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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sim, nós podemos, ou será não, não podemos

O discurso do Presidente americano, Barak Hussein Obama, no Cairo, na quinta-feira dia 4 de junho, deve ser entendido como uma definição política dos Estados Unidos. Quando o Presidente falou das relações políticas dos Estados Unidos com Israel, e também em relação aos vizinhos de Israel, devemos entender que discursos são diplomaticamente preparados e devem ser entendidos como mensagem para se interpretar o que quer explicitar e o quer ocultar.


Falou Barak Hussein Obama: “As fortes ligações da América com Israel são bem conhecidas. São ligações inquebrantáveis, baseadas em laços culturais e históricos e no reconhecimento de que a aspiração por uma pátria judaica se assenta numa história trágica, que não pode ser negada.” (…) “em todo o mundo o povo judeu foi perseguido por séculos, e o antissemitismo na Europa culminou num Holocausto sem precedentes.” (…) “Negar esse fato é irreal, ignorante e odioso. Ameaçar Israel de destruição (…) é profundamente errado.”


Entendamos: foram destacados os laços americanos com Israel e que o sonho de uma pátria judaica decorre da culpabilidade européia com o Holocausto, sem considerar que o Movimento Sionista se originou há mais de 100 anos, muito antes do Holocausto, e representou a condução política do milenar sonho pelo retorno à pátria judaica, acalentado e aspirado por 2.000 anos. Não foi o Holocausto que fez Israel: lamentavelmente, foi uma ajuda cruel. As Nações Unidas, por duas vezes trataram de recriar Israel: em 1920, na Conferência de San Remo e, em 1947, já depois do Holocausto, sob a presidência de Oswaldo Aranha. Mas, logo após as palavras sobre Israel, O Presidente Barak Hussein Obama prossegue:


“Por outro lado, é também inegável que o povo palestino – muçulmano e cristão – sofreu em busca de sua pátria. Por mais de sessenta anos aguentaram a dor de terem sido deslocados de sua pátria. Muitos aguardam, em campos de refugiados na Margem Ocidental, Gaza e países vizinhos, por uma vida de paz e segurança, que nunca lhes foi garantida. Acham-se submetidos a humilhações diárias, grandes e pequenas – decorrentes da ocupação. Portanto, que não haja dúvida (…) a situação do povo palestino é intolerável.” E mais disse: que “os palestinos se queixam que a fundação de Israel afastou-os da própria pátria”.


Bem, aqui Barak Hussein Obama negou tudo o que poderia ser entendido inicialmente sobre Israel. A busca de uma pátria pelo povo palestino, povo não judeu conforme deixado claro, dito afastado de sua pátria por mais de sessenta anos, conseqüência da ocupação, significa que o restabelecimento da antiga pátria judaica, no seu lugar histórico, isto é, Israel, há 61 anos, se fez com a ocupação de uma pátria palestina não judaica. Isso significa que Israel tem o direito de existir, mas não seria lá, porque lá acabou exilando, deslocando, afastando os palestinos não judeus de sua pátria respectiva. E mais, fez entender uma comparação entre o Holocausto e o sofrimento dos palestinos não judeus, o que é inconcebível e falso.


O Holocausto foi uma política de extinção do povo judeu, uma indústria de morte para promover essa extinção. Ninguém pretende extinguir palestinos não judeus, mesmo que se os considerem refugiados; ninguém pretende matá-los a todos. Dos milhões de refugiados em todo o mundo, os únicos que permanecem em campos de refugiados por sessenta anos, mesmo não o sendo, são os palestinos, assim mantidos como massa de manobra, sem piedade, sem absorvê-los nos locais onde se encontram. E ninguém fala nos judeus expulsos dos países árabes, todos já definitivamente assentados nos países onde foram recebidos, a mioria em Israel.

Trata-se de texto diplomático. Devemos entender o que fica dito, com clareza. Há aqueles que questionam o erro de falar em 60 anos, quando deveria ser após 1967, “ocupação” depois da Guerra dos Seis Dias. Não tratemos de corrigir ou não ver o que foi dito: a expressão foi “mais de sessenta anos” e explicitado a quem se refere como povo palestino: muçulmanos e cristãos. A Palestina deixa de ser judaica, como sempre o foi: judaica. Devemos saber que nunca houve, até hoje, um país chamado Palestina que não fosse judaico.


Israel não deslocou ninguém e, lembremos, quem fez a guerra em 1948, foram os árabes dos países vizinhos, que atacaram o novo Estado, em 1948 e, em conseqüência, surgiram refugiados. Perderam a guerra e esperneiam. Como falar em refugiados em Gaza, se Gaza está nas mãos de palestinos? Refugiados em sua própria terra? Bem, costumamos dizer que se deve entender que o que é bom para os americanos não significa ser bom para Israel, bom para os judeus, nem bom para nós do Brasil. Mas Barak Hussein Obama exortou os palestinos a renunciarem à violência e reconhecer Israel, coisa que nem Mahmoud Abbas faz.


Há mais coisas a examinar das colocações feitas pelo Presidente Barak Hussein Obama, mas no que toca às relações com Israel, por ora, é o bastante. E lamentável.



Herman Glanz

Novela da Globo em Israel

Já estão a todo vapor as gravações de "Viver a vida", próxima novela das oito no Brasil, em Israel. Os atores Thiago Lacerda e Rodrigo Hilbert estão sendo dirigidos por Jayme Monjardim. O ritmo é intenso e algumas cenas estão sendo gravadas antes do Sol nascer, por Volta das 4h da manhã. O badalado fotógrafo Afonso Beato, que já trabalhou Com o espanhol Pedro Almodovar, também faz parte da equipe. Na história, Thiago e Rodrigo são dois aventureiros que passam uma temporada na região. De lá, as gravações seguem para a Jordânia e depois para Paris. "Viver a vida", de autoria de Manoel Carlos, estréia em setembro.


Eles bem que tentaram, mas não conseguiram passar despercebidos nas ruas de Israel. Por onde passavam, OS atores Thiago Lacerda e Rodrigo Hilbert chamaram a atenção de turistas, transeuntes e comerciantes. Sob a direção de Jayme Monjardim, a equipe de 27 pessoas enfrentou O Sol forte da primavera do Oriente Médio e O constante vai-e-vem das ruelas do mercado árabe da Cidade Velha de Jerusalém para Dar vida às primeiras cenas da próxima novela das 20h, "Viver a Vida", de Manoel Carlos. Depois de uma passagem pelo Mar Morto, as gravações se concentraram na área histórica, dentro das muralhas de Jerusalém, e do Yad Vashem, O Memorial do Holocausto.


- Estar aqui e sentir esta diversidade cultural e religiosa num lugar que é sagrado para todo mundo é incrível. Mesmo não sendo uma pessoa religiosa, estar na Igreja do Santo Sepulcro me emocionou. Toda a equipe chorou. Visitamos também uma igreja etíope e achei um universo muito especial, pela simplicidade e pela fé do lugar - disse Thiago.



Na trama, O ator vive o fotógrafo Bruno, um rapaz curioso e sonhador, que gosta de viajar pelo mundo em busca de aventuras. Dizendo-se curioso como O personagem, Thiago conta que a presença de policiais e militares fortemente armados pelas ruas do país chamou sua atenção. Dando uma de repórter, O ator se interessou ainda pela vida na metrópole, Tel Aviv, e já ostenta no pulso direito uma pulseirinha de linha vermelha, da Kabbalah, a mística judaica.


- Tenho muita fé, apesar de não ser religioso. Acho que religião é espontaneidade. Um senhor me parou e me ofereceu a pulseira, dizendo atrair boa sorte. Como adoro essas coisas, aceitei - contou ele.


Conhecido pelos israelenses como O italiano Mateo, de Terra Nostra, Thiago Lacerda está mais uma vez nas telas do país, na pele do Jorge, de Páginas da Vida, exibida atualmente em horário nobre na tevê a cabo. A dupla Com Rodrigo Hilbert promete. Na trama, Rodrigo é Felipe, file amigo de Bruno, que vai do Rio de Janeiro até a Terra Santa encontrar-se Com O fotógrafo. Animado, Hilbert conta que a trama vai surpreender e emocionar os telespectadores. Em sua primeira viagem ao Oriente Médio, ele ficou impressionado Com o peso histórico dos lugares religiosos para judeus, cristãos e muçulmanos.



- Minha família é evangélica luterana. Não sou praticante, mas foi impossível não me emocionar Com a missa no Santo Sepulcro. Procuro Deus na natureza e nos seres humanos. Tenho fé, mas este lugar tem mesmo muita energia e tenho certeza de que o público vai conseguir sentir isso.Estamos cansados, mas as imagens estão lindas.


Apesar das dificuldades de gravar nas vielas estreitas e da curiosidade dos que passavam pelo local, as gravações foram marcadas pelo bom humor. Para Rodrigo, de complicado mesmo, somente os idiomas locais, o hebraico e o árabe.


- Tentei aprender alguma coisa, mas não deu. Acho que só mesmo um "shukran" (obrigado, em árabe). Estou me controlando para não comprar nada no mercado árabe. Para tudo é preciso barganhar, pedir desconto. É só virar as costas para que o vendedor então se arrependa do preço pedido e aceitar a negociação - disse, descontraído.


Foi divulgado que Taís Araújo, confirmada como a Helena da próxima novela de Manoel Carlos, José Mayer será par de Taís Araújo em Viver a Vida, fará par romântico com José Mayer. Ele será Marcos.


Helena será modelo internacional. Ela terá passado por alguns relacionamentos, mas será pelo personagem de Mayer que se apaixonará. Marcos é pai de uma garota que está começando na carreira de modelo, e é justamente a filha que o apresenta à Helena. Os dois se casam e passam a viver juntos.


Fonte: Blog Coisas Judaicas

Mulher de candidato iraniano quer processar o falastrão


Zahra Rahnavard, a mulher do candidato pró-reformista Mir Hussein Mousavi, anunciou neste domingo que entrará com ações legais contra o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, se ele não retira as acusações contra ela em um prazo de 24 horas.


Em entrevista coletiva, incomuns no Irã, ela disse que Ahmadinejad insultou "todo o povo do Irã e as mulheres", ao acusá-la na televisão de falsificar seus títulos universitários.


"Fui obrigada a estar hoje aqui pelos insultos que recebi. Não vim só me defender, mas ao povo iraniano e a todas as mulheres que também foram insultados. Foram enganados", afirmou.


"O cargo de presidente é muito importante, é o número dois depois do líder supremo. Não é possível que alguém nesta posição possa mentir tanto", acrescentou Rahnavard que se transformou na estrela da campanha eleitoral iraniana.


Protagonista incomum em um jogo eleitoral que sempre foi coisa de homens no Irã, a mulher de Mousavi quebrou parâmetros e conseguiu mobilizar as mulheres com sua decisão de se envolver na campanha eleitoral e subir no palanque com o marido, o principal adversário do líder iraniano.



Formada em Artes e em Política, artista e professora, ela se transformou em um modelo a ser seguido pelas milhares de mulheres que lutam pelas liberdades e pelos direitos femininos em um país que discrimina a mulher.


Na última quarta-feira (3), Ahmadinejad --que busca a reeleição-- fez uma acusação direta contra Rahnavard, o que gerou grande polêmica.


O líder, que parece na defensiva, também acusou os ex- presidentes Ali Akbar Hashemi Rafsanjani e Mohamad Khatami de corrupção e de complô com Mousavi para acabar com as conquistas de seu gabinete.


Alguns juristas pediram a desqualificação de Ahmadinejad, ao considerar que suas palavras --igualmente censuradas, mas de forma velada, pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei-- poderiam atentar contra os princípios da Constituição.


"Naquele dia, senti pena, porque vi que o presidente não conhecia a lei e tinha ultrapassado seus limites. As leis dizem que uma pessoa não pode acusar outra em público sem provas", disse Rahnavard à imprensa.


"Falei com um advogado e, caso Ahmadinejad não peça desculpas ao povo iraniano, a mim e a Mousavi, e a mim mesma separadamente, o denunciarei", completou.


Mais de 46 milhões de iranianos foram convocados às urnas em 12 de junho para escolher o décimo governo desde a vitória, há 30 anos, da Revolução islâmica.


Pletz

Platitudes e Asnices



Giotto era do Hamas?

Barack Obama, em sua viagem ao Egito, tentou reconciliar o mundo maometano com os Estados Unidos. Em vez de bombardear os terroristas com um Predator, ele os bombardeou com platitudes: "O ciclo de suspeita e desentendimento tem de acabar... Estou aqui em busca de um recomeço... Baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo... Em princípios comuns – princípios de justiça e de progresso, de tolerância e de dignidade para todos os seres humanos". Dá até para imaginar um carrasco pashtun, subitamente iluminado pelo discurso de Barack Obama, largando suas pedras, um instante antes de apedrejar uma adúltera.


E onde entra Giotto nisso tudo?


Barack Obama, a certa altura de seu pronunciamento, disse: "Como estudante de história, eu aprendi que foi o islamismo – em lugares como a Universidade Al-Azhar – que conduziu o lume da sabedoria por séculos e séculos, pavimentando o caminho na Europa para o Renascimento e o Iluminismo". Ele só pode ter aprendido isso com Edward Said, em seus tempos de estudante na Universidade Colúmbia.


Os árabes, na Idade Média, tinham grandes conhecimentos de álgebra e de caligrafia, como citou o próprio Barack Obama, num trechinho tirado diretamente da Wikipédia. Mas o principal papel do islamismo para o estabelecimento do Renascimento e do Iluminismo – está igualmente na Wikipédia – foi o massacre de milhares de cristãos em Constantinopla, que obrigou os helenistas bizantinos a se refugiarem na Europa, com seus clássicos gregos e latinos. O Oriente revitalizou o Ocidente perseguindo-o, aterrorizando-o, assassinando-o.


Barack Obama realmente acredita em sua capacidade de seduzir e desarmar os fanáticos religiosos e os tiranos genocidas que prometem destruir Estados Unidos e Israel.


Apesar dos aplausos entusiasmados de editorialistas do mundo inteiro, seu discurso é de uma asnice assustadora: ele apela retoricamente para um passado remoto do islamismo, um passado mítico, que só se encontra nas salas de aula da Universidade Colúmbia.


Foi o que ele fez quando se referiu à Universidade Al-Azhar, aquela que teria conduzido "o lume da sabedoria por séculos e séculos". A Universidade Al-Azhar tem uma história antiga e gloriosa.


Mas a realidade é que, nos últimos 100 anos, ali se formaram o fundador do grupo terrorista Mão Negra, o fundador do grupo terrorista Irmandade Muçulmana e o fundador do grupo terrorista Hamas. Barack Obama procurou instaurar um diálogo com o islamismo que produziu o Renascimento – que produziu Giotto. Como se Giotto, depois de pintar afrescos numa capela, fosse fabricar um foguete Qassam. É melhor Barack Obama clicar o nome de Giotto na Wikipédia.


Diogo Mainardi - Veja


quinta-feira, 4 de junho de 2009

Malditos pacifistas

Acho que foi o Ambrose Bierce quem disse que os maiores provocadores de guerras são os pacifistas.

Em um ótimo post recente, Fábio Marton observou:

[P]acifismo é apenas a ilusão infantil, mimada, de que não existem inimigos verdadeiros e não existe derrota, uma ilusão que depende de jamais se estabelecer um limite para até onde se pode ceder, que há as coisas que podem ser negociadas e coisas que não podem. "Átila quer nossas irmãs e sobrinhas? Hmm... pode ser só as irmãs mais velhas?". Como várias outras idéias fracas mas populares, o pacifismo é tomado por sabedoria porque é o caminho de menor esforço aos moralmente preguiçosos.

De fato, o pacifista é, muitas vezes, um covarde que celebra as humilhações impostas pelo inimigo, desde que pareçam um "acordo". Ao aceitar as mais ultrajantes pretensões de igual para igual, o pacifista fica à mercê de qualquer tirano ou agressor.

O verdadeiro pacifista não é aquele que cede a tudo em nome da paz, é o que deixa claros os limites e tem a força ao seu lado.

Mas nossa época é única ao ter, não apenas pacifistas covardes, como "pacifistas preventivos". Antes de que qualquer guerra estoure, lá estão eles entregando de bandeja todos os seus mais preciosos bens, em nome da "paz".

Na guerra do Irã contra o Iraque, o governo iraniano importou 500.000 chaves de plástico de Taiwan. Os mulás entregaram as chaves a equivalente número de crianças e disseram a elas que eram as chaves do paraíso. Logo as mandaram caminhar por campos minados. Como as crianças explodiam em mil pedaços, os mulás logo determinaram que estas primeiro se enrolassem em lençóis, para que as partes não se espalhassem e elas pudessem ser enterradas sem perda de tempo.

Pois foi com esse grupo de assassinos de crianças que, recentemente, um grupo de atores Hollywoodianos quis dialogar. A comitiva foi a Teerã a mando de Obama, justamente com o intuito de celebrar o "diálogo cultural entre os povos". A reação dos mulás foi de desprezo e rejeição. Exigiram que antes de querer dialogar com o Irã, Hollywood pedisse desculpas pelos "abjetos" filmes "300" (onde os persas sao derrotados pelos gregos) e "The Wrestler" (onde há um lutador chamado "Aiatolá" e uma bandeira iraniana é rasgada).

Mas o mais curioso de tudo é mesmo ver como o pacifismo mais johnlennoniano se transforma rapidamente em brutal sede de sangue humano. No blog do Orlando Tambosi, um comentarista anônimo irritado com o "genocídio em Gaza" afirma:

Espero que o Irã desenvolva logo sua bomba atômica, pois só assim a região finalmente terá paz. A paz atômica. (*)

Preocupado com a morte de algumas centenas, o pacifista deseja como "solução" a morte de milhões. Alias, acho que isso define bem o que é um pacifista.

Blog do Mr X

Israel e o eixo do mal

A Coreia do Norte fica a meio mundo de distância de Israel. Mesmo assim, o teste nuclear que ela realizou no dia 25 de maio de 2009 colocou os responsáveis pela defesa de Israel em alerta máximo, enquanto seus oponentes iranianos ficaram sorridentes como o gato de Cheshire (personagem de Alice no País das Maravilhas).

Entender por que isso acontece é a chave para se compreender o perigo representado por aquilo que alguém chamou, certa vez, de maneira pouco polida, de Eixo do Mal.

Há menos de dois anos atrás, no dia 6 de setembro de 2007, a Força Aérea Israelense (FAI) destruiu uma usina de produção de plutônio construída pela Coreia do Norte em Kibar, na Síria. A instalação destruída era praticamente um clone da usina de produção de plutônio Yongbyon na Coreia do Norte.

Em março de 2008, o diário suíço Neue Zuercher Zeitung informou que o desertor iraniano Ali Reza Asghari, que serviu como general na Guarda Revolucionária do Irã e como vice-ministro da Defesa antes de sua fuga para os Estados Unidos, em março de 2007, revelou que o Irã pagou pela usina nortecoreana. Teerã via a instalação na Síria como uma extensão de seu próprio programa nuclear. De acordo com estimativas israelenses, o Irã gastou entre 1 e 2 bilhões de dólares no projeto.

Pode-se pressupor que funcionários iranianos estavam na Coreia do Norte durante o teste. Nos últimos anos, participantes do programa nuclear iraniano estiveram presentes em todos os testes mais importantes da Coreia do Norte, inclusive na explosão de sua primeira bomba nuclear e no lançamento do míssil balístico intercontinental em 2006.

Além do mais, é provável que a Coreia do Norte tenha realizado algum nível de coordenação com o Irã no que se refere à escolha do tempo mais adequado para seus testes da bomba nuclear e dos mísseis balísticos. É difícil imaginar que seja uma mera coincidência que as ações da Coreia do Norte acontecessem exatamente uma semana após o Irã ter testado seu míssil de combustível sólido Sejil-2, com um alcance de 2 mil quilômetros.

Independentemente de sua proximidade cronológica, a razão principal por que faz sentido pressupor que o Irã e a Coreia do Norte combinaram seus testes é que a Coreia do Norte tem tido um papel central no programa de mísseis do Irã. Embora observadores ocidentais afirmem que o Sejil-2 do Irã tenha base em tecnologia chinesa transferida ao Irã através do Paquistão, o fato é que o Irã deve grande parte de sua capacidade em mísseis balísticos à Coreia do Norte. O míssil Shihab-3, por exemplo, que forma a espinha dorsal da estratégia do Irã, que ameaça Israel e seus vizinhos árabes, é simplesmente uma adaptação iraniana da tecnologia do míssil Nodong da Coreia do Norte. Desde pelo menos o início dos anos 1990, a Coreia do Norte tem prazerosamente proliferado aquela tecnologia entre quem quisesse. Como o Irã, a Síria deve grande parte de seu robusto arsenal de mísseis à proliferação nortecoreana.
Em resposta ao teste nuclear da Coreia do Norte, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse: "O comportamento da Coreia do Norte aumenta as tensões e enfraquece a estabilidade no Nordeste asiático''.

Embora [a afirmação de Obama] seja verdadeira, os laços íntimos da Coreia do Norte com o Irã e a Síria mostram que o programa nuclear nortecoreano, com suas ogivas, mísseis e componentes tecnológicos, não é uma ameaça distante, limitada em alcance à longínqua Ásia Oriental. É um programa multilateral, compartilhado em vários níveis com o Irã e a Síria.

Conseqüentemente, coloca em perigo não apenas países como o Japão e a Coreia do Sul, mas todas as nações cujos territórios e interesses estão ao alcance dos mísseis iranianos e sírios.

Mais que seu impacto sobre a capacidade tecnológica e de equipamentos do Irã, o programa nuclear da Coréia do Norte tem influenciado singularmente a estratégia política iraniana para o avanço diplomático de seu programa nuclear. A Coreia do Norte tem sido pioneira na utilização de uma mistura de agressão diplomática e pseudo-acomodação para, alternativamente, intimidar e persuadir seus inimigos a não reagirem contra seu programa nuclear. O Irã tem seguido assiduamente o modelo de Pyongyang. Além disso, o Irã tem usado a resposta internacional - e especialmente a americana - a várias provocações nortecoreanas ao longo dos anos, para determinar como se posicionar a qualquer momento a fim de fazer avançar seu programa nuclear.

Por exemplo, quando os Estados Unidos reagiram ao teste do míssil balístico intercontinental e ao teste nuclear da Coreia do Norte em 2006 através do restabelecimento de conversações com seis países na esperança de apaziguar Pyongyang, o Irã aprendeu que, ao demonstrar interesse em envolver os Estados Unidos em seu programa de enriquecimento de urânio, poderia ganhar um tempo valioso. Assim como a Coreia do Norte foi capaz de dissipar a determinação de Washington em agir contra ela enquanto ganhava tempo para fazer avançar ainda mais seu programa através das conversações com os seis países, também o Irã, ao aparentemente concordar com um molde para discutir seu programa de enriquecimento de urânio, tem sido capaz de manter os Estados Unidos e a Europa à distância nesses últimos anos.

A resposta impotente da administração Obama ao teste do míssil balístico intercontinental de Pyongyang e sua reação semelhantemente gaguejante ao teste nuclear da Coreia do Norte mostraram a Teerã que já não precisa nem fingir interesse em negociar aspectos de seu programa nuclear com Washington ou com seus parceiros europeus. Enquanto o aparente interesse em alcançar certa acomodação com Washington fazia sentido durante o tempo em que Bush era presidente, quando gaviões e pombas competiam pela atenção do presidente, hoje, com a administração de Obama formada apenas por pombas, o Irã, assim como a Coreia do Norte, entende que não tem nada a ganhar por fingir-se preocupado com a concordância de Washington.

Esse ponto foi esclarecido nitidamente tanto pela resposta verbal imediata do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao teste nuclear nortecoreano, quanto pelo envio provocador de navios iranianos ao Golfo de Aden no mesmo dia. Como disse Ahmadinejad, na opinião do regime iraniano, "a questão nuclear do Irã acabou''.

Não há motivos para se falar mais nada. Assim como Obama tornou claro que não tem intenção de fazer coisa alguma em resposta ao teste nuclear da Coreia do Norte, o Irã também acredita que o presidente não fará nada para impedir seu programa nuclear.

É claro que não é simplesmente a política do governo americano com relação à Coreia do Norte que está sinalizando ao Irã que ele não tem motivos para ficar preocupado com a possibilidade dos Estados Unidos desafiarem suas aspirações nucleares. A política geral dos Estados Unidos para o Oriente Médio, que condiciona a ação americana contra o programa de armas nucleares do Irã à implementação anterior de um acordo de paz impossível de ser realizado entre Israel e os palestinos, torna óbvio para Teerã que os Estados Unidos não tomarão providência alguma para impedir o Irã de seguir os passos da Coreia do Norte para se tornar uma potência nuclear.

Obama, durante sua entrevista à imprensa com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, disse que os Estados Unidos irão reavaliar seu compromisso de apaziguar o Irã ao final de 2009. Logo a seguir foi noticiado que Obama instruiu o Departamento de Defesa a montar um plano para atacar o Irã. Além disso, o chefe do Estado-Maior Conjunto, almirante Michael Mullen, fez recentemente várias declarações avisando sobre o perigo que um Irã com armas nucleares será para a segurança global - e, por extensão, à segurança nacional dos Estados Unidos.

Superficialmente, tudo isso parece indicar que o governo Obama pode estar disposto a realmente fazer algo para impedir o Irã de se tornar uma potência nuclear. Infelizmente, porém, devido ao prazo que Obama estabeleceu, fica claro que, antes que ele esteja pronto para levantar um dedo contra o Irã, a "mullahcracia'' já terá se tornado uma potência nuclear.

Israel avalia que o Irã terá quantidade suficiente de urânio enriquecido para fazer uma bomba nuclear antes do final do ano. Os Estados Unidos crêem que isso poderia demorar até a metade de 2010. Em sua entrevista à imprensa, Obama disse que, se as negociações estiverem fadadas ao fracasso, o próximo passo dos Estados Unidos será expandir as sanções internacionais contra o Irã. Com isso, pode-se pressupor também que Obama permitirá que essa política se mantenha por pelo menos seis meses antes que esteja disposto a reconsiderá-la. A essa altura, com toda probabilidade, o Irã já estará de posse de um arsenal nuclear.

Além do prazo dado por Obama, duas outras manifestações tornaram aparente que, independentemente do que o Irã fizer, o governo Obama não revisará sua política no Oriente Médio: a ênfase é o enfraquecimento de Israel e não o impedimento do Irã adquirir armas nucleares. Primeiro, o jornal israelense Yediot Aharonot informou que, em uma palestra recente em Washington, o general americano Keith Dayton, responsável pelo treinamento de forças militares palestinas na Jordânia, indicou que, se Israel não entregar a Judéia e Samaria dentro de dois anos, as forças palestinas, que ele e outros oficiais americanos estão treinando atualmente a um custo de mais de 300 milhões de dólares, poderiam começar a matar israelenses.

Admitindo a veracidade do relato do Yediot Aharonot, ainda mais perturbadora que a certeza de Dayton de que em breve essas forças treinadas pelos Estados Unidos poderiam começar a matar israelenses, é sua aparente serenidade em face das conhecidas conseqüências de seus atos. A perspectiva de as forças militares palestinas assassinarem judeus não faz com que Dayton repense se é sábio o compromisso dos americanos formarem e treinarem um exército palestino.

A afirmação de Dayton revelou o fato perturbador de que, embora o governo americano esteja completamente consciente dos custos de sua abordagem do conflito palestino com Israel, ainda não está disposto a reconsiderá-la. O secretário da Defesa, Robert Gates, acabou de estender o tempo de serviço de Dayton por mais dois anos, e acrescentou-lhe a responsabilidade de servir como assessor de George Mitchell, o mediador do governo Obama no Oriente Médio.

QUATRO DIAS depois que as observações de Dayton foram publicadas, funcionários de alto nível americanos e israelenses se encontraram em Londres. O propósito anunciado desse encontro foi discutir como Israel vai atender à exigência do governo americano de proibir todo tipo de construção nos assentamentos israelenses na Judéia e Samaria.

O mais notável sobre o encontro foi o momento da sua realização. Ao fazerem a reunião um dia depois que a Coreia do Norte testou sua bomba e que o Irã anunciou sua rejeição da oferta dos Estados Unidos de negociarem a respeito de seu programa nuclear, o governo americano demonstrou que, independentemente do que o Irã faça, o compromisso de Washington de exercer pressão sobre Israel não está sujeito a mudanças.

Tudo isso, logicamente, é música aos ouvidos dos mullahs. Com a impotência da América contra os aliados do Irã - os nortecoreanos - e o inabalável compromisso americano de manter as pressões sobre Israel, os iranianos sabem que não têm motivos para se preocupar com o Tio Sam.

Quanto a Israel, é positivo que as Forças de Defesa de Israel tenham realizado o maior exercício de defesa civil na história do país. A partir do teste nuclear da Coreia do Norte, da audaciosa belicosidade do Irã e da traição da América, fica claro que o governo israelense não pode fazer coisa alguma para impactar as políticas de Washington com relação ao Irã. Nenhuma destruição de assentamentos judaicos convencerá Obama a agir contra o Irã.
Hoje Israel está sozinho contra os mullahs e sua bomba. E isso, assim como a decisão dos Estados Unidos de abandonarem sua oposição ao Eixo do Mal, não está sujeito a mudanças.



Caroline Glick nasceu nos EUA e emigrou para Israel em 1992. Como capitã do exército israelense, ela fez parte da equipe de negociações com os palestinos de 1994 a 1996. Mais tarde, serviu como conselheira-assistente de política externa do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (durante seu primeiro mandato, de 1997 a 1998). A seguir, fez mestrado na Universidade Harvard. Após retornar a Israel, foi comentarista diplomática e editora de suplementos sobre questões estratégicas no jornal Makor Rishon. Desde 2002, é vice-editora e colunista do jornal The Jerusalem Post. Seus artigos têm sido reproduzidos em muitas outras publicações e suas opiniões são amplamente respeitadas. Seu site é www.carolineglick.com







Escrito por: Caroline Glick, Editora Especial e Colunista do Jerusalem Post. Tradução: Noticias de Israel

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