinco a proteger os casebres. Aqui é onde Jabaliya é mais pobre.

A vingança
Dois irmãos, ambos estudantes, guiam Mahmud e o P2 até à casa de Mohammed. Cá fora, crianças descalças, lá dentro uma sala cheia de homens sentados, um poster das Brigadas Al Aqsa, um autocolante do presidente Abbas na porta.

A porta fecha-se e volta a abrir-se para deixar entrar um homem numa cadeira de rodas. Eis Mohammed, que não quer o apelido no jornal. É magro, esquálido, de barba negra. Os pés pendem como bocados soltos. “Levei 15 tiros, um na mão, um no peito e 13 nas pernas.” Aconteceu durante os confrontos quando o Hamas tomou o poder? “Não, há seis meses.” Mais exactamente, em Julho de 2008, depois de vários membros do Hamas terem morrido numa explosão que o Hamas atribuiu a sabotagem da Fatah.

“Eu trabalhava para os serviços de informação da Autoridade Palestiniana, não estava nos grupos armados. Era uma sexta-feira e tinha ido rezar à mesquita. Quando voltava, a pé, vi um carro com quatro homens de cara coberta e sinais das Brigadas Al Qassam.” A ala armada do Hamas. “Vieram em direcção a mim, saíram, apontaram-me a arma e disseram-me para entrar no carro.” As ruas estavam desertas, conta Mohammed. “Agarraram-me, vendaram-me e levaram-me para dentro do carro. Bateram-me com o cabo da arma.”

De que o acusavam? “De organizar reuniões ilegais da Fatah, e de ter contactos com Ramallah. Quando chegámos a uma zona ao pé da praia, tiraram-me à força do carro e um deles começou a disparar para as minhas pernas.”

Arregaça as calças para mostrar as pernas reduzidas a pele e osso, cobertas por cicatrizes e manchas. “Deixaram-me a sangrar, e não se foram embora, para ter a certeza de que eu não tinha assistência. Isto durou uns 15 minutos. Depois foram embora. Eu tinha o meu telemóvel, telefonei para uma ambulância. Foi um milagre ser salvo, precisei de tanto sangue. Estive em coma dois meses no Hospital Al Shifa.” O maior de Gaza. “E fui transferido para Israel.”

Ouve-se um bebé aos gritos noutro quarto.

Mohammed acha que o que lhe aconteceu foi uma vingança. “Eles queriam castigar alguém pela explosão que matara gente deles.” Mas além disso acha que Gaza vive em repressão. “Isto é uma ditadura. Não nos podemos mexer, somos acusados de ser traidores por Israel.”

Os “rockets” lançados contra Israel antes e durante a guerra “são uma estratégia do Hamas para não perder a cara”. “É só para os media, para dizerem que existem. Muitos caíram em cima de palestinianos.” E fora do Hamas ninguém tem armas, assegura. “Toda a gente com uma arma pode ser alvejada.”

Que fazer agora? “Tem que ser formado um governo de unidade nacional.” Unidade? Está Mohammed disposto a perdoar ao Hamas? “Perdoaria, a troco de esperança, para outros viverem.”

Bandeira vermelha
Bem para sul, em Khan Yunis, há um conjunto de casas onde de repente se avista, não uma, mas duas bandeiras vermelhas.

É a cor da PFLP (Frente Popular para a Libertação da Palestina), um movimento marxista fundado por George Habash em Dezembro de 1967, seis meses depois de Israel ter ocupado a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental.

Nascido numa família cristã ortodoxa, Habash – que morreu exactamente há um ano, na Jordânia – foi durante décadas um rival de Yasser Arafat.

Era no tempo em que grande parte da militância palestiniana contra a ocupação israelita era laica e socialista.

O Hamas, então, representava uma minoria.

Hoje, a causa palestiniana não avançou, regrediu territorialmente, e os sinais de devoção islâmica generalizaram-se. É raro ver uma mulher adulta em Gaza com a cabeça descoberta.

Mas nesta rua dos arredores de Khan Yunis uma família mantém-se orgulhosamente laica e socialista, a família de Abu Jihad Shain.

Abu Jihad quer dizar “pai de Jihad”. Depois de serem pais, muitas vezes os palestinianos passam a ser conhecidos como pais do seu filho mais velho. E o filho mais velho de Abu Jihad é este rapaz sorridente chamado Jihad, que aparece com um amigo mal ouve o carro.

Vão logo buscar cadeiras de plástico, e café, com bule e chávenas – a hospitalidade tradicional, no meio da rua, num bairro que ainda na véspera foi bombardeado, depois da morte de um soldado israelita.

Jihad estuda administração na Universidade Al Azhar de Gaza, a rival da Universidade Islâmica, ligada ao Hamas. “Somos uma família socialista, que luta por um estado socialista e contra o isolamento e a segregação”, começa ele. “A PFLP ensinou-nos a estarmos ao lado do nosso povo nas noites mais escuras.”

Que relações têm com o Hamas? “Poucas. O Hamas é unilateral em Gaza, não partilha as decisões. É uma forma de ditadura. Não há liberdade para darmos a nossa opinião, não podemos levantar a voz.”

E isto não se aplica apenas aos militantes de outros partidos, diz Jihad. “Há um estado de medo na comunidade, de receio de falar, porque se é considerado ateu.”

Ser cristão, por exemplo, não é visto de forma estranha, e há uma tradição de comunidades cristãs em Gaza, que têm escolas onde filhos de muçulmanos estudam. Mas ser ateu pode ser mais incompreensível.

Jihad não se define como ateu. “Acredito em Deus, toda a gente aqui acredita em Deus, mas não sou religioso.”

Há dias, Louis Michel, responsável da União Europeia pela ajuda humanitária, insistiu em chamar terrorista ao Hamas, durante a visita que fez a Gaza.

Com isto, Jihad não concorda. “O Hamas não é terrorista porque todas as acções que faz têm a ver com os palestinianos. E uma prova de que não é terrorista é que você está aqui a fazer o seu trabalho.” O problema do Hamas, diz é a repressão das outras facções.

Exemplos? “Em Novembro fomos a funeral de um combatente da PFLP. As brigadas Al Qassam [do Hamas] cercaram-nos e queriam prender gente. Não conseguiram porque a multidão nos rodeou e protegeu.”

Gaza está pior desde que o Hamas tomou o poder?

Amar, o amigo, que também pertence à PFLP e tem estado a ouvir em silêncio, responde antes: “Claro que está pior. Antes os palestinianos não lutavam entre si.” Quem criou a divisão? “O Hamas e a Fatah, ambos. E o que aconteceu levou a muitas mortes, prisões, tortura, de um lado e do outro.” Como se sente Amar? “Sem liberdade. Não posso exprimir a minha opinião. Sou conhecido aqui por falar e vigiam-me. Até as minhas chamadas são ouvidas.”

Jihad tem um apelo a fazer: “Pedimos à comunidade internacional que nos ajude a sair deste dilema. Que organizem uma conferência, que façam um governo de unidade, e que depois haja eleições.”

A culpa da guerra, diz, é de Israel mas também do Hamas. “E é por isso que apelo. Sentimo-nos miseráveis. Centenas de pessoas foram mortas, muitas casas ficarem destruídas, e não vejo que se tenha conseguido alguma coisa com esta guerra.”

(publicado a 30 de Janeiro, na edição impressa do Público)

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