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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Terroristas na América do Sul

Chamamos a atenção para o momento atual, que nos leva aos problemas que se observam mundo afora e a ligação que possam ter no seu conjunto. Em Buenos Aires um grupo ligado à esquerda, e aos movimentos islâmicos, a Frente de Ação Revolucionária - FAR, atacou uma manifestação judaica pelos 61 anos do restabelecimento de Israel, e houve, inclusive, tentativa de atingir sinagogas.


Buscas policiais na séde do grupo encontraram armas e fotos de Hugo Chávez. Aqui, no Brasil um grupo nazista, depois de cometer assassinato de um casal em Curitiba, levantou o fio da meada da existência articulada de nazistas em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, que também pretendiam atacar sinagogas. Em Nova Iorque, foi descoberto um grupo de criminosos, convertidos ao islamismo quando se encontravam na prisão, que planejavam atacar aviões, judeus e sinagogas. Em Caracas, já haviam atacado sinagogas e propriedades judaicas, já as chamando de patrimônio islâmico. Ahmadinejad não veio ao Brasil por não poder calar a mídia que condenava suas posições e pela cobertura dada aos protestos da juventude judaica e de vários outros grupos, judaicos e não judaicos, que são contra a discriminação e defendem os direitos humanos, todos contra a presença de Ahmadinejad no Brasil.


Enquanto Israel comemora os 42 anos da reunificação de Jerusalém, a Autoridade Palestina lançou uma campanha de mentiras sobre Jerusalém, negando qualquer conexão do judaísmo com a ‘Cidade Santa’, que é apresentada como muçulmana, contra todos os fatos históricos, campanha para demonizar Israel, e fazer o país, e Jerusalém, como apenas de origem islâmica, há mais de 3000 anos, quando o islamismo tem somente 1400 anos. Essa campanha, utilizando todos os meios de comunicação, incluindo a TV, acabará gerando um ódio religioso da população palestina e que levará a mais terror contra Israel. E é campanha de Mahmoud Abbas, dito moderado, não devendo ser creditada ao Hamas.


As diferenças entre o novo governo americano e o novo governo de Israel afloraram no encontro do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Natanyahu, com o Presidente americano, Barak Obama, apesar da convergência de propósitos, e sentiu-se que a política americana estaria disposta a sacrificar Israel para salvar sua situação no Iraque e no Afeganistão-Paquistão. A política de dois Estados para dois povos, foi simplificada para dois Estados somente. A política do fim do terror para depois implantar dois Estados para dois povos, foi simplificada em dois Estados já. Depois de criado um Estado, poderá o mesmo fazer alianças com outros Estados contra Israel, como Irã, e aí como fica Israel?


As autoridades americanas exigem a retirada dos assentamentos judeus existentes na chamada Margem Ocidental, o que seria uma limpeza étnica. Por que judeus não poderiam permanecer num Estado Palestino se o quiserem? Nesse caso, objeta Liberman, o Ministro do Exterior israelense, deveria haver reciprocidade – retirada dos árabes de Israel. Existem precedentes, como em Chipre e vários outros casos onde ocorreram permuta de populações. E a política americana de apaziguamento do Irã, aguardando até o fim do ano, quando o Irã já terá armas nucleares, visto que já tem mísseis que alcançam Israel e a Europa, significa perigo para Israel, pois o Irã não faz segredo desejar varrer Israel do mapa.


Tudo isso exige uma vigilância permanente e demonstração vibrante, como a dos jovens, aqui no Brasil, que afastaram a vinda de Ahmadinejad, para afastar o perigo e derrotar o antissemitismo. O que ocorreu aqui mostra que Sim, nós podemos!


Herman Glanz

Morre o pai do Viagra

Robert Furchgott: inestimável contribuição para a ciência



Robert Furchgott, um dos principais cientistas norte-americanos cujo trabalho ajudou no desenvolvimento da droga contra a impotência Viagra morreu em Seattle aos 92 anos de idade. Ele recebeu um prêmio Nobel em 1998 por sua pesquisa no campo da fisiologia.

O estudo se concentrava em gases, em especial o óxido nítrico que descobriu ser um importante regulador do sistema cardiovascular.

Furchgott concluiu que o gás alarga os vasos sanguíneos do corpo, ajuda a pressão e o fluxo do sangue.

A pesquisa forneceu a base teórica para a criação do medicamento Viagra.

Nascido na carolina do Sul, o cientista mostrou desde cedo um interesse por pássaros e conchas.

Formado em química, ele fez um doutorado em bioquímica. Antes de se mudar para a Califórnia nos anos 50, lecionou em Washington. (Do site G1)


MEU COMENTÁRIO: A contribuição dos norte-americanos para o desenvolvimento da ciência é extraordinária em todas as áreas.

Apesar deste fato, os esquerdistas continuam babando o seu antiamericanismo. Muitos têm a coragem de exultar a medicina cubana e chinesa, cuja contribuição para a qualidade de vida dos seres humanos é zero!

Ave, americanos!

E o meu mais profundo desprezo em relação a esse bando de comunistas idiotas, ladravazes e assassinos.

AQUI A AUTOBIOGRAFIA DE ROBERT FURCHGOTT (em inglês)


Aluisio Amorim

sábado, 23 de maio de 2009

Mainardi - Defendo a derrubada dos barracos

"Eu defendo a medida de demolir barracos. Sou o Émile Zola dos tratores. Este é o meu ‘J’Accuse’ em prol da Caterpillar"


O barraco de Rubina Ali, na última semana, foi demolido por um trator. Isso aconteceu em Mumbai, Índia. Rubina Ali é uma das protagonistas de Quem Quer Ser um Milionário?. Tem 9 anos. A BBC mostrou imagens dela no meio dos escombros. Ela perguntou:


– Onde posso dormir hoje à noite?


Na semana anterior, o barraco de outro protagonista de Quem Quer Ser um Milionário?, Azharuddin Mohammed Ismail, de 10 anos, já fora demolido por um trator. A BBC mostrou imagens dele no meio dos escombros. Ele disse ter sentido medo e perguntou:


– Onde está minha galinha?


A imprensa internacional, nesses dois episódios, recriminou a prefeitura de Mumbai, os administradores da estrada de ferro, os policiais encarregados de desocupar os terrenos e os realizadores de Quem Quer Ser um Milionário?. Ninguém apoiou seus argumentos. Ninguém defendeu a medida de demolir os barracos.


Se é assim, eu apoio seus argumentos. Eu defendo a medida de demolir barracos. Sou o Émile Zola dos tratores. Este é o meu "J’Accuse" em prol da Caterpillar. No embate de ideias, cada um tem o Dreyfus que merece.


A prefeitura de Mumbai planeja erguer um jardim público na área tomada pelo barraco de Azharuddin Mohammed Ismail, que é constantemente inundada por esgoto, em particular a partir de junho, durante a temporada de tempestades. Os administradores da estrada de ferro decidiram desobstruir o terreno adjacente aos trilhos, demolindo barracos como o de Rubina Ali, construídos perigosamente à sua margem.


Os policiais encarregados de desocupar o barraco de Rubina Ali deram uma surra em seu pai, que recentemente foi acusado de tentar capitalizar o grande sucesso cinematográfico da filha vendendo-a a um estrangeiro, por 200 000 libras ester-linas.


Os pais de Azharuddin Mohammed Ismail e Rubina Ali declararam que Quem Quer Ser um Milionário? rendeu-lhes, respectivamente, 1 700 e 500 libras, mas os realizadores do filme anunciaram que a cifra é bem maior, e que só poderá ser sacada quando seus intérpretes completarem 18 anos.


Sobre o jardim prometido pela prefeitura de Mumbai: creio que ele nunca sairá do papel. Sobre a estrada de ferro: ela logo será retomada pelos barracos. Sobre os policiais: eles batem também em inocentes. Sobre os realizadores de Quem Quer Ser um Milionário?: o dinheiro é deles, e eles podem gastá-lo como bem entenderem.


Mesmo assim, entre uma sociedade que aceita demolir barracos, como a indiana, e uma sociedade que se recusa a demolir barracos, como a brasileira, a que aceita demolir barracos necessariamente acabará predominando. Cedo ou tarde, Rubina Ali terá onde dormir. Cedo ou tarde, Azharuddin Mohammed Ismail terá outra galinha.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Homenagem a Eli Cohen

Desde a criação do Estado de Israel até nossos dias, a Síria foi um dos maiores, senão o maior, inimigo de Israel. De 1948 a 1967 a Síria estava em ótima situação para expressar a sua antipatia e desejar colocar um fim no estado judeu. De posse do Golan, a Síria fez com que durante 19 anos, povoados judaicos situados ao norte se sentissem constantemente ameaçados pelas forças sírias, pois eram alvos de freqüentes ataques.

Desde 1992 o Golan foi o centro das discussões nas conversações de paz devido ao seu significado histórico e estratégico, além de sua beleza selvagem. Quando conquistado em 1967, quase no fim da guerra dos seis dias, os colonos no norte puderam finalmente descansar das constantes ameaças. O crédito da conquista do Golan deve-se em grande parte a Eli Cohen, um notável espião de Israel.


A importância do Golan não se deve somente ao seu significado militar. Abastece também, 30% das fontes de água de Israel. Em 1960 Israel desenvolveu um aqueduto que desviaria água do Kineret, situado ao Norte de Israel e que passaria a irrigar o país, especialmente o árido sul de Israel.


Israel tentou obter a cooperação dos vizinhos árabes, mas estes não concordaram. Os árabes decidiram desviar as nascentes do Rio Jordão, no Golan, com a intenção de privar Israel da água tão necessária para seu crescimento nacional. A Síria contratou engenheiros e equipamentos especializados para esta finalidade. O Ministério da Defesa de Israel precisava urgentemente de alguém que conseguisse os dados sobre o projeto do desvio das águas, obtendo diagramas, mapas e informações detalhadas. Eli Cohen era o homem certo para este trabalho.


Eli Cohen nasceu em Alexandria, Egito, no dia 26 de dezembro de 1928. Em 1949 os seus pais, judeus sírios da cidade de Alepo e três irmãos, mudaram-se para o norte de Israel. Eli permaneceu no Egito afim de coordenar atividades sionistas. No dia 8 de fevereiro de 1957 Eli chegou a Israel.


Aos 29 anos quis ingressar no serviço secreto de Israel mas foi reprovado duas vezes. A agência concluiu que Cohen tinha um alto QI, grande coragem, memória fenomenal e a habilidade para manter segredos, mas os testes também mostraram que tinha uma auto avaliação exagerada e muita tensão interna, concluindo que Cohen não media corretamente os perigos e estava, portanto, sujeito a assumir riscos alem dos necessários.


Dia 31 de agosto de 1959, Eli casou com Nadia Majald, judia de origem iraquiana. Entretanto, o serviço secreto de Israel resolvera analisá-lo novamente. Afinal, Eli nascera num pais árabe, possuía feições orientais e conhecimento nas áreas de inglês, francês e árabe.


Certo dia, em 1960, o serviço secreto convocou Eli. Da primeira vez recusou a oferta mas um mês após, tendo perdido o seu emprego, aceitou prontamente. O treinamento foi longo e exaustivo. Foram-lhe ensinadas técnicas de manipulação de armas de pequeno porte, topografia, criação de mapas, sabotagens e especialmente a transmissão por rádio e criptografia. Em resumo, a maioria dos itens essenciais para a segurança e sobrevivência de um tal de Kamal Amin Ta’abet, a nova identidade de Eli Cohen.


Uma das tarefas mais complicadas para Eli Cohen foi desenvolver a fonética árabe com o inconfundível sotaque sírio. O serviço secreto criou uma identidade completamente nova. Kamal Amin Ta’abet nascera em Beirute, Líbano. O nome do pai , Amin Ta’abet e Sa’adia Ibrahim o da sua mãe. Em 1948 a família mudou-se para a Argentina onde abrira um próspero negócio têxtil, de acordo com a sua imaginária biografia. Kamel Amin Ta’abet (Eli Cohen) retornaria à Síria para a realização de um sonho patriótico.


Em 1961, Chaim Herzog, chefe da inteligência militar e mais recente presidente de Israel, assinou o documento autorizando Cohen na sua missão de espionagem. No dia do embarque, no aeroporto, sua esposa Nadia entendeu que ele estaria trabalhando para o Ministério da Defesa, mas não exatamente em que área. Disseram-lhe que estaria em completa segurança.

Foi enviado primeiramente para Buenos Aires, a fim de estabelecer sua cobertura como imigrante sírio. Em pouco tempo já estava entrosado na vida social e cultural da comunidade síria de Buenos Aires e era conhecido como um próspero e generoso homem de negócios. Era muito querido e respeitado, estabelecendo contatos com os políticos, diplomatas e funcionários do exército que trabalhavam na embaixada Síria.


Através dos contatos de Kamal, nutridos por festas periódicas, ocasiões sociais e amizades, foi convidado para visitar Damasco a fim de montar uma empresa. Foi-lhe prometido incondicional apoio. As generosas somas de dinheiro vivo que parecia possuir atraíram o governo sírio.

Nove meses depois, em 1961, Eli voltou para Israel, afim de visitar sua esposa, mas gastou a maior parte do tempo em Tel-Aviv, aperfeiçoando sua cobertura e colhendo os últimos dados necessários para sua missão. É desnecessário dizer que o seu sucesso na Síria ultrapassou todas as expectativas.


Cohen chegou a Damasco em fevereiro de 1962 como um grande comerciante vindo da Argentina e retornando a sua pátria. Cultivava contatos com as autoridades promovendo festas em sua casa aonde compareciam diversos ministros, homens de negócio e outros, que usavam seu apartamento para conversar livremente sobre seu trabalho e planos do exército. Eli escutava tudo e todos cuidadosamente.


Fazia empréstimos para oficiais e agia como perfeito anfitrião. Pediam-lhe conselhos e com o passar do tempo ganhou a confiança dos mais altos escalões do poder. Tornou-se um confidente de George Saif, um dos mais importantes ministros da informação. Cohen desfrutou de informações que ajudariam sobremaneira Israel no futuro.


Certa vez, Cohen estava no escritório de Saif, lendo um documento secreto enquanto um sírio se encontrava ao telefone. Um dos diretores do ministério entrou na sala sem ser anunciado e perguntou furiosamente para Saif:

– Como você permite que um estranho leia um documento secreto ?

Saif calmamente responde :

– Não há nada com que se preocupar. Ele é um amigo altamente confiável..

Em 1963 Eli consolidou sua posição na alta sociedade Síria. Entretanto transmitia importantes informações às autoridades israelenses através de um transmissor de rádio escondido em seu quarto.

Periodicamente voltava a Israel para falar com as autoridades e visitar sua esposa e seus filhos pequenos. Voltou para Israel três vezes de 1962 a 1965.


Cohen começou a trabalhar no projeto sírio, já citado, que desviaria a água da nascente do Rio Jordão para longe de Israel, estabelecendo contatos com dois altos oficiais do exército: o coronel Hatoum e o coronel Dali. Estes estavam perfeitamente informados sobre o esquema. Em 1964, Eli conseguiu informar Tel-Aviv de que o canal estava sendo cavado por onde passava o fluxo do Rio de Baniyas. Passou cuidadosamente todos os detalhes do projeto para o serviço secreto israelense. Em 1964, devido a essa informação, a força aérea de Israel pode acabar com o esquema sírio, bombardeando todo o equipamento em uso.

Eli foi levado para conhecer o Golan, ponto extremamente estratégico para os sírios. Kamal Amin Ta’abet (Eli Cohen) visitou todas as posições. Passou novamente informações para Israel: a localização das torres de artilharia, o lugar onde eram guardadas as armas, fortificações do Golan, armadilhas de tanques projetadas para impedir qualquer ataque israelense, etc.

Um dos aspectos mais famosos de Eli foi durante uma viagem ao Golan. Foram-lhe mostradas as fortificações construídas pelo exército sírio. Eli sugeriu que fossem plantados eucaliptos a fim de camuflar estas fortificações. O oficial sírio concordou e Eli passou imediatamente as informações para Israel. Baseado nas plantações de eucaliptos, Israel sabia exatamente onde estavam localizadas. Mas mudanças estavam ocorrendo no governo sírio. O chefe da inteligência, Coronel Ahmed Su’edani não confiava em ninguém. Eli amedrontou-se e desejou terminar sua tarefa na Síria ao visitar pela ultima vez Israel. Mas o serviço secreto pediu-lhe que continuasse por mais algum tempo.


Eli regressou à Síria, mas seu comportamento mudou. Ficou menos cuidadoso nas suas transmissões, repetindo-as quase sempre no mesmo horário: às 8:30 da manhã. As transmissões eram longas.

Os sírios e os conselheiros russos estavam alarmados ao perceber que estavam vazando informações para fora do país. Os peritos em segurança, russos altamente treinados, equipados com sofisticados equipamentos, detectaram a fonte das transmissões. Provinham da casa de Eli.

Certo dia de janeiro de 1965, a inteligência Síria arrombou a casa de Eli durante uma transmissão. A figura principal era a cabeça da inteligência Síria, Coronel Ahmed Su’edani. Eli foi pego em flagrante. Nada podia ser feito. Mesmo torturado, não deu nenhuma informação incriminando Israel.

Lideres mundiais, o governo de Israel, o Papa e muitos outros intervieram a seu favor. Foi tudo em vão. Foi enforcado em 18 de maio de 1965. Enviou sua última carta para a esposa, antes de sua morte. A execução, em praça pública, foi transmitida para toda a Síria.


Eli Cohen passou uma quantidade incrível de dados para o serviço secreto de Israel, durante um período de três anos. Em 1967, Israel pode conquistar o Golan em dois dias, graças aos dados coletados.

Pode se dizer que Eli é conhecido como o maior espião de Israel.

O rabino chefe da comunidade judaica de Damasco, o Rav Nissim Andabo Cohen, recitou com Eli a prece de Ziduk Hadin. Após o kadish pela alma de seu pai Shaul, pediu ao rabino Nissim que ligasse para sua família e dissesse que havia completado sua missão até o final e que se mantivera fiel ao seu povo e à sua terra até o último momento. Como última vontade pediu para escrever uma carta de despedida para sua esposa e filhos. A carta que escreveu antes de sua morte

Com mãos trêmulas, antes de seu enforcamento, Eli Cohen escreveu:

Nadia minha querida, minha querida família

Escrevo estas últimas palavras, com a esperança de que continuem sempre unidos. Peço que me perdoes. Pensa em ti e espero que dês uma boa cultura a nossos filhos… Virá o dia em que meus filhos terão orgulho de seu pai.

“Nadia minha querida, você deve casar-se novamente, para que nossos filhos tenham um pai. Neste assunto você tem liberdade total. Peço que não se enlute pelo que aconteceu, mas, sim, olhe para o futuro.

Te mando meus últimos beijos

Rezem pela elevação de minha alma

Eli ”

O dia a dia em Israel

Meu amigo turista brasileiro não se cansou de elogiar Israel, mas alguma coisa empanou a sua visita: o israelense. Por que, perguntou-me ele, o israelense está sempre com cara de bravo e ninguém saúda ninguém no elevador? Pensei com meus botões: o israelense é assim mesmo, e contei ao meu amigo a seguinte historia:


Outro dia sai com meu carro da garagem de minha casa, numa lenta marcha a ré. Brequei, fechei o portão com o controle remoto, o carro andou mais um pouco para trás e, quando mudei de marcha, para a minha surpresa, o carro, que é automático, continuou em marcha a ré e acabei parando do outro lado da rua, a qual fechei pela metade, em diagonal.


A rua onde eu moro não é das mais movimentadas, mas em alguns instantes formaram-se duas filas de automóveis, que começaram a buzinar desesperadamente, e eu nada podia fazer. A muito custo os motorista acabaram se entendendo e os carros começaram a se mover, num pandemônio de ruídos e gritos atirados contra minha pessoa.


Mesmo não havendo palavras de baixo calão, os distintos motoristas encontraram o devido vocabulário em hebraico para ferir a minha dignidade. Alguns até apontaram o dedo médio para cima, e algumas senhoras motoristas me cravaram olhares mortíferos –se olhar matasse, eu teria morrido várias vezes.


Havia decorrido apenas alguns segundos desde o início do “incidente”. De imediato, desliguei o motor, abri as portas do carro, abri o porta-malas, montei o triângulo vermelho indicativo da minha situação de penúria. Ajudou um pouco. Apenas um caminhoneiro parou um instante para perguntar se eu precisava de ajuda. Foi o único.


Dizem que Israel é o único lugar do mundo onde o som viaja mais rápido do que a luz! Se você está na primeira fila de um semáforo, mal o sinal muda e quem está atrás já buzina irritado. Dá até vontade de não sair do lugar para deixar o tipo ainda mais nervoso. Por que o israelense é assim? O cidadão, quando acorda de manhã, via de regra a primeira coisa que faz é ligar o rádio para escutar o bip bip bip, que indica o início do noticiário. Os locutores israelenses são sempre muito dramáticos, mesmo quando anunciam o resultado de futebol.


Mas as notícias nunca são boas. É outro foguete que caiu na cidade do Norte ou do Sul, é o tal ministro que está complicado com a Justiça, ou são notícias sobre os terroristas, os soldados raptados, as negociações intermináveis com os palestinos, ou sobre aquele famoso partido charedi que ameaça derrubar o governo, para não falar daquele aloprado presidente do Irã que acena pulverizar-nos, isto se não formos liquidados, como o resto do mundo, asfixiados pela poluição do planeta terrestre.


Além do veneno radiofónico, que o israelense toma com o seu café da manhã, os cabeçalhos dos jornais não são lá muito encorajadores. À noite, a televisão nos empolga e transmite ao vivo um noticiário que parece ser especialmente preparado para deixar os telespectadores completamente frustrados. Depois de tudo isso, o israelense já sai de casa emburrado, preocupado quanto ao destino do mundo em geral e o de Israel em particular. Quando chega ao trabalho e tem que entrar no elevador, sua cabeça ainda está extremamente atribulada, ele não vê ninguém, não cumprimenta, e ainda acha ruim se alguém passa a sua frente. Começa mal o dia.


Não é por força do acaso que o meu visitante interlocutor não se cansava de elogiar Israel, a tranqüilidade que se sente nas ruas, nos teatros, nos cafés. Pode-se caminhar tranqüilo, seja durante o dia ou à noite, e não ser assaltado. A única coisa que exige cuidado é o atravessar a rua, para evitar ser atropelado por algum motorista que maneja seu veículo em alta velocidade, enquanto a cabeça dele está em outro lugar.



Não sou sociólogo nem psicólogo para poder analisar o comportamento sui generis do israelense, mas pelo pouco que escrevi acima, valendo-me de Machado de Assis, ocorreu-me cognominar o israelense de “Dom Casmurro”.


P.S: O mecânico me informou, depois, que nada aconteceu com a caixa de câmbio do carro, e o problema foi resolvido com a simples troca de um cabo.

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Marcos Wasserman

Só em Israel

David Ben Gurion, o Pai da Pátria, teria dito: “Em Israel quem não acredita em milagres não é realista”. Senão, vejamos.


Consta que Deus costumava frequentar estas terras de Israel, então Canaã, e até falava com as pessoas. Conversou com Moisés, o libertador do Povo Judeu, usando a sarça ardente (como microfone ou alto-falante?) – Êxodo, capítulo 3. E este mesmo Deus chegou até mesmo a escrever um livro em hebraico, que veio a ser um best-seller em todos os tempos e foi entregue de presente ao Povo Judeu. Só que o Povo Judeu, tão ocupado em estudar e analisar os escritos divinos, sequer chegou a pensar na absoluta conveniência de tentar obter um copyright para o tal Livro.


Atualmente, Deus deixou de falar com a gente diretamente e a era dos milagres divinos parece ter terminado. A palavra milagre não tem mais nenhuma expressão divina e é usada de forma semântica apenas para apontar algum acontecimento inédito ocorrido na nossa Natureza e Humanidade. Mas, se não existem mais milagres divinos, existem os científicos, produtos da inteligência e da mão-de-obra humanas. Não faltam exemplos nesta Terra de Israel.


Israel está se convertendo em um importante centro de investigação genética e mil e uma são as possibilidades que se divisam no horizonte. Nos últimos anos, tem exportado grandes quantidades de sêmen, (!) para a Europa, Ásia e África, de uma variedade de touro de origem belga. Um novo tipo de gado está sendo desenvolvido e a previsão é de que, ainda este ano, serão inseminadas aqui em Israel mais de 7.000 vacas. Qual é a vantagem? É que as tais vacas israelenses passarão, quando transformadas em carne comestível, a produzir bifes dietéticos, com um conteúdo grasso de apenas 7%, comparado aos 30% ou quase 40% de gordura de outros tipos de vaca.


Cientistas do Departamento de Zoologia da Universidade de Tel Aviv identificaram vários tipos de antibióticos nas esponjas marinhas, estes organismos sedentários encontrados no mar. A expectativa é a de que tais esponjas marinhas possam resolver o problema da infecção provocada por determinados tipos de cogumelos e responsável pela morte, todo ano, de mais de 1.000.000 de pessoas em todo mundo. Em sua próxima visita a Israel, o Papa Bento XVI receberá um presente inusitado, produzido pelo Instituto Technion de Haifa. Um presente israelense. Quase que um milagre científico: um chip de silicone de meio milímetro quadrado, banhado a ouro, contendo a bíblia integralmente.


Cientistas israelenses estão desenvolvendo um novo dispositivo para colocar no caule das árvores: sempre que os níveis de água estiverem baixos, o vegetal envia um SMS ou e-mail ao agricultor, ou abre a torneira de irrigação para regar-se a si própria (do boletim da Cambici). O milagre estará completo o dia em que os cientistas israelenses conseguirem fazer com que as árvores se comuniquem com cada um de nós através de nossos computadores. Imaginem, meus caros leitores, que revolução seria se árvores centenárias, nos quatro cantos do mundo, começassem a contar as história do mundo sob um enfoque vegetal. Isto sim seria um milagre!


Alguns “milagres” são apenas de ordem semântica. Ao escrevermos estas linhas, estamos sendo bombardeados por informações sobre a nova ameaça ao mundo, a “gripe suína”. O Vice-ministro da Saúde de Israel, o deputado religioso Yaacov Litzman, não gostou, por motivos óbvios, do nome desta nova e assustadora enfermidade e passou a referir-se a ela apenas como a “gripe do México”. Prova de que a mudança de uma palavra faz milagres. Os palestinos, nossos vizinhos, tentam, de alguma maneira, imitar o Povo Judeu, tentando apoderar-se subrepticiamente de um pouco da História, tentando provar, a todo custo, seus pretensos direitos históricos sobre a Terra de Israel, com esdrúxulas fantasias de que eles já se encontravam aqui muito antes dos judeus. Coisa sem pé nem cabeça.


Também li algures ter sido Jesus, antes de mais nada – pasmem – muçulmano. Esta fé no absurdo, por incrível que pareça, tem a sua devida repercussão e não são poucos que acabam acreditando nestas estórias. Mas nem mesmo um grande milagre poderia transformar essas fantasias em realidade.


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Marcos Wasserman

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