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terça-feira, 9 de junho de 2009

Obama confia nos árabes

O enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, afirmou nesta segunda-feira que o presidente Barack Obama quer "todo o esforço" na retomada do diálogo de paz entre os israelenses e os palestinos e quer a fundação rápida de um Estado palestino que seja "independente e viável".


Nesta segunda-feira, Mitchell compareceu a uma conferência de doadores de palestinos, em Oslo (Noruega), e reforçou a necessidade de dar apoio para a Autoridade Nacional Palestina (ANP), do líder Mahmoud Abbas, cuja autoridade não é reconhecida pelo grupo radical islâmico Hamas, que domina a faixa de Gaza.


"É importante que sejam construídas instituições e um governo para que, em breve, possa haver um independente e viável Estado palestino."


O ex-senador americano, considerado um dos artífices da paz na Irlanda do Norte, viaja nesta semana para o Oriente Médio, em sua quarta visita à região desde que assumiu a função, em janeiro passado. De acordo com Mitchell, seu papel será o de "normalizar as relações" entre Israel e vizinhos, o que serve "aos interesses de segurança dos EUA".


Na semana passada, em seu discurso ao mundo muçulmano, no Cairo, Obama pressionou Israel publicamente a aceitar um Estado palestino, dizendo ser o "único meio de atender as aspirações de ambos os lados". "Que não fiquem dúvidas: a situação do povo palestino é intolerável. Os EUA não vão dar as costas para a legítima aspiração dos palestinos por dignidade, oportunidade e um Estado seu."


O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou que irá apresentar os "princípios" de sua "política de paz e segurança" em um discurso que será realizado nos próximos dias. Ele tem evitado falar na criação de um Estado palestino independente e afirmou que "não é razoável" o pedido de Obama para congelar as colônias judaicas estabelecidas em territórios palestinos ocupados na Guerra dos Seis Dias (1967).


Nesta segunda-feira, Abbas, descartou a retomada das negociações de paz enquanto Israel não aceitar a solução baseada na criação do Estado palestino. "Sobre que base negociar se é recusada uma solução baseada em dois Estados?", questionou Abbas em Ramallah, que é considerada sede do governo da ANP na Cisjordânia.


O presidente da ANP ainda pediu que Israel "respeite os compromissos previstos na primeira etapa do Mapa do Caminho que estipula o fim da colonização, incluindo o crescimento natural, o fim das colônias ilegais e a reabertura de instituições palestinas em Jerusalém". O Mapa do Caminho é o plano de paz americano que norteia as negociações do conflito desde 2003. Ele prevê a criação de um Estado palestino vizinho a Israel.


France Presse, Reuters e Associated Press

Comentário:

O que eu acho mais interessante nessa história, é que se pressiona só Israel, como se os judeus fossem culpados pelo drama palestino. Até hoje eles não cumpriram nenhum dos ítens dos acordos. Israel saiu de Gaza e ganhou foguetes na cabeça. Abbas é um grande mentiroso e aproveitador. Alguém acha que eles querem fundar um país e perder a mamata dos donativos.

Os judeus sabem que confiar em árabes nunca deu certo. Aqueles com toalha na cabeça que o Aluisio Amorim fala. Obama está caindo na conversa de terroristas que sonham em destruir Israel.


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Israel e Palestinos


Se você ainda não conseguiu entender o conflito Israel X Palestinos clique abaixo e entenda
um pouco mais. Nós sabemos que para quem não está diretamente envolvido é muito dificil
saber quem é quem
Leia sobre o conflito

Como se modificam as notícias

Reza a lenda que um dia alguém teve a idéia de publicar um jornal diário que só trazia boas notícias. Segundo a mesma lenda, o jornal faliu em pouco tempo. Motivo? Boa notícia não vende.

O conto em questão é do repertório de todo professor de comunicação. Nas aulas, segue-se quase sempre o alerta de que se notícia boa não vende, as más notícias também têm seu lado b. Pelo menos teoricamente, o sensacionalismo é o maior veneno do profissional de imprensa. No entanto, o tal do sensacionalismo parece conquistar cada dia mais terreno até na dita “mídia séria”.

O Jornalista Victor Grinbaum analisa um dos casos mais estarrecedores de sensacionalismo e manipulação de fatos sobre o conflito do Oriente Médio nos veículos de comunicação dos últimos tempos.

Todo esse nariz de cera é para falar de uma velha mania das redações quando se trata do noticiário acerca de Israel. Muito já se falou nesta página sobre a “fórmula mágica” que transforma vítimas em algozes e vice-versa. Exemplo: em Jerusalém um homem toma a direção de um carro e o atira contra pedestres. Um policial mata o motorista. Manchete: “Israelense mata motorista palestino”.

Como muito já se falou sobre isso, seria até inútil de minha parte insistir no caso. Mas vejam vocês como o hábito vira vício. A agência de notícias EFE divulgou no dia 2 de junho de 2009 uma notícia cuja manchete era “Israelense mata árabe a tiros na Cidade Velha de Jerusalém”. Para olhos cansados como os meus, imaginei que fosse mais uma daquelas reportagens sobre alguma ação terrorista frustrada por um soldado sendo vendida como uma execução pura e simples.

Mas uma vez sensacionalista...

A história completa vinha logo abaixo. E ali estava patente como a manchete se propunha a lograr o leitor distraído. Vamos ao texto na íntegra:

Um árabe foi morto e um israelense ficou ferido nesta segunda-feira, nos arredores da Cidade Velha de Jerusalém. Um israelense de 48 anos foi preso e confessou os crimes.

De acordo com a polícia, o homem fazia meditação em um templo da Cidade Velha quando um árabe se aproximou. O israelense disse ter pensado que seria atacado, sacou a arma e atirou. O árabe morreu no local.

O porta-voz da polícia em Jerusalém, Shmuel Ben Robi, afirmou que o suspeito ainda atirou em outro israelense, que foi internado com ferimentos graves. "Pouco depois, encontrou outros dois homens judeus que lhe pediram um cigarro e, segundo ele, também pensou que seria atacado e baleou um deles".

Os primeiros disparos aconteceram durante a madrugada na praça Tzahal, enquanto o segundo ataque ocorreu na rua de Hanevim, na região central. A polícia investiga o que levou o homem a reagir de forma desmedida à aproximação dos estranhos.

A polícia considera a mais provável a hipótese de que o autor do assassinato "sofra de problemas mentais". De acordo com o porta-voz policial, será pedida uma análise do estado de saúde mental do acusado.

Resumo da ópera: um desequilibrado feriu quatro pessoas. Todas elas israelenses. Três judeus e um muçulmano. O muçulmano, por azar, foi a única vítima fatal do ataque, que foi preso pela polícia local. Um caso infelizmente banal e comum em qualquer canto do mundo onde haja pessoas desequilibradas mentalmente. Mas a manchete prefere priorizar as identidades étnicas dos envolvidos e vender uma falsa idéia de que o caso em questão guarda conexão com o conflito árabe-israelense.

Parece-lhe banal? Pois vamos voltar ao exemplo:

Na década de 90, os Estados Unidos passaram meses acompanhando o julgamento do ex-astro esportivo O.J. Simpson, acusado de assassinar a própria esposa e um homem que seria seu amante. Imaginem se o crime fosse noticiado da seguinte forma: “Negro mata dois brancos nos EUA”?

Seria uma ousadia que nem nos piores tempos da discriminação racial nos EUA seria tolerada na imprensa. No entanto, um crime rotineiro em Jerusalém precisa ser noticiado sob uma ótica étnica, portanto racista.

A deturpação causada pelo título malicioso é tão reprovável quanto seria no caso de o atirador ser árabe e as vítimas judias. E a questão do conflito entre pessoas destas duas identidades nada tem a ver com um caso isolado de violência urbana.

Inconscientemente, o ato falho dos redatores das agências noticiosas deixa evidente o pendor racista de boa parte da imprensa. Ao mascarar uma notícia banal, essa parcela da mídia desvela um rosto que é cada vez mais difícil de ser ocultado.

De Olho na Mídia

O fim de um jornal melhor que seus donos


Por Thales Guaracy em 2/6/2009

Reproduzido do portal Comunique-se, 29/5/2009; intertítulos do OI

A imprensa anda de luto pela Gazeta Mercantil, o jornal que vem estertorando nas mãos da CBM, Companhia Brasileira de Multimídia, de Nelson Tanure. Seu fim não se dá pela crise da imprensa, que vai abalando grandes jornais do mundo, a começar pelo New York Times, nos Estados Unidos, com a prevalência crescente da internet sobre a mídia impressa. É apenas um caso de má administração e incompreensão da natureza de um negócio. Com a Gazeta, vai se encerrando parte da história do jornalismo brasileiro, mas ela ainda nos dá uma lição, sua última contribuição para o futuro.


Comecei a trabalhar na Gazeta em 1986, recém-saído da faculdade, depois de rápido estágio na TV Bandeirantes. Instalada num edifício da rua Major Quedinho, a Gazeta era um jornal venerável, considerado leitura obrigatória no mundo profissional. Sua circulação era menor que a da Folha de S.Paulo e de O Estado de S.Paulo, porém seu público era mais qualificado.


Possuía também um braço na TV, o programa Crítica e Autocrítica, capitaneado pelo seu diretor editorial, Roberto Muller, que ia ao ar no domingo à noite. Era uma alternativa para o público que queria ver uma conversa mais séria, ainda que às vezes meio sonolenta, em lugar das mesas redondas de futebol.


Na redação do jornal, havia uma constelação de estrelas do jornalismo, a começar pelo seu diretor, Matías Molina, o secretário de redação, Alexandre Gambirasio, e um time de repórteres tratados como primas-donas: Celso Pinto, José Casado, Getúlio Bittencourt, entre outros – todos premiados e com vasta folha de serviços prestados ao jornalismo brasileiro.


Questão de preferência


A Gazeta era não apenas um grande jornal de negócios, como uma escola de jornalismo. Isso incluía princípios como a imparcialidade e a honestidade absolutas; a obsessão pela informação correta, segundo elemento essencial para a credibilidade; a busca incansável pela notícia exclusiva, que fazia a diferença.


A disputa aberta e estimulada entre os repórteres pelo espaço da primeira página era uma forma de garantir a perseguição permanente pela qualidade, num mercado em que ainda não havia concorrentes importantes. A Gazeta valorizava o jornalista, que assinava todas as suas reportagens e era tratado como patrimônio da casa, a própria essência do negócio.


Parecia um negócio inexpugnável, e teria sido, não fossem os seus proprietários: a família Levy, cujo patrono, o deputado federal Herbert Levy, deixara a administração do jornal ao filho Luiz Fernando para cuidar de suas atividades políticas. A gestão fez da Gazeta Mercantil o único órgão de imprensa em que trabalhei a atrasar salário. Porto seguro para a publicidade de bancos e outras empresas que tinham no jornal um veículo perfeito, o mal uso dos recursos fazia com que volta e meia a empresa entrasse em dificuldades.


Por sorte, naquela época, havia um grupo de empresários que, nos momentos mais difíceis, socorriam o jornal. Sabiam que ele era melhor que os seus donos. Agiam não por amizade, compromisso, ou mesmo medo, mas pelo entendimento de que o serviço prestado pela Gazeta era importante e insubstituível para a comunidade de negócios e o país.


Assim, o jornal prosseguiu não por causa de seus criadores, mas apesar deles; pertencia não a uma família, mas à sociedade. Sempre foi respeitado muito graças ao espírito de corpo dos jornalistas que nele trabalhavam, enquanto seus proprietários eram tratados com reserva.


Lembro de certa tarde em que eu, ainda um repórter principiante, fui fazer uma entrevista com o então diretor do Banco Central, Wadico Bucchi, em São Paulo. Encontrei Luiz Fernando Levy já na ante-sala, à espera de uma audiência. Levy continuou esperando, enquanto eu entrei na sua frente, atendido primeiro.


Para Bucchi, o repórter principiante merecia preferência em relação ao dono do próprio jornal onde trabalhava. Ele sabia que eu estava ali em busca de notícia, fazendo meu serviço para uma publicação de prestígio. Levy estava lá para pedir alguma coisa.


Matéria essencial


Quando o mercado se torna mais difícil, uma má gestão fica mais evidente e faz a diferença, sempre para pior. Surgiu o Valor Econômico, um concorrente que tomou da Gazeta boa parte de seu principal ativo: os jornalistas. A empresa mergulhou em dívidas e mesmo os seus mais antigos defensores desistiram de salvá-la. Acossado pelos credores, Levy entregou o título a Nelson Tanure, empresário do ramo de transportes, que resolveu investir em comunicação e cobriu-lhe dívidas.


Tanure não tem a mesma familiaridade com as qualidades que fizeram da Gazeta um grande veículo e poderiam recuperá-la. E anunciou que fecharia o jornal por conta da cobrança na Justiça de dívidas trabalhistas anteriores à sua gestão e que, segundo explicou no próprio jornal, não lhe dizem respeito.


Há hoje uma onda de empresários que arriscam tornar-se editores sem compreender a dependência desse negócio de sua matéria-prima essencial – gente. A Gazeta teve seus quadros reduzidos, os salários aviltados. A qualidade do jornal era até miraculosa, dadas as condições de trabalho.


Convicção reafirmada


O que assusta hoje na imprensa não é a mudança da mídia impressa para a digital. A verdadeira ameaça ao negócio é a entrada de gente com dinheiro e ousadia, mas sem conhecimento do riscado – sobretudo, da importância da separação entre Igreja e Estado. Para mercadores vindos de outras áreas é difícil aceitar que não se barganha conteúdo jornalístico por dinheiro, e que a credibilidade, que exige o sacrifício do ganho fácil, é a fonte do sucesso duradouro nesse tipo de negócio.


A Gazeta virará agora uma embrulhada jurídica para que se saiba quem pagará as contas, se Levy ou se Tanure – um tipo de disputa à qual ambos, por sinal, estão habituados. Esse, porém, não é o verdadeiro fim da história. Jornal que sempre analisou em suas reportagens as causas do sucesso e do fracasso empresarial, a Gazeta fez de sua própria trajetória uma parábola do assunto que explorava.


Em sua agonia, a Gazeta deixa como ensinamento o que é capaz de levantar e também derrubar um negócio de comunicação, não importa qual seja sua plataforma – o papel, a TV ou o mundo virtual. E, nesses tempos tão cheios de dúvidas sobre o futuro do negócio da informação, reafirma a convicção de que, enquanto os bons princípios do jornalismo forem praticados, sempre haverá uma imprensa livre e economicamente forte para proteger a sua e a nossa liberdade.

Hesbolah perde eleição no Libano

O Líbano é um país de dez mil quilômetros quadrados e quatro milhões de habitantes que contém todas as questões do Oriente Médio. Centenas de milhares de palestinos estão sob condição de refugiados.



Renasceu depois da 1ª Guerra Mundial Guerra Mundial em uma decisão da França que recebeu um mandato da Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Tornou-se independente em 1943, com um “sui-generis” sistema democrático.


Realizam-se eleições livres, como no domingo, porém, o presidente tem de ser católico maronita, o primeiro ministro e chefe do governo deve ser um muçulmano da seita sunita, já o presidente da Assembléia Legislativa tem de ser um xiita e assim por diante.


Durante longo prazo, a divisão dos 128 lugares da Assembléia Legislativa era de seis cristãos para cinco muçulmanos. Em certo ponto explodiu guerra civil que durou 25 anos até terminar num acordo da divisão da Assembléia igualmente entre cristãos e muçulmanos.


No pleito os 600 candidatos registrados dividiram-se entre a “Frente 14 de Março” de simpatizantes dos Estados Unidos e congregando os sunitas e varias seitas cristãs. E “Frente 8 de Março”, de maioria xiita tendo um líder católico maronita de aliado. É a frente dominada pelo Hizbaláh,Partido de Deus,com sua milícia mais poderosa e bem armada do que as forças do governo. É para o Irã. Foi um pleito para o povo escolher entre o Ocidente e o Irã. Os Estados Unidos deixaram claro que suspenderiam toda a assistência econômica na hipótese da vitória
da “Frente 8 de março”.


Em 2005, as forças sírias estacionadas no país que praticamente dominavam foram forçadas pela chamada Comunidade Internacional a se retirarem.Desde então forte segmento da sociedade civil viu a possibilidade de um novo contrato social, uma ordem de mais unidade.Mas seria essencial o desarmamento do Hezbollah para que existissem as condições de liberdade para o debate.O Partido de Deus rejeitou tal hipótese.


Na madrugada, antes de resultados oficiais, o porta-voz do Hezbollah previa que seu lado fora derrotado. Vencera a Frente liderada por Hariri, filho de primeiro ministro assassinado. Seria igualmente derrota do Irã, pois fracasso do presidente Ahmadinejad.


A previsão é a de que os resultados eleitorais levarão o país a um período de instabilidade até a formação do novo governo. Até um novo conflito pode acontecer, escreve Ayten Tartici, do Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos.

Uma Rápida e Dura Guinada contra Israel

A já muito antecipada reunião entre Barack Obama e Binyamin Netanyahu no dia 18 de maio, transcorreu tranquilamente, um tanto tensa, conforme previsto. Todos se comportaram da melhor maneira e o evento chamou tão pouca atenção que o New York Times referiu-se a ela na página 12.


Contudo, como já era esperado, imediatamente após o encontro as luvas de pelica foram tiradas, com uma série de duras exigências americanas, especialmente a insistência da Secretária de Estado dos Estados Unidos Hillary Clinton em 27 de maio, de que o governo de Netanyahu cesse a construção de residências para israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. . Isto provocou uma resposta desafiadora. O presidente da coalizão do governo israelense destacou o erro de "ditames americanos" anteriores, um ministro comparou Obama ao faraó e o diretor do gabinete de imprensa do governo atrevidamente zombou "dos residentes do território iroquês por assumirem que têm o direito de determinar onde os judeus devem viver em Jerusalém".


Se os pormenores de quem vive onde tem pequena importância estratégica, a rápida e dura guinada da administração Obama contra Israel tem potencialmente grande significado. A administração não só pôs fim ao enfoque das mudanças no lado palestino realizadas por George W. Bush como até desconsiderou entendimentos verbais a que Bush chegou com Ariel Sharon e Ehud Olmert.


Yasir Arafat sorri enquanto Barack Obama se encontra com Mahmoud Abbas em julho de 2008.

Um artigo de Jackson Diehl no Washington Post capta esta mudança de maneira brilhante. Diehl observa, baseado na entrevista com Mahmoud Abbas da Autoridade Palestina, que através de ênfases repetitivas e públicas da necessidade de um congelamento das construções na Cisjordânia, sem exceções por parte de Israel , Obama

reviveu uma fantasia palestina, dormente há muito tempo: a de que os Estados Unidos irão forçar Israel a fazer concessões críticas, não importando se o seu governo democrático concorda ou não, enquanto os árabes assistem e aplaudem. Os americanos são os líderes do mundo... Eles podem usar seu peso com qualquer um ao redor do mundo. Dois anos atrás eles usaram seu peso sobre nós. Agora eles deveriam dizer aos israelenses, "Vocês têm que respeitar as condições".


É claro, dizer aos israelenses é uma coisa e conseguir sua aquiescência é algo completamente diferente. Para isso Abbas também tem uma resposta. Esperar que Netanyahu aceite um completo congelamento nas construções acabaria com sua coalizão, Diehl explica que Abbas planeja "ficar sentado com os braços cruzados e assistir os Estados Unidos espremer lentamente o primeiro ministro israelense para fora de sua função". Uma autoridade da Autoridade Palestina previu que isso acontecerá "em um par de anos" – exatamente quando se acredita que Obama espera o estabelecimento de um estado palestino.


Enquanto isso, Abbas pretende não ceder. Diehl explica seu modo de pensar:


Abbas rejeita a noção de que ele deva fazer qualquer concessão comparável – tal como reconhecer Israel como um estado judaico, o que implicaria na renúncia de qualquer reassentamento em larga escala de refugiados. Ao contrário, diz ele, Abbas permanecerá passivo... "Eu vou esperar Israel congelar os assentamentos". "Até antão, na Cisjordânia nós temos uma boa realidade... o povo está levando uma vida normal".


A idéia de "vida normal" de Abbas, deve-se acrescentar, também é algo fornecido por Washington e seus aliados; os palestinos da Cisjordânia recebem de longe a maior ajuda externa per capita comparado com qualquer outro grupo no mundo; em apenas uma "conferencia de doadores" em dezembro de 2007, por exemplo, Abbas recebeu promessas de mais de 1.800,00 dólares por habitante da Cisjordânia por ano.


Diehl conclui laconicamente, "Na administração Obama, até agora, é fácil ser palestino".


Mesmo que se ignore a estupidez de se focar nos moradores de Jerusalém aumentando o número de quartos de recreação às suas casas em vez dos iranianos aumentando o número de centrífugas a sua infraestrutura nuclear e mesmo que se faça vista grossa à óbvia contra produtividade de se deixar Abbas livre, leve e solto – a nova postura dos Estados Unidos está fadada ao fracasso.


Primeiro, o governo de coalizão de Netanyahu deverá se mostrar impérvio à pressão dos Estados Unidos. Quando ele formou o governo em março de 2009, ele continha 69 parlamentares dos 120 membros do Knesset, bem acima do mínimo de 61. Mesmo que o governo dos Estados Unidos consiga produzir um racha nos dois partidos menos comprometidos com os objetivos de Netanyahu, o Trabalhista e o Shas, ele poderia substituí-los com os partidos de extrema direita e os religiosos para manter uma sólida maioria.


Segundo, os arquivos mostram que Jerusalém assume "riscos pela paz" somente quando confia em seu aliado americano. Uma administração que abala esta frágil confiança provavelmente se verá confrontada com uma liderança israelense relutante e cautelosa.


Se Washington continuar no seu presente curso, o resultado poderá bem ser um espetacular fracasso de política que consiga ao mesmo tempo enfraquecer o único aliado estratégico da América no Oriente Médio quanto aumentar as tensões árabe-israelenses.

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