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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Casamento Judaico

Veja Julie Andrews cantando em yiddish.


Ataque aos Túneis



Aviões israelenses atacaram nesta sexta-feira dois túneis que conectam o sul da Faixa de Gaza com o território egípcio. Segundo um porta-voz do Exército de Israel, os ataques tiveram como alvo duas passagens subterrâneas que serviam para o contrabando de armas em direção a Gaza.

A ofensiva aérea ocorre depois de um foguete do tipo Qassam ter sido disparado nesta manhã da Faixa de Gaza contra um kibutz da comunidade regional de Eshkol, sem causar vítimas. Outro foguete similar foi lançado na quinta-feira a partir do território palestino e caiu em solo israelense sem causar danos.

Por enquanto nenhum grupo palestino assumiu a autoria dos ataques com foguetes. Não se sabe se o ataque israelense provocou danos pessoais.

Israel e as facções armadas palestinas, lideradas pelo movimento islamita Hamas — que controla de fato a Faixa de Gaza desde junho de 2007 —, mantêm um cessar-fogo temporário há mais de três meses, rompido de forma pontual por ambas as partes.

EFE

Parece que eles não estão querendo realmente um estado. Os bandidos do Oriente Médio não desistem da sua luta para destruir Israel. Continuam atacando. Quando Israel pega no porrete e da uma lição, os politicamente corretos da midia, defensores de terroristas e bandidos começam a chorar, dizendo que o estado judaico é incorreto. Incorretos são estes bandos de imbecis que defendem essa gente.

Comer em São Paulo

Alvaro Lopes

Alvaro Lopes

Alvaro Lopes: contribuição de sete décadas para a boa mesa paulistana

Parece incrível que ele tenha 83 anos, tamanha sua energia. Alvaro Lopes, nascido na Maternidade São Paulo, chega às 8 da manhã na Casa Santa Luzia, da qual é sócio, dirigindo o próprio carro. Sempre de gravata e às vezes de colete, não pára de ziguezaguear por toda a loja. Responsável pela qualidade do atendimento, ele orienta quase 400 funcionários e recebe a clientela desse templo gourmet, fundado em 1926 por seu pai, o português Daniel Lopes. "Participo do corpo-a-corpo", gosta de dizer. "A presença do dono faz a diferença." Sua experiência no negócio começou cedo. Ainda menino, era o encarregado de lavar o piso do empório fino, localizado originalmente na Rua Augusta. Na época, cursava o antigo ginasial do Colégio Rio Branco e tinha como colega de turma Antônio Ermírio de Moraes. Queria ingressar em química no Mackenzie. O pai, porém, pediu que ele interrompesse os estudos para se dedicar à loja. Nunca mais fez outra coisa.

Entre as muitas mudanças que ajudou a implementar no Santa Luzia – ao lado de seus sócios e primos portugueses Jorge e Antonio Lopes – está o auto-atendimento, ainda nos anos 60, quando a casa ganhou feições de supermercado. "Antes, os produtos ficavam atrás do balcão, entregávamos aos clientes e anotávamos tudo em cadernetas", conta. Hoje, vende 17 000 itens, todos com cadastro informatizado. Cerca de 50% deles são importados. Há jóias culinárias como o vinagre balsâmico Leonardi 30 anos (R$ 307,00, frasco de 65 gramas) e o queijo da Serra da Estrela Casa dos Queijos (R$ 354,00 o quilo). Nestas sete décadas de trabalho, seu Alvaro, como é conhecido, foi percebendo o aumento significativo do número de ingredientes na despensa do paulistano, que aprimorou o paladar. Quando não dá expediente, ele gosta de viajar e passa temporadas fora do país, a última delas em Miami. Divorciado, vai a alguns desses passeios com a namorada, vinte anos mais nova. Invariavelmente, visita supermercados e empórios gastronômicos. Volta com a cabeça cheia de planos que ainda pretende colocar em prática no Santa Luzia.

Por sua duradoura contribuição à boa mesa paulistana, o empresário Alvaro Lopes é o escolhido de Veja São Paulo como a Personalidade Gastronômica do ano.

O melhor cachorro-quente

Lanchonete da Cidade

Bidu

Bidu (R$ 13,50): salsicha grelhada, queijo de cabra, milho e molho chili

Aberta em 2004 nos Jardins, a Lanchonete da Cidade teve seu sucesso expandido neste ano para mais duas unidades, uma em Moema e outra no novo e luxuoso Shopping Cidade Jardim. Os três endereços contam com o mesmo atendimento simpático, alto-astral e decoração retrô. No cardápio, entre hambúrgueres, sanduíches diversos e pratos rápidos, encontram-se seis variedades de cachorro-quente dignas de atenção. E são elas que concedem à casa o prêmio do júri da categoria pelo segundo ano consecutivo. Que capricho. O hot-dog apresenta salsichas exclusivas, desenvolvidas sob encomenda pelo frigorífico Berna. Elas passam pela grelha antes de rechear o pão tradicional ou a baguetinha crocante. Basicão, o totó (R$ 10,50) ganha molho suave de tomate fresco. Duas versões mais inventivas foram criadas no primeiro semestre de 2008. Uma delas, chamada bidu, combina ao embutido queijo de cabra, milho e chili. Custa R$ 13,50, mesmo preço do rin tin tin, que vem com purê de batata, molho de raiz-forte e saladinha de beterraba e maçã. Para acompanhar, peça uma porção da perfumada batata rústica, frita com casca no alecrim e no alho (R$ 11,00), e frapê de sorvete Rochinha sabor coco (R$ 15,00). O bem tirado chope (Brahma, R$ 4,50) é da mesma família do campeão Original.

Alameda Tietê, 110, Jardim Paulista, 3086-3399. 12h/1h (sex. e sáb. até 3h). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Cr.: todos (seg. a sex. até 17h). Estac. c/manobr. (R$ 6,00 seg. a sex. até 17h; R$ 12,00 nos demais horários). Entrega em domicílio ; Shopping Cidade Jardim, 3552-9000. 12h/23h (dom. 12h/22h). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Estac. (R$ 5,00 por duas horas); Avenida Macuco, 355, Moema, 3569-8252. 12h/1h (sex. e sáb. até 2h). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Cr.: todos (seg. a sex. até 17h). Estac. c/manobr. (grátis até 16h; R$ 12,00 nos demais horários). Entrega em domicílio. www.lanchonetedacidade.com.br.

O melhor café expresso

Boutique Bar Nespresso

Café de luxo

Café de luxo: diferentes blends em cápsulas importadas da Suíça

Em funcionamento desde dezembro de 2006, a casa pertencente à multinacional Nestlé é agraciada pelo júri com seu segundo prêmio na categoria. Moderna e classuda, mais parece uma butique. Ali, baristas tarimbados trabalham com um sistema exclusivo de tirar a bebida. O pó fica acondicionado numa pequena cápsula de alumínio, importada da Suíça e fechada a vácuo para preservar o aroma. Encaixada em máquinas próprias – que estão à venda a preços que vão de R$ 850,00 a R$ 1.780,00 – , deixa escorrer pela torneira uma única e cremosa dose. A cor da cápsula indica os diferentes blends, misturas feitas a partir de vários grãos e técnicas de torra. Há doze opções de expresso, do mais suave ao mais encorpado, passando pelo descafeinado. Saboroso, não se trata de um café barato. Sai por R$ 4,50 (R$ 5,50 na versão longa). Nos fins de semana, ele pode ser provado em um café-da-manhã com pães, sanduíches e frutas a R$ 34,00 por pessoa.

Rua Padre João Manuel, 1164, Jardim Paulista, 3061-6505. 10h/20h (sáb. e dom. a partir das 9h). Café-da-manhã, 9h/12h (sáb. e dom.). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Estac. c/manobr. www.nespresso.com.

O melhor chocolate

Chocolat du Jour

Felicite

Felicite: bombom esculpido tal qual uma obra de arte

Nos últimos dois anos, uma dezena de novas chocolaterias finas se espalhou pela cidade. Embora o mercado ferva e se intensifiquem as ofertas, o endereço de Claudia Landmann continua triunfando repetidamente. Tanto que, pela oitava vez seguida, é eleita a melhor da categoria. Quem já provou as jóias de cacau da marca sabe da legitimidade dessa consagração. Desde 1987, quando deu início às atividades com a abertura da loja do Itaim, a mestre chocolatière dedica o mesmo zelo à fabricação artesanal de seus produtos. Nenhuma das misturas, à base de matéria-prima belga e brasileira, leva conservantes. As trufas expostas nas vitrines são feitas, como diz o nome da grife, no próprio dia. Há dez sabores, entre eles mel, maracujá, branco e amargo. Cada unidade sai por R$ 4,50. Os bombons, esculpidos tal qual uma obra de arte, chamam atenção. Parece uma pequena embalagem de presente o Felicite, recheado de nougat e crocante. Ele vem na lata chamada First Class ao lado de outras 31 unidades variadas (R$ 132,00). Sucesso de vendas, o Choco Pop traz pipocas cobertas por chocolate ao leite (R$ 69,50, lata de 330 gramas). Em junho, a marca abriu uma quarta loja, no Shopping Cidade Jardim.

Rua Haddock Lobo, 1672, Jardim Paulista, 3062-3857. 10h/20h (sáb. até 18h; fecha dom.). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Manobr. Entrega em domicílio; Rua Professor Atílio Innocenti, 32, Itaim Bibi, 3168-2720. 9h30/18h30 (sáb. 9h/13h; fecha dom.). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Estac. Entrega em domicílio. Mais dois endereços. www.chocolatdujour.com.br.

A melhor doceria

Pâtisserie Mara Mello

Macaron com geléia de lichia, creme de mascarpone e framboesa fresca

Macaron com geléia de lichia, creme de mascarpone e framboesa fresca: R$ 12,00

Faz só um ano que a confeiteira Mara Mello reinaugurou no Jardim Paulistano a doceria batizada com seu nome e que funcionou até 2003 na Vila Nova Conceição. Pequeno (tem apenas 40 metros quadrados), o novo espaço é decorado com cadeiras clássicas e mesas espelhadas. Nas paredes, muitos e muitos quadros de doces que dão água na boca. Mas não tanto quanto os da vitrine, é verdade, cheia de chamativos petits-fours, tarteletes, madeleines e outras tentações à francesa. Todos apresentam visual tão delicado e primoroso – alguns levam ouro em pó – que dá pena mordê-los. Mas como resistir a um sanduíche de macaron recheado de geléia de lichia, creme de mascarpone, essência de rosa e framboesa fresca (R$ 12,00)? Ou a um carré de pistache com frutas vermelhas (R$ 9,50)? A meia-lua de musse de chocolate ao leite ganha um refrescante toque de creme de limão (R$ 7,50). Parece simplesinho, mas o minibolo de fubá (R$ 1,30) tem massa cozida na panela antes de ir ao forno. Para acompanhar, vá de café Nespresso (R$ 4,20) ou peça um vinho de sobremesa, como o Banyuls 2002 M. Chapoutier (R$ 16,00 a taça).

Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1308, Jardim Paulistano, 3081-5229 e 3062-2028. 10h/19h (sáb. 10h30/17h30; fecha dom.). Cc.: D, M e V. Cd.: M, R e V. Estac. c/manobr. Entrega em domicílio. www.maramello.com.br.

O melhor hambúrguer

Hamburgueria Nacional

Superburguer

Superburguer (R$ 20,00): um bifão de 350 gramas

Restaurateur do ano, o empresário Roberto Bielawski é um dos sócios da rede Ráscal e dessa charmosa lanchonete, na qual tem por parceiro o chef Jun Sakamoto. Os sanduíches, aqui, ganham um pouco do esmero e do zelo que o famoso sushiman dispensa à culinária japonesa. Com pouquíssima gordura, o hambúrguer resulta de uma mistura secreta de vários cortes de carne. Chega ao ponto certo depois de assado na salamandra – e não na chapa, como faz a concorrência. Acomode-se numa das mesas do bonito salão, com muita madeira aparente e vista para a cozinha envidraçada, e descubra por que a casa leva pela primeira vez o prêmio de Veja São Paulo. Para tanto, peça o superburguer (R$ 20,00), estrela do cardápio, ou sua variação coberta por uma fina crosta de pimenta-do-reino. Acompanhamentos como maionese de raiz-forte (R$ 2,00) e shiitake refogado (R$ 3,50), cobrados à parte, dão um toque especial ao bifão de 350 gramas. Boa contribuição de Sakamoto, o albacora (R$ 22,50) combina medalhão de atum fresco levemente grelhado, folhas de rúcula e molho agridoce teriyaki no pão de hambúrguer. Para acompanhar, uma porção de cebola empanada em massa de tempura (R$ 17,00) e um milk-shake de Ovomaltine (R$ 17,00), feito com sorvete artesanal à base de creme de leite.

Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, 822, Itaim Bibi, 3073-0428. 12h/0h (sex. e sáb. até 2h). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Cr.: todos. T.: T e V. Estac. c/manobr. (R$ 10,00). www.hamburguerianacional.com.br.

O melhor kebab

Kebab Salonu

Cordeiro com alface roxa, cebola, tomate e coalhada

Cordeiro com alface roxa, cebola, tomate e coalhada: tudo enrolado em pão fininho e macio

Sanduíches enrolados em pão fininho, os kebabs se popularizaram na Turquia, na Grécia e no mundo árabe antes de ganhar as ruas da Europa. Aqui viraram febre mais recentemente, de dois anos para cá, com a abertura de várias kebaberias bacanas que se tornaram point de gente jovem e descolada. Na primeira premiação da categoria, o Kebab Salonu abocanha o título. A caprichosa casa, cujo nome em português significa Salão do Kebab, foi aberta em maio de 2007 na Rua Augusta, nas proximidades do Espaço Unibanco de Cinema. Pertence a Rodrigo Libbos, de 31 anos, que aprendeu as receitas com a mãe, de ascendência turca, antes de se formar em gastronomia no Senac. Ao som de música ambiente típica e acomodados num salão de arcos e azulejos azuis decorados, os clientes escolhem entre dezesseis variações da especialidade. Os recheios fartos vêm envoltos pelo lavosh, pão macio originário da Armênia feito ali mesmo, na hora. Uma sugestão é o kebab de cordeiro com coalhada, alface, tomate e cebola (R$ 23,00). O indiano compõe-se de frango grelhado ao curry, cebola, chutney de banana, alface e coalhada seca (R$ 19,00). Por mais R$ 3,50, pode-se saboreá-los abertos no prato, com garfo e faca. Para acompanhar, o frozen lassi (R$ 7,90) é uma bebida azedinha à base de iogurte batido mais polpa de amora, manga, maracujá ou pitanga. Finalize a refeição no clima, pedindo um café turco – aquele com o pó no fundo da xícara e um agradável sabor de cardamomo (R$ 4,70).

Rua Augusta, 1416, Consolação, 3283-0890, Metrô Consolação. 12h/0h (sex. e sáb. até 1h30; fecha seg.). Cc.: todos. Cd.: M, R e V. Cr.: todos (ter. a sex.). Estac. na Rua Antônio Carlos, 277 (R$ 9,00 por duas horas). www.kebabsalonu.com.br.

Gosta de Café?

A inauguração de mais duas lojas da grife Nespresso, marcada para terça, confirma o crescimento do mercado de cafés gourmet em São Paulo

Por Helena Galante


Fernando Moraes
O início do sucesso: a butique da Rua Padre João Manuel foi a primeira da América Latina


Consultora de gastronomia, a argentina Claudia Gonzalez mora em São Paulo há pouco mais de um ano. Antes de se mudar para cá, providenciou uma máquina de café da Nespresso, igual à de sua casa em Buenos Aires. "Se pudesse, teria uma terceira para instalar no bagageiro dos aviões, quando viajo", conta.

A paixão pelos expressos da marca suíça Nestlé ganhou força na cidade com a chegada da charmosa Boutique Bar Nespresso, em dezembro de 2006. Agora, é revigorada pela abertura de mais duas lojas, no Shopping Iguatemi e na Rua Oscar Freire, prometida para terça (5). Ao contrário da matriz, as duas casas não terão serviço de bar e cozinha. As unidades dos shoppings Cidade Jardim e Pátio Higienópolis também não têm.


No Iguatemi e na Oscar Freire serão vendidas as máquinas, que custam entre 850 e 1 850 reais e funcionam com o sistema de cápsulas de alumínio. O pó fica acondicionado dentro delas para que seu aroma seja preservado. A caixinha com dez unidades sai entre 19 e 25 reais. Para tirar o expresso, basta escolher um dos dezesseis blends e apertar um botão. "Nosso negócio é o café perfeito na xícara, sempre", diz o argentino Martín Rozas, diretor da marca no Brasil.

Entre 2007 e 2008, o faturamento total da Nespresso aumentou mais de 300%. Para este ano, a expectativa é expandir cerca de 380%. "O crescimento do mercado de vinhos foi uma onda comparado com o tsunami atual dos cafés especiais", afirma Rozas.

Fernando Moraes
A consultora de gastronomia Claudia Gonzalez: uma máquina aqui e outra em Buenos Aires

Exagero? Tal otimismo é confirmado pelo diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café e do Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo, Nathan Herszkowicz. "Em 2000, nenhuma marca brasileira alcançava a pontuação mínima da nossa certificação gourmet", relata.

"Hoje, estima-se que 25% dos 320 rótulos disponíveis no mercado sejam de alta qualidade." Na prática, isso significa que cerca de 650 000 sacas produzidas ao ano dão origem a cafés de aroma marcante, baixa acidez e doçura natural. Só no Suplicy Cafés Especiais, 500 quilos de café são vendidos por mês para consumo doméstico e em escritórios. "Desde 2003, temos crescido em média 30% ao ano", conta o proprietário Marco Suplicy.

Pioneira no segmento gourmet, a italiana Illycaf-fè abriu sua primeira cafeteria na cidade no ano passado e começou a comercializar em fevereiro uma nova versão de sua máquina doméstica. "O desafio foi educar o paladar do público", diz Lauro Bastos, diretor da grife no país. "

Quando chegamos, em 1995, o café era cortesia do estabelecimento e só." Isso é passado, do tempo do coador de pano e da garrafa térmica (argh!). Hoje praticamente todo restaurante cobra pelo café. E não cobra pouco. No Fasano, por exemplo, o expresso Illy é vendido a 7 reais; no Vecchio Torino, a xícara do Lavazza custa 6,90; e, no Dalva e Dito, um Nespresso sai por 5 reais. Virou de fato um requinte de gourmet.


Valsa com Bashir - Não Perca

Valsa Com Bashir, de Ari Folman (Vals Im Bashir, Israel/Alemanha/França/EUA, 2008).

Trata-se de um dos projetos mais originais dos últimos anos, recompensado com o Globo de Ouro e indicado ao Oscar 2009 de melhor filme estrangeiro. Escolado especialista no cinema-verdade, o israelense Ari Folman faz aqui um documentário em animação. Isso mesmo! Como forma de exorcizar seu passado, Folman rememora a invasão do exército israelense no Líbano em 1982 e o massacre ocorrido nos campos de refugiados palestinos Sabra e Chatila, na parte oeste de Beirute. Folman foi atrás de ex-combatentes para resgatar a memória -- sete dos nove depoimentos são feitos pelos próprios soldados. Para ilustrar as entrevistas e revisitar o horror da guerra, o diretor contou com formidável técnica de animação feita de cores fortes e traços expressionistas (90min). 16 anos.



Walcir Carrasco - A Geladeira


Por Walcyr Carrasco


O maior sonho de minha mãe era ter uma geladeira. Morávamos em uma casinha de três cômodos atrás de seu bazar, com poucos móveis e, de eletrodoméstico, somente um rádio que meu próprio pai montara. Nossa situação não era muito diferente da da maioria dos vizinhos, em Marília, no interior de São Paulo, onde eu vivia. Somente a família do médico, na casa ao lado da nossa, possuía o que considerávamos uma mansão. E ostentava na cozinha uma enorme geladeira.

Quando brincava com seu filho, eu tomava com admiração e temor um copo d’água gelada. Ou limonada com cubos de gelo flutuantes. Termos uma geladeira parecia um desejo inatingível. Pode soar como exagero. Eu mesmo me estranho quando falo da minha infância. Passei dos 50 anos. Mas, diante das facilidades tecnológicas atuais, às vezes me sinto como vindo de um passado secular. Geladeiras tornaram-se banais. Quando menino, não era tão fácil comprá-las.

Meu pai era ferroviário. Próximo a um dia das mães, resolveu comprar a geladeira. Eu o acompanhei à principal loja da cidade. Ele escolheu o modelo mais simples, em formato de caixa retangular, com uma tampa que se abria por cima. Abriu um crediário, a ser quitado em dez prestações. A entrega foi de surpresa. Feliz como uma menina, mamãe abria e fechava a tampa, sem acreditar. No jantar, eu, meu irmão Airton, papai e mamãe pudemos tomar a nossa própria água gelada. Foi uma alegria inesquecível. Maior do que a que senti mais tarde em festas requintadas. A memória ainda me traz um eco de nossas risadas.

Havia um problema: não tínhamos o que colocar dentro da geladeira. Refrigerante, comprávamos apenas em aniversários ou se tinha parente em casa. Carne e peixe eram adquiridos no dia, quando era o caso. De fruta só havia um cacho de bananas. Mamãe o pôs lá dentro. Durante o resto da noite, de quando em quando abríamos a geladeira para sentir o frio, ver as forminhas de gelo e as bananas. No dia seguinte, a mulher do médico explicou:

– Bananas não se guardam em geladeira.

Decepcionada, mamãe as retirou. Banana era sua fruta preferida! Botou uma sobrinha de arroz e ovos. De repente, a geladeira parecia um luxo inútil! Pedi:

– Faz sorvete?!

Em seus livros de culinária, mamãe capturou uma receita simples. Era uma espécie de mingau, colocado em forminhas, com consistência de gelo. Mas era feito em casa! Sempre aconselhada pela mulher do médico, mamãe aprendeu a deixar alguns alimentos preparados para a semana. Quando o movimento do bazar diminuía, ela me botava no balcão e esquentava o almoço. Gabava-se para meu pai:

– Foi o presente mais útil que você me deu!

Ele sorria orgulhoso.

A geladeira ficou conosco muitos anos. (Naquela época, os eletrodomésticos eram feitos para durar.) Foi trocada por um modelo de porta vertical, quando tivemos uma melhoria financeira.

Ao voltar à minha cidade, depois de quarenta anos, fiquei surpreso. A casinha onde morava tinha sido derrubada, junto com a do vizinho de cima. Cedera lugar a um restaurante popular. A residência do médico está longe da mansão de minhas lembranças. É ocupada por um chaveiro. A estrada de ferro não funciona mais e os trilhos cobriram-se de grama. Mais que tudo: minha forma de ver as coisas mudou. Eu me tornei um ser humano mais complexo e sinto que poderia ter o coração mais aberto. Tanta coisa perdeu o encantamento! Senti vontade de recuperar as pequenas grandes emoções. Como a provocada pela simples geladeira que um dia fez brilhar os olhos da minha mãe.

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