Ajude a manter o blog

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Como desaparecem os aviões



Especialistas em aviação tiveram dificuldades para explicar o desaparecimento nesta semana do jato da Air France que fazia a rota Rio-Paris com 228 pessoas a bordo e provavelmente caiu no Atlântico.


Não houve mensagens de socorro nem a emissão de sinais automáticos de emergência.

Os aviões "sabem" onde estão, mas não necessariamente passam essa informação quando estão em locais remotos, fora do alcance do controle de tráfego aéreo, devido a questões tecnológicas e regulatórias, segundo especialistas.



quarta-feira, 3 de junho de 2009

Avião voava abaixo da altitude prevista

Os pilotos do AF 447 não seguiam a altitude prevista em seu plano de voo quando a aeronave foi registrada pela última vez pelo radar de Fernando de Noronha, às 22h48 (horário de Brasília) do domingo, revela reportagem de Alan Gripp e Igor Gielow na edição desta quarta-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

O voo 447 da Air France desapareceu sobre o oceano Atlântico na noite de domingo (31), com 228 pessoas a bordo. O avião decolou por volta das 19h do aeroporto Tom Jobim, no Rio, com destino a Paris e fez o último contato com o comando aéreo brasileiro por volta das 22h30.


Leia a cobertura completa sobre o voo AF 447
Veja nomes de passageiros que estavam no avião da Air France
Veja onde conseguir informações sobre o voo


Elaborado antes da decolagem, o plano de voo previa que o Airbus deveria subir de 35 mil pés (10,7 km) para 37 mil pés (11,3 km) depois de passar pelo ponto virtual Intol (565 km ao norte de Natal). O avião, porém, se manteve a 35 mil pés à frente do ponto, segundo informou a FAB no dia do acidente. O motivo para isso é desconhecido.


Os pilotos muitas vezes têm de alterar sua rota devido a mau tempo, turbulências ou porque voos diferentes têm planos coincidentes. "O plano é elaborado com o objetivo de que o voo seja o mais eficiente possível, mas nem todo mundo pode voar na mesma rota", diz o diretor da Azul e ex-presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral, Adalberto Febeliano.


Após deixar a área de controle de Noronha, o que havia à frente do voo AF 447 era uma grande tempestade. A própria FAB havia alertado, em sua rede de meteorologia na internet, que a tempestade era forte e tinha seu topo variando entre 37 mil e 38 mil pés (11,6 km), ou seja, acima do nível em que o Airbus estava quando deixou a cobertura de radar brasileira (35 mil pés).


Panes e turbulência


Não há hipóteses claras sobre o que pode ter derrubado a aeronave, mas já há certeza de que o avião sofreu despressurização e uma pane elétrica, porque a aeronave enviou alerta automático do tipo durante o voo. Sabe-se também que a aeronave enfrentou forte turbulência.


A FAB (Força Aérea Brasileira) informou na noite desta terça-feira que dois investigadores franceses já estão no Brasil para apurar as causas do acidente, com apoio do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).


Durante o dia, foram encontrados destroços da aeronave em uma área a aproximadamente 400 milhas (cerca de 740 km) de Noronha. Aeronaves equipadas com radares e infravermelho devem manter as buscas durante toda a madrugada para tentar encontrar mais material do Airbus.


Segundo o ministro Nelson Jobim (Defesa), os destroços são indicativo certo de que o avião caiu no mar. "Para este efeito [o da identificação do avião] já é suficiente estes 5 km de materiais. Não há como supor que a maré tenha reunido 5 km de material trazido da praia", disse.


Jobim afirmou que as buscas devem se concentrar sobre a caixa-preta, que pode estar situada em uma "profundidade que varia entre 2.000 e 3.000 metros" no oceano Atlântico. "A caixa-preta não boia. Teremos que fazer a busca. Estando em grande profundidade, haverá grande dificuldade para encontrá-la", disse.


Segundo a Air France, a lista oficial com os nomes dos ocupantes do avião deve ser divulgada nesta quarta-feira (3). Porém, a relação pode ser incompleta já que, segundo o ministro da Defesa, alguns familiares de passageiros já manifestaram os nomes não sejam divulgados.


De acordo com a empresa, 58 brasileiros, 61 franceses e 26 alemães estavam na aeronave. Ao todo, havia ocupantes de 32 nacionalidades no avião.



Arte Folha Online

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A lei da Torah

Conheça alguns dos hábitos dos judeus ortodoxos paulistanos, que representam 15% da comunidade na capital e são personagens de um núcleo da novela Caras & Bocas, da Rede Globo

Por João Batista Jr. e Sara Duarte

| 03.06.2009

Fotos Fernando Moraes e João Miguel Jr./divulgação TV Globo
Ritual noturno na sinagoga Talmud Thorá Lubavitch, no Bom Retiro, e a família judaica da trama de Walcyr Carrasco (no detalhe): cultura milenar

É uma cena comum em qualquer sábado, no frio ou no calor, com sol ou com chuva: homens de barba longa, vestindo capote preto e com a cabeça coberta por chapéu ou quipá, acompanhados por mulheres de saia comprida e levando os filhos pelas mãos circulam pelas ruas de bairros como Higienópolis, Jardins e Bom Retiro. O jovem joalheiro Benjamin, personagem da novela global Caras & Bocas interpretado pelo ator Sidney Sampaio, poderia estar entre eles. Isso porque a trama de Walcyr Carrasco apresenta o cotidiano de um clã paulistano que cumpre ao pé da letra os mandamentos da Torá, o livro sagrado do judaísmo - sendo o principal deles o respeito ao Shabat, período de orações e descanso que vai do pôr do sol de sexta ao início da noite seguinte. "As pessoas nos veem mais pelas ruas nesse dia porque não usamos carros, uma vez que é proibido gerar qualquer tipo de energia", diz o rabino Shie Pasternak, da sinagoga Talmud Thorá Lubavitch, no Bom Retiro. Para Carrasco, cronista de VEJA SÃO PAULO, o folhetim retrata a cultura de um povo que ajuda a formar a diversidade da capital. "Costumamos achar que nossos valores são os únicos corretos e verdadeiros", afirma. "Mas os judeus ortodoxos mostram que há outros caminhos para a felicidade."



Embora formem apenas 15% da comunidade judaica da cidade, estimada em 60 000 pessoas, os ortodoxos representam sua face mais visível, por carregar no rosto e no vestuário as marcas da fé. Para viver o personagem, Sampaio visitou sinagogas e teve aulas de cabala e hebraico. "Aprendi que eles são um povo que dá provas diárias de disciplina e devoção", conta. Mas nem todo ortodoxo usa roupa escura, barba e peiot, os tais cachinhos laterais, como os que aparecem na novela. Na verdade, essas características estão relacionadas exclusivamente aos hassídicos, uma vertente do ramo asquenazita, originária da Europa Central e Oriental. Há ainda os sefarditas, vindos da Península Ibérica e do norte da África, e os orientais (da região da antiga Babilônia, atual Iraque), com aparência e rituais diferentes. O que os qualifica como observantes, como são igualmente denominados os ortodoxos, é o fato de se disporem a cumprir tanto as leis da Torá quanto as do Talmude, outro livro sagrado do judaísmo. Entre essas regras, estão as que se referem à relação homem-mulher. A separação de sexos começa na escola e se estende por todos os ambientes sociais - namoros e até mesmo apertos de mão são proibidos. Em nome do recato, as ortodoxas têm de usar roupas que escondam o colo, os joelhos e os cotovelos. As casadas cobrem os cabelos com peruca. Durante as rezas na sinagoga, eles se sentam perto do altar, enquanto elas ocupam um recinto à parte, separado por um biombo. "Essas normas servem para protegê-las, pois os homens são criaturas fracas, passíveis de ser distraídas", argumenta o rabino Shabsi Alpern, da sinagoga Beit Chabad Central, nos Jardins.



Judeus ortodoxos não podem nem apertar o botão do elevador durante o Shabat. Por isso, nos últimos quinze anos, cerca de vinte edifícios residenciais da cidade, a maioria em Higienópolis, ganharam os chamados elevadores-shabat. "Eles são programados para parar em todos os andares e ficar abertos por alguns segundos para dar tempo de as pessoas entrarem e seguirem até o piso desejado sem ter de mover um dedo", diz José Luís Mundim Soares, responsável por novas instalações da Atlas Schindler. Considerados guardiões de sua tradição, os ortodoxos têm trabalhado para renovar a religião na cidade. Segundo a Federação Israelita do Estado de São Paulo, em vinte anos o número de sinagogas paulistanas passou de 25 para 55. Dessas, catorze são do movimento Chabad-Lubavitch, vertente nascida na Europa, no século XVIII, que deu origem ao hassidismo e revitalizou a ortodoxia ao enviar emissários a diversos países com o objetivo de divulgar sua filosofia. Com a terceira maior população judaica das Américas - atrás apenas de Nova York, com 1,6 milhão de adeptos, e de Buenos Aires, com 165 000 - , a capital paulista hoje registra a presença de templos e casas de oração em bairros sem raízes hebraicas, como Vila Mariana, Morumbi, Perdizes, Pompeia, Pinheiros, Brooklin e Itaim Bibi. "Os ortodoxos se esforçam para atrair jovens que nasceram na comunidade mas não cumprem os rituais", afirma a antropóloga Marta Topel, professora da Universidade de São Paulo e autora do livro Jerusalém & São Paulo: a Nova Ortodoxia Judaica em Cena. "Desde os anos 80, rabinos dos Estados Unidos e de Israel têm vindo para o Brasil trabalhar nesse processo que eles chamam de retorno ao verdadeiro judaísmo."



É o caso do rabino Nathan Ruben Silberstein, de 36 anos. Nascido em Nova York, ele chegou a São Paulo em 1993, acompanhado de sua mulher, Hani, e constituiu uma família numerosa: o casal tem oito filhos, de 2 a 16 anos. As crianças frequentam escolas religiosas em período integral e, em casa, comunicam-se em iídiche e hebraico. Sem acesso à TV nem à internet, recorrem a amigos para acompanhar os jogos do time do coração, o São Paulo. Embora viva em Higienópolis, Silberstein decidiu abrir uma sinagoga em Moema. "Para atrair aqueles que não tiveram educação religiosa efetiva, é preciso sair do nosso reduto e buscar fiéis em outros bairros", explica. "É claro que ninguém precisa ter uma vida regrada como a nossa, mas ir à sinagoga já é um bom começo."



Atividades culturais também fazem parte desse processo de aproximação. O Espaço K, em Higienópolis, reúne mais de 2 000 associados com programas convidativos como palestras em faculdades, rodadas de pizza, baladas e viagens. A maioria deles não é ortodoxa, já terminou os estudos e sentia falta de um lugar para encontrar pessoas que compartilham a mesma crença. Já o Centro Novo Horizonte, no mesmo bairro, que concentra seu foco nas crianças e em suas mães, promove cursos de culinária e música. A maior parte dessas instituições é financiada por empresários judeus filantropos. "Para que a religião tenha continuidade, precisamos ajudar aqueles que propagam nossas tradições", diz Meyer Nigri, proprietário da construtora Tecnisa. Ele calcula já ter contribuído para a construção de dez sinagogas e ajuda a custear despesas de rabinos, cujos salários, estimados entre 5 000 e 20 000 reais, seriam insuficientes para alimentar e pagar boas escolas a famílias numerosas. "É nosso dever auxiliar quem dedica a vida a atividades religiosas e educacionais", comenta Ivo Rosset, presidente do Grupo Rosset, que contribui para escolas e ONGs judaicas. A família Safra, por sua vez, banca 100% das atividades de uma sinagoga em Higienópolis e outra na Consolação, além de ajudar na manutenção de algumas instituições. Esther, filha de Joseph e Vicky Safra, por exemplo, é diretora e mantenedora da escola Beit Yaacov, na Barra Funda.



Uma prática comum entre os empresários é patrocinar a instalação de restaurantes kosher (do hebraico, permitido), dieta que, entre suas regras, proíbe o consumo de carne de porco e frutos do mar e a mistura de laticínios com qualquer tipo de carne. Há um ano, um grupo de judeus praticantes procurou o chef Daniel Marciano, dono do restaurante Nur, em Higienópolis, com a proposta de adaptar o menu de seu estabelecimento às regras da religião. Eles pagaram a reforma e os utensílios, mais o salário de um supervisor. "O movimento da casa triplicou e eu fiquei tão animado que abri uma rotisseria kosher", comemora Marciano. A crescente demanda por esse tipo de culinária explica o sucesso do McKosher, evento realizado anualmente pelo McDonald’s em parceria com a Con-gregação Monte Sinai. Na ocasião, o menu da rede é preparado segundo os preceitos kosher. O último evento, ocorrido em abril, na lanchonete da Avenida Ermano Marchetti, na Lapa, reuniu 4 500 pessoas e nele foram vendidos 7 000 sanduíches - um movimento 200% superior ao de um domingo comum. "Algumas pessoas compram mais de cinquenta sanduíches para congelar e consumir depois", revela Pedro Palatnik, ge-rente de relações institucionais do McDonald’s. Esse sucesso, aliás, fez com que a rede aceitasse repetir o cardápio em mais quatro domingos de maio na unidade que fica na esquina da Alameda Santos com a Rua Augusta, nos Jardins. "Agora vamos propor à rede que tenha um corner kosher no Shopping Higienópolis", conta Selim Nigri, presidente da Congregação Monte Sinai. Será, com certeza, um bom negócio para todos.



Fotos Fernando Moraes

Nas escolas ortodoxas, pelo menos 50% do conteúdo é lecionado em hebraico, e meninos e meninas frequentam espaços separados. No colégio Iavne, nos Jardins, fundado em 1946 por imigrantes húngaros e poloneses, o uniforme das garotas é composto de saia longa de algodão. Por motivo de praticidade, nas aulas de educação física elas usam calças corsário. "Mas isso só porque a quadra é coberta e não existe o risco de alguém de fora da classe nos ver", explica Karen Rosemberg, 14 anos. Corintiana roxa e fã de Ronaldo, na escola ela é artilheira dos times de futebol e handebol femininos. Não vislumbra, porém, uma carreira no esporte. "Seria impossível me destacar, pois não poderia jogar nem treinar aos sábados."



Morador de Higienópolis, o rabino Nathan Ruben Silberstein (no centro) abriu uma sinagoga em Moema para atrair os judeus do bairro, que não tinham nenhum templo. Ele e a mulher, Hani, nasceram nos Estados Unidos, têm 36 anos e são ortodoxos da linha hassídica. Seus oito filhos - da esquerda para a direita, Jaime, de 12 anos, Re-beca, 10, Jacob, 15, Malka, 4, Joel, 13, Sara, 8, Moisés, 2, e Isaac, 16 - só se comunicam em iídiche e hebraico em casa.



Os ortodoxos só comem comida kosher, preparada sob a supervisão de rabinos. Para atender à comunidade, uma vez por ano o McDonald’s realiza o Dia Kosher, em que seu cardápio segue os preceitos judaicos. Amanda Stulman (à dir.), 27 anos, reuniu toda sua família - três filhos, mãe, irmão e marido - para ir à terceira edição do evento. "Venho todo ano aqui e peço o mesmo sanduíche: Big Mac", diz ela, que é professora da pré-escola do colégio Gani Talmud Thorá, no Bom Retiro. As crianças, Meyr (à esq.), Chaya e Yossi (à dir.), experimentaram o McLanche Feliz. "Mas o hambúrguer veio sem queijo, porque não misturamos carne e laticínios na mesma refeição", conta Amanda.



Em nome do recato, as ortodoxas têm de usar roupas que cubram os joelhos, os cotovelos e o colo. Prestes a se casar, Tisipi Eskinazi (à dir.), 17 anos, recorreu à estilista Esther Bauman para criar um vestido de noiva de renda e saia plissada com essas características. As futuras cunhadas, Dina Schildkraut e Miralle Mazuz (sentada), ajudaram a aprovar o modelo. "Ninguém precisa abrir mão da vaidade por ser religiosa", comenta Tisipi.


Depois de casadas, as judias ortodoxas cobrem os cabelos com uma peruca, que só pode ser retirada na intimidade, diante do marido. Casada com um rabino, Yaffie Begun (com sua filha Feiga, de 1 ano, no colo) fabrica modelos com fios naturais, que são vendidos por 1 000 dólares cada um. Mãe também de Nina, 12 anos, e Chaya, 18, ela as ensinou a ter orgulho desse acessório. "Para nós, ortodoxas, é como usar uma coroa: indica que somos realizadas por termos nos tornado esposas e mães."



Aos 28 anos, o rabino Moishy Libersohn (sentado) dirige o Espaço K, instituição que realiza palestras em faculdades, viagens e atividades culturais para atrair jovens de volta à religião. O local também é conhecido como uma balada judaica e ajudou a formar casais como Irina e Beny Schuchman (à esq.) e Daniel e Patrícia Olszewer (à dir.). "Depois que saem da escola, eles não têm mais onde encontrar seus pares", diz o rabino. "A gente dá uma forcinha."




ser judeu ortodoxo é...

...se dispor a seguir os mandamentos da Torá e do Talmude, livros sagrados do judaísmo. Eis os principais:



Rezar ao menos três vezes por dia: pela manhã, antes do pôr do sol e quando as primeiras estrelas começam a despontar no horizonte



Respeitar o Shabat, o período de descanso e oração que começa no pôr do sol de sexta-feira e se estende até o início da noite de sábado



Cumprir o mandamento bíblico "Crescei e multiplicai-vos". Métodos contraceptivos só podem ser usados com permissão do rabino



Ingerir somente comida kosher, preparada com a supervisão de rabinos, segundo regras específicas, como jamais misturar carne com laticínios na mesma refeição



Manter espaços separados para homens e mulheres nas sinagogas



Jamais tocar em uma mulher que não a sua, nem mesmo com um aperto de mãos



Manter nas portas das casas, escritórios e escolas um mezuzá, invólucro com trechos da Torá, que deve ser tocado ao entrar e ao sair



Aceitar regras de recato como a que proíbe o namoro.Garotos e garotas podem sair para se conhecer, mas só devem se beijar ou se tocar após o casamento



>>vídeo: saiba mais sobre a alimentação kosher

Fontes: Cecilia Ben David, coordenadora pedagógica do Centro de Cultura Judaica; David Azulay, rabino da Congregação Monte Sinai; Marta Topel, pesquisadora de cultura judaica da Universidade de São Paulo; e Shie Pasternak, rabino da sinagoga Talmud Thorá Lubavitch

Acidente Aéreo

Hoje, infelizmente se soube de mais um acidente aéreo, não existe confirmação ainda.
Um airbus da Air France desapareceu no oceano atlântico com mais de 200 pessoas a bordo.
Cada vez que isso acontece sobe o interêsse por desastres aéreos. O Politica Geral disponibiliza um link para você saber mais. Infelizmente a vida é feita de morte também.

Saiba mais

sexta-feira, 29 de maio de 2009

O primeiro campeonato do Brasil

Realizado no Rio de Janeiro, Campeonato Sul-Americano de 1919 contagiou todo o país e fez nascer no brasileiro a paixão pelo futebol

Rafael Cardoso Rio de Janeiro


A primeira geração vitoriosa da seleção brasileira, campeã do Sul-Americano há exatos 90 anos

Recordista de títulos mundiais, a seleção brasileira de futebol hoje impõe respeito em qualquer gramado que pise neste planeta. A camisa verde e amarela, imponente com as suas cinco estrelas bordadas, é um verdadeiro patrimônio nacional. Muitos dos que se orgulham deste passado glorioso, no entanto, desconhecem que foi preciso muita luta e suor para que o "team brasileiro" se consolidasse no cenário futebolístico. Os primeiros passos foram dados há exatos 90 anos com a conquista do Campeonato Sul-Americano, primeiro título de grande relevância da seleção. O dia 29 de maio de 1919 foi o pontapé inicial de uma das trajetórias mais vitoriosas do esporte mundial.

O futebol começou no país como uma forma de entretenimento das elites. Trazido pelos ingleses para o Brasil, era prioritariamente disputado em clubes fechados, onde apenas sócios tinham acesso. Aos poucos, foi ampliando o número de seus admiradores, mas a carência por ídolos e títulos freava o aumento de sua popularidade. A competição de 1919 rendeu os ingredientes necessários para que os brasileiros o escolhessem como uma de suas principais paixões. Primeiro torneio de nível internacional realizado em solo brasileiro, abriu caminho para a democratização do esporte. O troféu de campeão conquistado sobre o poderoso Uruguai foi um prêmio também para o público, que demonstrou muita empolgação ao longo de todo o campeonato.


As origens da febre futebolística

O uniforme utilizado pelo Brasil em 1919

Em uma triste coincidência, assim como o mundo enfrenta hoje uma epidemia de gripe, também na segunda metade da década de 10 uma gripe fez grandes estragos no cotidiano da população. A chamada "febre espanhola" trouxe prejuízos também para o esporte. O calendário do futebol foi alterado em 1918, porque a situação era muito crítica. A terceira edição do Campeonato Sul-Americano, que já havia sido disputado em 1916 e 17, teve de ser adiada para 1919, quando o quadro era um pouco mais ameno.

O brasileiro em 19 convivia ainda com um ambiente político desfavorável, em um período conhecido como República Velha. Denúncias de corrupção, fraudes eleitorais e favorecimentos às classes mais ricas eram constantes. A população encontrou na seleção brasileira de futebol uma maneira de se sentir representada de forma democrática, principalmente porque os jogadores eram de diferentes classes sociais. Uma vitória daquele time simbolizava a vitória do povo. O jornal "A Rua", na edição do dia 7 de maio, traduziu o sentimento que envolvia os preparativos da competição, responsável pelo "esquecimento" da gripe espanhola.

"Antes do campeonato, o football aqui já era uma doença: agora é uma grande epidemia, a coqueluche da cidade, de que ninguém escapa".


Evento esportivo contagia a Cidade Maravilhosa

O Rio foi contagiado pelo ambiente futebolístico, e o estádio das Laranjeiras ficou lotado

O estádio das Laranjeiras, na sede do Fluminense, foi especialmente construído para a realização do Campeonato Sul-Americano. Quando as delegações de Chile, Argentina e Uruguai desembarcaram de navio na Praça Mauá (Rio de Janeiro), já havia um palco estruturado para recebê-los. A equipe brasileira estava concentrada para o início da competição, apostando em craques como o goleiro Marcos de Mendonça e os atacantes Friedenreich e Neco. No comando técnico, uma comissão improvisada pelos jogadores Amílcar Barbuy e Arnaldo Silveira (capitão), além de Mário Pollo, Affonso de Castro e Ferreira Vieira Netto. O dia 11 de maio marcou a estreia da seleção brasileira e do estádio. Não poderia ter sido melhor: 6 a 0 sobre o Chile, com direito a três gols de Friedenreich.

Relatos e fotos da época dão conta de que o estádio estava lotado durante todas as partidas. Cerca de 18 mil pessoas cabiam confortavelmente nas arquibancadas. Os homens trajavam elegantes ternos e chapéus, as senhoras usavam seus melhores vestidos e adereços. Do lado de fora, uma multidão - que não tinha condições de pagar pelo caro ingresso - tentava ver a partida, subindo no morro das Laranjeiras ou se aglomerando próximo à redação do "Jornal do Brasil", na Avenida Rio Branco (Centro da cidade), à espera do resultado. Independentemente do local em que estavam, todos puderam comemorar a segunda vitória, 3 a 1 na Argentina, no dia 18 de maio. Um novo show de bola da seleção.

Como os uruguaios também haviam vencido os seus dois primeiros jogos, o duelo contra os brasileiros no dia 25 de maio era uma verdadeira final. A equipe celeste jogou de luto pela morte do goleiro Roberto Cherry. Uma semana antes, o arqueiro havia se chocado contra um jogador na partida contra o Chile e precisou fazer uma cirurgia, mas não resistiu. Apesar disso, o time adversário não perdeu o ânimo e chegou a abrir 2 a 0 no placar. Mas graças a Neco, o primeiro grande ídolo da história do Corinthians, o Brasil arrancou o empate heróico em 2 a 2. Como na época não havia decisão por pênaltis, uma segunda partida foi marcada para o dia 27 de maio.


Tabela de jogos Classificação
11/5 Brasil 6x0 Chile Seleções Jogos Vitórias Empates Derrotas
11/5 Uruguai 3x2 Argentina Brasil 4 3 1 0
18/5 Uruguai 2x0 Chile Uruguai 4 2 1 1
18/5 Brasil 3x1 Argentina Argentina 3 1 0 2
25/5 Argentina 4x1 Chile Chile 3 0 0 3
25/5 Brasil 1x1 Uruguai
29/5 Brasil 1x0 Uruguai


A final mais longa da história: a batalha sul-americana

Brasil e Uruguai fizeram ótimo duelo na final

O futebol brasileiro ainda era uma incógnita naqueles tempos. O Uruguai era a potência do continente e reconhecido como uma das melhores equipes do mundo. Afinal, era o atual bicampeão sul-americano, derrotando o Brasil nas duas edições anteriores do campeonato. E seria bicampeão olímpico em 1924 e 28. A expectativa pela revanche era grande. Nenhum brasileiro queria perder novamente. O mundo passava por um momento de exaltação dos nacionalismos, e o duelo ultrapassava as quatro linhas. Os jornais brasileiros sabiam que o novo confronto, mesmo no Rio de Janeiro, seria uma verdadeira batalha.

Desde das 11h daquela quinta-feira, três horas antes da partida, muitas bandeiras eram vistas pelos morros adjacentes. O governo decretou ponto facultativo nas repartições públicas. Bancos e casas comerciais também fecharam as portas. Não se falava de outro assunto na cidade. Veio então a partida, embelezada pelo surpreendente número de senhoras nas arquibancadas, muito maior do que nos jogos anteriores. Durante os 90 minutos regulamentares, nada de gol. A partida foi para a prorrogação. Após 30 minutos, o placar continuava zerado. Os torcedores estavam tensos nas arquibancadas, os jogadores estavam exaustos em campo.

Foi preciso uma segunda prorrogação de mais 30 minutos. E foi aí que o artilheiro Friedenreich fez a diferença. Aos 3 minutos, Neco correu pela direita e lançou a bola para a área. Heitor recebeu e arriscou o chute, espalmado por Saporiti. A bola caiu nos pés do goleador brasileiro, que chutou à meia altura: 1 a 0. A torcida foi ao delírio nas arquibancadas. De tão marcante, aquele momento histórico virou até música. Foi eternizado por Pixinguinha em um chorinho que teve como título o placar do jogo: "É a bola, é a bola, é a bola / É a bola e o gol! / Numa jogada emocionante / O nosso time venceu por um a zero / E a torcida vibrou." Após 150 minutos de disputa, o Brasil erguia a sua primeira taça de expressão. Estava plantada a semente para um futuro grandioso.

Lula e o PT abrem o Brasil a terroristas

Na Folha de São Paulo nesta quinta-feira. Comento abaixo:

Investigações da Polícia Federal sobre a atividade do libanês K. chegaram à conclusão de que ele tem ligações com a organização terrorista Al Qaeda.K., acredita-se, é o responsável mundial pelo "Jihad Media Battalion", uma organização virtual que é usada como uma espécie de relações públicas on-line da Al Qaeda, propagando pela internet, em árabe, ideais extremistas e incitando o povo muçulmano a combater países como os EUA e Israel. Para a PF, K. não é membro da alta hierarquia da Al Qaeda.

De São Paulo, sempre segundo a avaliação da cúpula da PF, o libanês mantinha contato com pessoas ligadas à organização terrorista em pelo menos quatro países, um deles da Ásia.

Sua função não estava ligada ao braço armado da organização, mas a PF suspeita de que ele tenha tratado, em discussões pelo fórum, de alvos potenciais de atentados, chegando a distribuir tarefas a outros membros da organização.

Segundo as investigações, K. agia só, o que descarta, portanto, para as autoridades, a participação de algum brasileiro.

Nas intercepções feitas pela PF, o libanês foi flagrado dizendo ser integrante da Al Qaeda, que tem como líder máximo Osama bin Laden, o terrorista mais procurado do planeta.

As autoridades brasileiras foram informadas da atuação do libanês em fevereiro, em informações repassadas pelo FBI, o equivalente norte-americano da PF. Na ocasião, o FBI já tinha a identificação do IP do computador de onde o libanês coordenava a rede.

O advogado do libanês, Mehry Daychoum, diz que houve "confusão" e "precipitação" da PF e nega relação de seu cliente com qualquer organização "paramilitar ou terrorista": "Ele cometeu a infelicidade de emitir comentários na internet, jamais imaginando que isso pudesse ser crime no Brasil".

Na edição de terça, o colunista da Folha Janio de Freitas informou que um integrante da alta hierarquia da Al Qaeda tinha sido preso no Brasil. Para preservar o sigilo da operação, escreveu o jornalista, a PF atribuiu a prisão a uma investigação sobre células nazistas.

O ministro Tarso Genro (Justiça) disse que o governo não trabalhava com a hipótese de K. ter relações com a Al Qaeda. O presidente Lula demonstrou irritação ao falar do caso.

Segundo disseram à Folha autoridades brasileiras, o governo queria manter sob sigilo a suspeita da ligação de K. com a Al Qaeda, principalmente por causa da pressão internacional.

Por isso sua prisão foi divulgada como consequência de uma suposta "propagação de mensagens com conteúdo racista pela internet", segundo a nota da PF. O libanês foi indiciado por crime de racismo.

Autoridades americanas têm pressionado o Brasil por não haver em lei a tipificação do crime de terrorismo. Para Tarso, não é preciso mudar a legislação, pois atos terroristas podem ser enquadrados nas leis comuns. O debate já chegou a ser travado no Ministério da Justiça. Mas a preocupação do governo é que a criação de uma lei desse tipo possa criminalizar movimentos sociais.

K. vive no Brasil com a mulher e filha, ambas brasileiras. Detido em 25 de abril, ele passou 21 dias preso por ordem do juiz da 4ª Vara Federal Criminal, Alexandre Cassettari. Agora, mesmo em liberdade, o libanês segue sendo monitorado.

Em nota, a assessoria da Justiça Federal disse que a investigação da PF apontou indícios de que K. atuava como membro da "organização extremista" Jihad Media Battalion, além de ter ligações "com outros grupos". Segundo a Justiça, "as diligências policiais constataram, também, a associação de aproximadamente 34 membros cadastrados, o que caracterizaria a formação de quadrilha". O Ministério Público ainda não decidiu se oferecerá denúncia contra K.

Ontem, a Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou requerimento que convida representantes da PF e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para discutir a prisão de K -com data a ser definida. (Da Folha de São Paulo desta quinta-feira)

MEU COMENTÁRIO: Quem acompanha este blog sabe que em inúmeras oportunidades tenho denunciado que aqui em Florianópolis e outras cidades brasileiras cada vez mais se encontra nas ruas mulheres com véus na cabeça. E sempre afirmo que não se pode é identificar os seus maridos, que não têm a coragem (por enquanto) de andar com aquelas toalhas na cabeça, ou preferem o anonimato.

O que se verifica é a invasão do Ocidente pelo islamismo, religião que dá suporte ao terrorismo internacional, que comete atentados com homens-bomba e mulheres-bomba, que pratica o antissemitismo, que deseja aniquilar Israel e que, por fim, deseja dobrar o Ocidente à islamização.

O que deixa a Nação pasma é Lula e seus sequazes fazerem vistas grossas a essa grave ocorrência, a esconder o fato, a tergiversar, quando o correto, o legal, seria esclarecer a opinião pública e revelar a verdade dos fatos.

Afinal, por que o governo do PT está fazendo isso? Por que transforma o Brasil num valhacouto de terroristas?

A reposta a essas indagações está contidas na própria reportagem da Folha: o governo do PT não quer a criação de uma legislação contra o terrorismo porque teme - vejam só - que criminalize os tais movimentos sociais. Neste caso está admitindo que esses bandos fora-da-lei são terroristas.

Ora, movimento social é um eufemismo que encobre aquilo que todo mundo conhece, ou seja, a existência de organizações paramilitares como o MST e seus satélites, que invadem propriedades, praticam quebra-quebra, promovem a desordem e prosseguem impunes sob o manto protetor do governo que através de ONGs transfere recursos públicos para financiar essas quadrilhas de porras-loucas, incentivados pelas viúvas da guerra fria.

E ninguém faz nada a não ser blogs como este que não se cansam de denunciar este estado de anarquia criado pelo petismo.

Sem uma lei dura contra o terror e com um governo que abençoa os terroristas e lhes dá refúgio, o petismo está avacalhando o País e expondo a população brasileira a uma situação de sério perigo e ameaça.

Desta forma o Brasil passa a representar um território que oferece todas as condições para ser o quartel-general do terrorismo.

Lula e seus petralhas enlouqueceram.

  ©Template Blogger Green by Dicas Blogger.

TOPO  

^