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sábado, 20 de junho de 2009

Por Sarney, Lula desafia a Constituição

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Brasília tornou-se uma ilha da fantasia para deputados e senadores, que usam seus cargos de representantes do povo para locupletar-se e obter vantagens para seus apaniguados.


O corolário evidente é que a capital se transformou numa imagem de pesadelo para os que pagam a conta: nós, os milhões de contribuintes; nós, as dezenas milhões de pessoas comuns.


É tal o resumo da ópera brasiliense - eles, os poderosos, os "incomuns", se lixam cada vez mais para a opinião pública, para os bons modos, para a Constituição. Minam, assim, a crença na democracia e os alicerces de uma nação que almeja a civilização.



Esse espetáculo deprimente teve outra cena triste na semana passada. Seu protagonista: o presidente Lula. Desde que se viu na contingência política de ter que defender os crimes dos seus partidários envolvidos no mensalão, Lula teve que entregar a bandeira da ética - que ele empunhou com desenvoltura antes de chegar ao Palácio do Planalto.



A rendição do presidente se deu naquela célebre entrevista concedida em Paris, em 2005, nos tempos em que a corrupção causava ainda algum constrangimento. Sem os corretivos vindos de cima, a turma do baixo, do médio e do alto clero da base aliada sentiu-se mais livres do que nunca. Sempre que um de seus membros está prestes a se afogar, eis que surge o presidente, solidário, oferecendo o conforto de suas palavras amigas.

Nem precisa ser compadre de pitar cigarrilha, como o leal companheiro Delúbio Soares, estrela do mensalão. Pode ser do PMDB, do PP ou do PTB. Pode até ser, vá lá, um "grande ladrão", adjetivo com o qual Lula descrevia o senador José Sarney quando este era presidente da República.

Há cinco meses, o Congresso Nacional enfrenta uma infindável onda de escândalos. Ela envolve parlamentares e altos funcionários com mordomias, nepotismo e suspeitas de corrupção.


Aos 79 de idade, 54 de política, Sarney, o mais longevo e experiente dos políticos brasileiros, é apontado como mentor e beneficiário da máquina clandestina que operava a burocracia do Senado. Inerte diante das denúncias, o senador tentou defender-se no plenário, com argumentos tão frágeis quanto os azulejos portugueses de São Luís. Do Cazaquistão, onde se encontrava em visita oficial, Lula atirou-lhe a bóia.

"O senador tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum", disse o presidente. E continuou: "Não sei a quem interessa enfraquecer o Poder Legislativo no Brasil. Quando o Congresso foi desmoralizado e fechado, foi muito pior para a democracia". Não satisfeito, acrescentou: "Eu sempre fico preocupado quando começa no Brasil esse processo de denúncias, porque ele não tem fim e depois não acontece nada".


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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Espiões Famosos

por Roberto Navarro

Antes de mais nada, é bom esclarecer que um espião famoso não é, necessariamente, um dos melhores na sua profissão.

Afinal, como um dos segredos dessa função é não ser descoberto, os verdadeiros reis da espionagem são aqueles que permanecem no anonimato, certo?

Tirando esse detalhe, os oito agentes secretos que reunimos na galeria ao lado ficaram famosos bisbilhotando coisas entre o século 16 e o século 20. Mas o jogo de espionagem começou bem antes disso. O livro A Arte da Guerra, atribuído ao general chinês Sun Tzu, já identificava, no distante século 4 a.C., os tipos de espiões usados pelos estrategistas da época.

Ainda na Antiguidade, de acordo com a Bíblia, Moisés foi orientado por Deus a enviar 12 agentes para espionar seus inimigos em Canaã, a terra prometida dos judeus. Mas essa foi, digamos, uma fase "amadora" da espionagem.

A profissionalização aconteceu pra valer a partir do século 15, quando vários países europeus formaram organizações para obter informações no exterior, infiltrar-se em grupos dissidentes e proteger segredos nacionais.

No século 20, nações como União Soviética, Alemanha e Japão criaram agências nacionais de inteligência - nome dado aos órgãos que funcionam com amparo legal. Nos Estados Unidos, a primeira foi a OSS (sigla em inglês para Escritório de Serviços Estratégicos), criada durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1947, após o fim da guerra, a OSS foi rebatizada como CIA (Agência Central de Inteligência), que dividiu com a soviética KGB (Comitê de Segurança do Estado) a responsabilidade pelos principais casos de espionagem durante a Guerra Fria.

No fim da década de 1980, com o fim das tensões entre as duas superpotências, muitos agentes passaram a trabalhar nos bastidores de grandes operações industriais e comerciais.

Identidades reveladas



O brasileiro José Anselmo dos Santos foi agente duplo durante a ditadura militar


KIM PHILBY (HAROLD ADRIAN RUSSELL PHILBY)



PAÍS - Inglaterra


ATUAÇÃO - Na Guerra Fria (a partir de 1945)


FICHA DE SERVIÇOS - Philby entrou para o serviço secreto britânico na década de 1940. Como era comunista, tornou-se agente duplo, revelando aos soviéticos os detalhes da espionagem de seu país natal


TOP SECRET - Depois de fugir para Moscou, em 1963, virou coronel da KGB, o serviço secreto soviético. Foi responsável pela execução de dezenas de espiões ocidentais que atuavam no país


SIR FRANCIS WALSINGHAM


PAÍS - Inglaterra


ATUAÇÃO - No início da era da espionagem "profissional" (século 16)


FICHA DE SERVIÇOS - Após Elizabeth I assumir o trono, em 1578, Walsingham organizou um serviço secreto capaz de obter informações sobre governos estrangeiros em um período de grande rivalidade entre as principais potências européias, como Espanha, França e Inglaterra


TOP SECRET - Criou uma organização que desenvolveu, entre outros truques, códigos e instrumentos para enviar e decifrar mensagens secretas


JULIUS e ETHEL ROSENBERG


PAÍS - Estados Unidos


ATUAÇÃO - Na Guerra Fria (a partir de 1945)


FICHA DE SERVIÇOS - O casal entregou à União Soviética segredos militares obtidos por Julius, que trabalhava no exército dos EUA. Ambos foram presos em 1950 e, três anos depois, acabaram executados na cadeira elétrica


TOP SECRET - O irmão de Ethel, funcionário do Projeto Manhattan, que construiu a primeira bomba atômica, forneceu ao casal informações sobre armas nucleares. Os relatórios acabaram nas mãos dos soviéticos


VIOLETTE SZABO


PAÍS - Inglaterra


ATUAÇÃO - Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945)


FICHA DE SERVIÇOS - Durante a guerra, Violette foi recrutada pelo serviço secreto britânico para espionar os alemães. Capturada e torturada pelos inimigos, jamais revelou detalhes das suas missões. Foi executada em 1945


TOP SECRET - Numa das vezes em que foi presa pelos alemães, o trem que a levava para um campo de concentração foi atacado e descarrilou. Ao invés de fugir, ela ficou ao lado dos prisioneiros feridos


MATA HARI (MARGARETHA GEERTRUIDA MACLEOD)


PAÍS - Holanda


ATUAÇÃO - Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918)


FICHA DE SERVIÇOS - Em 1916, teria sido contratada pelos alemães para obter informações militares durante viagem à França. Capturada pelo inimigo, mudou de lado várias vezes. No ano seguinte, foi condenada à morte e fuzilada pelos franceses


TOP SECRET - Seu apelido significa "olho do dia" em malaio. A sensualidade era sua principal arma. Tornou-se amante de comandantes alemães e franceses para obter informações secretas


CABO ANSELMO (JOSÉ ANSELMO DOS SANTOS)


PAÍS - Brasil


ATUAÇÃO - Durante a ditadura militar (1964-1985)


FICHA DE SERVIÇOS - Acusado de promover a indisciplina militar, ele - que, apesar do apelido, tinha a patente de marinheiro - se exilou em Cuba e no Chile após o golpe de 1964. Quando voltou ao Brasil, em 1971, passou a delatar companheiros que lutavam contra a ditadura, atuando como agente duplo nos dois anos seguintes


TOP SECRET - Suspeita-se que a CIA tenha usado seus serviços para defender os interesses norte-americanos no Brasil, mas isso nunca foi confirmado

HAROLD WORDEN


PAÍS - Estados Unidos


ATUAÇÃO - Área de espionagem industrial, nas décadas de 1970 e 80

FICHA DE SERVIÇOS - Após trabalhar 30 anos para a Kodak, Worden se aposentou e abriu uma firma de consultoria. Era tudo fachada para vender informações sobre os processos industriais da Kodak


TOP SECRET - Não chegou a ser julgado como espião, mas reconheceu sua culpa em delitos menores e foi preso em 1997. Depois de libertado, foi obrigado pela polícia a usar um bracelete que monitorava suas atividades

A Morte de Hitler

A MORTE DE HITLER

By Luiz Nazario
Raio-x da cabeça de Hitler (The National Archives, Londres, CN 4/13).

Raio-x da cabeça de Hitler (The National Archives, Londres, CN 4/13).


Às 15h30 do dia 30 de abril de 1945, no seu Bunker, o ditador nazista Adolf Hitler, após planejar seu fim em todos os detalhes, matou-se com um tiro enquanto Eva Braun se envenenava engolindo uma cápsula de cianureto. O planejamento incluía 180 litros de combustível a serem usados para queimar os dois corpos. Hitler estava assustado com a notícia da morte de Benito Mussolini e temia cair vivo nas mãos do Exército russo. Antes de matar-se, apertou a mão dos funcionários do Bunker, entre os quais a de sua secretária particular Traudl Junge. Pouco depois, quando esta dispensava cuidados ao pequeno Helmut, filho do Ministro de Propaganda, Joseph Goebbels, ela ouviu o tiro. Os cinco filhos de Goebbels seriam em seguida envenenados pela mãe, antes que o casal se suidasse também com cápsulas de cianureto.


O cadáver de Hitler foi cremado no Bunker em 1945, mas não totalmente. Com as tropas soviéticas obcecadas em encontrar Hitler, grupos competiam numa verdadeira caça ao troféu, até que um soldado do Exército Vermelho, sete horas e meia depois do suicídio, encontrou os corpos de Hitler e Eva Braun, lançados numa cratera aberta por uma bomba explodida perto do Bunker. Os especialistas forenses ficaram maravilhados ao perceber que as arcadas dentárias do líder nazista estavam intactas: “Essas são as chaves”, disse um deles. Os corpos foram enterrados num terreno de Magdeburgo, em zona sob jurisdição soviética e de acesso proibido pela KGB. Foram conservados, porém, o crânio com o buraco da bala e as arcadas dentárias de Hitler. O Coronel Vassily Gorbushin, chefe da inteligência soviética, encarregado da identificação dos restos presumidos de Hitler, incumbiu a jovem Elena Rzhevskaya, junto com dois oficiais superiores, de levar as mandíbulas de Hitler, através da assistente Käthe Häusermann, ao dentista do Führer, Hugo Blaschke.


Nas ruínas de Berlim, segurando uma pequena caixa, Rzhevskaya presenciou a capitulação a 8 de maio de 1945, quando o alto comando alemão rendeu-se às forças russas, britânicas e americanas. Havia rivalidades entre os vencedores desde o momento da vitória, e elas prosseguiriam durante a Guerra Fria. Apenas os dois oficiais que a acompanhavam sabiam o que Rzhevskaya carregava na caixinha. E ela celebrou a vitória bebendo com os colegas, a taça de vinho numa das mãos, na outra a caixinha com as mandíbulas de Hitler. Finalmente encontrado, o dentista confirmou serem aquelas arcadas as de seu paciente. Rzhevskaya só revelou sua missão secreta em 1960, quando publicou um livro contando a história. “Para mim foi um momento de imensa solenidade e emoção, era vitória”, ela declarou ao The Guardian, entrevistada em 2005, aos 85 anos de idade.


Lev Bezymenski, oficial da inteligência soviética, escreveu em Der Tod von Adolf Hitler, que a KGB ordenara-lhe a criação de versões diferentes da autópsia de Hitler para fins de propaganda. Parece que Josef Stalin desejava cercar a morte de Hitler de mistério. Mas o grande historiador inglês Hugh Trevor-Roper, em seu livro The Last Days of Hitler (“Os últimos dias de Hitler”), publicado em 1947, pode reconstituir os fatos dessa morte mesmo sem acesso aos arquivos soviéticos, pois obteve, como oficial MI6, os raios-X da cabeça de Hitler, e os comparou com os esboços das mandíbulas que o dentista Hugo Blaschke desenhara de memória, comprovando a coincidência.


Em 1960, até o revisionista inglês David Irving chegou às mesmas conclusões comparando as fotos da KGB das mandíbulas de Hitler encontradas no Bunker, as chapas de raio-X e o desenho do dentista: todas as provas coincidiam, estabelecendo definitivamente a identidade do morto. Em 1970, o especialista forense norueguês Dr. Reidar Sognnaes, examinando os mesmos documentos, chegou mais uma vez às mesmas conclusões.


Em 1970, os soviéticos desenterraram os restos de Hitler por ordem de Yuri Andropov, então chefe da KGB. O objetivo era cremar totalmente o que restasse do Führer para que o corpo não pudesse tornar-se um objeto de culto. Em reportagem de abril de 1995, a revista alemã Der Spiegel reproduziu uma carta datada de 13 de março de 1970, enviada por Andropov ao então secretário-geral do PC soviético, Leonid Brejnev, justificando as medidas. As cinzas de Hitler foram então espalhadas no rio Elba. Era a “operação Mito”. O crânio de Hitler foi, contudo, conservado na URSS: em 1993, a FSB, revista oficial dos serviços de segurança russos, divulgou que o órgão ainda mantinha aquela “relíquia”, assim como seus trajes militares e objetos de líderes nazistas – broches, estojos para cigarros e jóias – encontrados no Bunker. Segundo o chefe da KGB na antiga Alemanha Oriental, Serghei Konratschov, as mandíbulas e parte do crânio estariam guardadas em Moscou numa das cinco caixas desenterradas em 1970 em Magdeburgo.


A autenticidade das “relíquias” foi questionada pelo historiador alemão Werner Maser. Mas o escritor inglês Peter Watson e a veterana jornalista russa Ada Petrova, autores do livro A morte de Hitler – A história completa, com novas provas surgidas dos arquivos secretos russos (1996), tiveram acesso às “relíquias”, conservadas por Anatoli Propenko, diretor do Arquivo de Troféus Especiais do Estado, em Moscou: as mandíbulas e parte do crânio de Hitler, uniformes pessoais chamuscados, 42 desenhos e aquarelas do Führer, seu álbum de família e seis pastas com documentos sobre seus últimos dias no Bunker, num dossiê conhecido na NKVD. (predecessora da KGB.) como Arquivo Operação Mito, Dossiê I-G-23.


Segundos o dossiê, com a saúde comprometida após o atentado de 1944, Hitler exalava um mau cheiro insuportável; Albert Speer odiava quando o Führer tirava o paletó, sempre manchado de comida, para trabalhar em mangas de camisa. Sua flatulência era incontrolável, e a vida no Bunker era um horror. Ainda segundo Peter Watson e Ada Petrova, a foto muito divulgada do cadáver de Hitler era na verdade do corpo de seu dublê, Gustav Weler. Os corpos de Hitler, Eva Braun e da família Goebbels foram enterrados secretamente em Magdeburgo, na Alemanha Oriental; depois, desenterrados e cremados, por ordem de Andropov.


Em 1995, durante uma pesquisa sobre a morte de Hitler, a chapa de seu crânio foi encontrada em Londres, em meio a documentos militares, com registros médicos mostrando que ele teria cistite e ferimentos no ouvido. O raio-X fora requisitado pelo médico particular do Führer, Dr. Theo Morell, após o atentado de julho de 1944, no qual Hitler sofrera ferimentos internos. A chapa foi tirada pelo Dr. Giesing no Hospital do Exército, em Ratsenburg em setembro de 1944. O aspecto especialmente macabro do raio-X de Hitler é ressaltado pela concentração da morte nessa única imagem: 1) pela própria natureza do raio-X na revelação do esqueleto do paciente; 2) pelo fato de Hitler ter acabado de escapar da morte no atentado de julho de 1944; 3) por estar Hitler próximo da morte que daria a si próprio; 4) por Hitler personificar a morte através de sua política de guerra e de genocídio.


Como os russos não abriram seus arquivos senão após o fim do comunismo e como não houve testemunhos oculares do suicídio de Hitler, alguns historiadores formularam hipóteses fantasiosas sobre como Hitler teria se matado. Em abril de 1995, o jornal alemão Bild divulgou a teoria do historiador britânico Hugh Thomas de que faltara a Hitler coragem de matar-se com um tiro, tendo sido então estrangulado por um de seus ordenanças, o oficial das SS Heinz Linge, depois que este tentara em vão introduzir uma cápsula de cianureto na boca do ditador.


Essa hipótese fantasiosa contraria a autópsia oficial e o testemunho fidedigno da secretária de Hitler, que se encontrava no Bunker, e que ouviu o tiro e viu em seguida os corpos de Hitler e Eva Braun sendo carregados para fora. O testemunho de outro ordenança de Hitler confirmou a morte por tiro (a única dúvida era se ele atirara na boca ou na têmpora). E Hitler também tomara, antes do tiro, como comprovou a autópsia, uma cápsula de cianureto para garantir sua morte.


Em 1996, um programa da Spiegel TV noticiou que uma cova descoberta sob o quartel-general do antigo Serviço de Inteligência Soviético, em Magdeburgo, na antiga Alemanha Oriental, contendo 32 esqueletos não identificados, poderia conter os restos família Goebbels e de Eva Braun. Mas nenhum fato novo sobre os restos de Hitler veio mais à tona desde as provas apresentadas por Watson e Petrova em 1995, que confirmaram a morte do Führer por bala no crânio, em 1945, e a queima de seus ossos em 1970, com exceção do crânio, conservado em Moscou. As novas evidências corroboram as descrições da morte de Hitler por Trevor-Roper em 1947.


Em 2000, a Rússia exibiu os fragmentos do crânio de Hitler com o buraco da bala (estando muito frágeis as mandíbulas foram apresentadas apenas em fotos). A exposição “A agonia do ‘Terceiro Reich’: A Retribuição” teve lugar nos Arquivos Federais de Moscou, marcando o 55º aniversário do fim da guerra, e incluía os documentos do serviço secreto soviético que identificaram os restos de Hitler. A diretora da exposição, Aliya Borkovets, declarou não haver qualquer dúvida sobre a origem dos restos expostos e os especialistas confirmaram a autenticidade daquele pedaço de crânio.


Fragmento do crânio de Hitler com buraco da bala.

Crânio de Hitler com buraco de bala.


Em 2002, pouco antes de morrer, a secretária de Hitler de 1942 até 1945 prestou um longo depoimento no filme Im toten Winkel – Hitlers Sekretärin (“Eu fui a secretária de Hitler”, Áustria, 2002), de André Heller e Othmar Schmiderer, recordando os dias quase irreais que passou trabalhando no Bunker. O filme resume-se a uma longa entrevista, mas o conteúdo do depoimento de Traudl Junge, que também serviu de base para algumas das reconstituições do revisionista Der Untergang /The Downfall (“A queda: Os últimos dias de Hitler”, 2004), de Olivier Hirschbiegel, consegue manter nossos olhos grudados na tela.


Note-se que, antes de Der Untergang outros filmes já haviam sido realizados sobre os últimos dias de Hitler, com interpretações tão notáveis quanto a de Bruno Ganz neste filme: a de Albin Skoda, em Der letzte Akt (1955), de Georg Wilhelm Pabst; a de Billy Frick, em Is Paris Burning? (1966), de René Clément; a de Frank Finlay, em The Death of Adolf Hitler (1973), de Rex Firkin; a de Alec Guinness, em Hitler: The Last Ten Days (1973), de Ennio De Concini; a de Anthony Hopkins, em The Bunker (1981), de George Schaefer; e a de Leonid Mozgovoy em Molokh (1999), de Aleksandr Sokurov.


Traudl Junge havia prestado consultoria na reconstituição do Bunker em Der letzte Akt e aparecido em alguns documentários. Em seu último e mais consistente depoimento, ela rememora os fatos com precisão, sem conseguir esconder, contudo, a emoção que a toma quando, recordando a morte de Hitler, sentiu-se traída, como se tivesse, agora, como todo alemão sobrevivente ao nazismo, que pagar sozinha, sem o escudo protetor do Führer a chamar para si toda a responsabilidade, pelos crimes do regime. Percebendo a morte aproximar-se, aos 81 anos de idade, ela buscou, através de seu depoimento, algum tipo de remissão da culpa profunda de ter comungado do ideal macabro do ‘Terceiro Reich’ no centro mesmo do poder e na intimidade insalubre dos líderes, até a apocalíptica derrocada.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A Intolerância

A difícil tolerância
A doutora em História pela Universidade de São Paulo Anita Novinsky conta nesta entrevista como surgiu a ideia de criar o Laboratório de Estudos sobre a Intolerância (LEI), após o 11 de Setembro. "Vi que os intelectuais não poderiam ficar só na universidade, escrevendo seus livros sobre a Antiguidade, mas deveriam agir." O LEI deverá evoluir para um Museu da Tolerância, aberto ao público, que poderá consultar e conhecer histórias que levaram a guerras, preconceito, antissemitismo, escravidão. É a proposta de Anita para combater o estado de debilidade da memória e um ensino que privilegia a competição em lugar da compreensão. Em sua longa carreira na USP, Anita Novinsky dedicou-se a estudar os judeus no Brasil e a Inquisição - e sobre este último tema coube a ela introduzir os primeiros estudos na universidade, a respeito do qual publicou mais de uma dezena de títulos e artigos. Para dar continuidade ao debate iniciado pela publicação de entrevista com a também professora da USP Arlene Clemesha, na edição 27, sobre a questão territorial na Faixa de Gaza, Página22 abre espaço para uma visão diferente a respeito de tema tão polêmico. Nesta conversa, Anita reconta, à sua maneira, a história do conflito entre palestinos e israelenses e mostra como a tolerância está longe de ser alcançada, por parte dos dois lados.

Por Ana Cristina D'Angelo


A senhora disse que a USP tem hoje uma visão pró-palestina. Como a identifica e quais as razões?

A USP foi a primeira universidade no mundo que introduziu estudos inquisitoriais. Como a Igreja assume a Inquisição, era muito difícil estudar esse fenômeno. Então a USP tem esse mérito. Além disso, a Universidade de São Paulo tem uma tradição humanística, recebeu professores judeus, refugiados da guerra e que foram os primeiros cientistas, filósofos, pensadores. Hoje a universidade está contagiada pela mídia tendenciosa, que constantemente fica apontando os crimes do Estado de Israel. E a mídia é tendenciosa em todo o mundo.


O antissemitismo é um movimento que persiste desde a Antiguidade. Sempre há relevância aos crimes de Israel e as vítimas são sempre os palestinos. Judeu é o invasor, judeu é o carrasco, e o palestino é a vítima. Isso é uma mentira das mais grotescas da história de hoje. Porque na fundação de Israel havia judeus e árabes, portanto, os judeus são tão palestinos quanto os que se chamam palestinos. Quando Israel perdeu a independência e foiconquistada pelos romanos, passou a se chamar Palestina, até 1948. Neste ano, a ONU fez a partilha entre árabes e judeus.


Como a senhora avalia a definição ocupados (Palestinos) e ocupantes (Israel) dada pela professora Arlene Clemesha em entrevista para a edição de fevereiro de Página22? Hoje Gaza é um território plenamente ocupado por Israel.


Mas Israel devolveu Gaza. Havia um pacto de paz, de não-agressão. Quem invadiu? Quem rompeu? Foi o Hamas quem rompeu o acordo de paz. Israel é acusado de tudo, mas Israel tem o direito de defender-se. Se 40 mil mísseis e não sei quantos mil foguetes são jogados em Israel, o país não vai fazer nada? Então, nós não podemos falar assim: "Ocupados e ocupantes". Israel foi dividido pelas Nações Unidas, Israel aceitou a posição. Os lugares mais sagrados dos judeus ficaram do lado dos árabes.


Mas os acordos com a ONU preveem a criação do Estado de Israel e a criação do Estado Palestino. E isso até hoje não se conformou. Por quê?


Porque os palestinos não querem. Foram oferecidos 92% de tudo o que estava ocupado pelos judeus para os palestinos e eles não aceitaram. Os árabes não querem os judeus no Oriente Médio. O judeu é a modernidade, o judeu é a cultura da vida, eles são a cultura da morte, são dois mundos irreconciliáveis.


Não haverá reconciliação?


Enquanto esse ódio for enxertado, é irreconciliável. Porque o povo árabe não respeita a vida. Você sabe que tem mais de 50 mil crianças prontas para morrer? Prontas para dar a vida. Que amor é esse pela criança? Eles perguntaram também para Israel, um jornalista perguntou: "Como é que as crianças judias não estavam morrendo tanto?" E falaram: "Porque nós defendemos as nossas crianças". Você sabe que em Israel tem bunker construído em todo lugar. Qualquer notícia de um ataque, todas as crianças vão para um bunker. E os árabes põem as crianças na frente dos soldados.


Que caminhos a senhora vê para um acordo? Ou não vê?


A primeira coisa para você fazer par com o outro é que o outro precisa dar a você o direito de viver. E os árabes não reconhecem o Estado de Israel, não dão o direito aos judeus de estarem lá. Então não podemos fazer par.


Com o Hamas na política não há acordo?


Eu o considero um grupo terrorista, como a Comunidade Europeia e os Estados Unidos também consideram. Porque é a cultura da morte, eles não têm o menor respeito pela vida. Você sabe que, quando um soldado de Israel morre, para a cidade inteira, fecham todas as lojas, porque um morreu.


Mas o número de mortes do lado palestino é muito maior do que o número de mortes entre os israelenses... Falo isso pela desproporcionalidade entre os ataques e não exatamente pelos números.


Um homem é igual a mil. Se eles têm mais mortos, é porque eles jogam as crianças e as mulheres. Você sabe que eles matam primeiro as meninas? Eles põem primeiro as meninas porque, para eles, a mulher não vale nada, a mulher é a escrava. Eu conheço os judeus e conheço os árabes, eu vou a Israel há 30 anos, todos os anos. Eu tenho muitos amigos árabes. E tem árabes maravilhosos, esclarecidos. Tem um milhão e meio de árabes vivendo em Israel, cidadãos de Israel, estudando nas universidades, ministros e parlamentares. Você conhece um país que tenha um inimigo no Parlamento? O único país que faz isso é Israel, porque dá direito aos árabes.


Apesar de que nós sabemos que, nesse conflito, muitos árabe-israelenses que moram em Israel e que nasceram em Israel estão inclinados aos palestinos. Não são todos, a grande maioria não, mas tem muitos que estão. Tem a tradição da língua, tem a tradição dos costumes, então eles se inclinam a defender mais os árabes. Agora, por que os árabes não fazem nada por esses pobres palestinos? Você sabe que os grandes magnatas do petróleo podiam ter resolvido essa questão brincando? Mas não interessa. Todos os judeus do mundo mandam dinheiro para Israel. Meu pai enviava dinheiro para cada criança que nascia. Então são duas culturas diferentes. Como é que você consegue reconciliar duas culturas tão opostamente diferentes?


Vamos falar agora desses novos governos. Com Benjamin Netanyahu fazendo alianças com ultradireitistas e uma possibilidade de coalizão do Hamas com outros grupos, o encontro desses dois universos fica cada vez mais difícil?


Eu venho de uma tradição marxista, eu venho da Universidade de São Paulo, onde estou desde os 18 anos. Tenho uma interpretação materialista da história. E eu não sou religiosa, eu sou laica e sigo algumas tradições religiosas em memória da minha mãe e do meu pai. As Nações Unidas deram a partilha, os judeus ficaram com um pedaço e eles ficaram com um pedaço. Tudo que é sagrado para os judeus ficou do lado deles.


Mas Jerusalém não ficou.


Claro, Jerusalém foi partida no meio. Mas por quê? Por que Jerusalém hoje está na mão de judeus? A ONU dividiu. Tudo o que era sagrado, como o Muro das Lamentações, onde os judeus durante 2 mil anos iam chorar a perda da liberdade, a perda da pátria. Em todos os lugares do mundo os judeus foram massacrados. Não tem um poder ou país que pode se eximir e dizer: "Não, aqui nós não matamos ninguém". Todos os países mataram.


O Brasil matou?


A Inquisição matou por 300 anos, mas não se morria aqui, levava-se para Portugal. A metade da população brasileira era judia, durante a época colonial. Quando se dividiu a Palestina em duas partes, uma ficou chamando Israel, a outra ficou do lado dos árabes e aí criou-se o povo palestino. Não havia povo palestino, criou-se o povo palestino. Os judeus ficaram do seu lado, o Muro das Lamentações ficou do lado deles. O túmulo de Raquel, dos patriarcas de Abraão e Jacó, tudo ficou do lado deles. Cidade Velha, sagrada, de Jerusalém, ficou do lado deles. Os judeus são o único povo no mundo que tinha uma universidade antes de ter um país. Em 1925 foi a criada a Universidade Hebraica de Jerusalém. Israel não existia. Ela ficou do lado dos árabes também.


Bom, e o que aconteceu? Os árabes não aceitaram. Quem invadiu? Quem rompeu? Não foi o judeu. A Guerra dos Seis Dias o que foi? Os árabes invadiram Israel. Não aceitaram a partilha da ONU. E, na Guerra do Yom Kippur, estavam todos os soldados jovens rezando e eles justamente atacaram naquele dia. Porque não aceitaram. Aí, sim, na Guerra dos Seis Dias, os judeus tomaram o território, mas quem invadiu foram eles. Os judeus lutaram e conquistaram tudo outra vez. Você sabe que eles fugiram pelo deserto, fugiram todos, não estavam preparados e fugiram. E os judeus ocuparam Jerusalém.


Como Israel poderá suspender o bloqueio ao território palestino?


Como suspender, se o outro não para? Você viu, o judeu entrou em acordo com o Hamas. Eu estava em Jerusalém, em agosto de 2005, quando se deu a desocupação de Gaza.


Mas restam colônias israelenses na região.


Ainda tem, mas a maioria toda saiu, as casas, as lojas, tudo. As meninas e rapazes que tinham nascido lá tiveram que sair da sua casa, da sua escola, entrar em um caminhão e ir embora. Não tinha nem para onde ir, o governo acomodou, porque o governo lá cuida de sua população.


Mas você não pode imaginar o que eram os choros, os gritos das crianças saindo de Gaza, porque eles nasceram lá e aquilo era a pátria deles. Eu nunca poderei favorecer as direitas, porque as direitas em geral são fascistas, são nazistas, são fundamentalistas. Agora, nós vivemos em um mundo em que já não se pode mais distinguir tão bem direita e esquerda, porque a esquerda hoje está tão fanatizada e tão racista quanto a extrema direita.


Todo o povo de Israel quer um Estado palestino. Mas não adianta, porque o Hamas não aceita a existência de Israel. Então, não adianta falar em paz, em acordos, em nada, enquanto o Hamas não admitir que Israel tem o direito de viver. Eles não acreditam nisso, eles não reconhecem.


Então essa troca do governo de Israel não muda nada?


O governo de Israel é um governo democrático, primeiro de tudo. Mesmo o governo de direita, porque é um governo que tem eleições não fraudulentas, normais e não tem nenhum ditador. Não é um totalitarismo, é uma democracia. É o único Estado democrata que existe no Oriente Médio. Os outros todos são fundamentalistas, totalitários. Como o Netanyahu, tem uma porcentagem do povo em Israel, uns 5%, 6%, mais ou menos, que são extremamente religiosos. Eu não tenho nada a ver com eles, nem o povo de Israel tem. A maioria do povo de Israel é laico, democrata e não religioso, mas tradicionalista.


Sua família migrou para o Brasil, fugindo do Holocausto?


O meu pai veio antes. Ele queria ir para os Estados Unidos, mas não davam visto. Quando ele veio para o Brasil, era para sair daqui para os Estados Unidos. Quando ele chegou aqui, ele gostou muito, resolveu ficar e mandou vir a minha mãe. O antissemitismo na Polônia, você não imagina. O polonês era mais antissemita do que o alemão. Tem um monumento enorme numa cidade polonesa em memória dos judeus que foram assassinados pelos poloneses, depois que saíram do campo de concentração.


Seu avô não quis vir?


O meu avô, coitado, ele não imaginava o que ia acontecer. Ele escreveu para a minha mãe, eu tenho a carta: "Olha, a situação está ruim, está em crise, eu não posso vender nada, não posso vender a minha casa. Deixa melhorar a situação, eu vou vender alguma coisa, eu vou". Que ilusão. Quando eu estive na Polônia, fui visitar a casa em que nasci. Eu tinha 1 ano de idade quando vim (para o Brasil). Eu tinha um guia polonês e uma menina polonesa que falava inglês, que era a minha guia também. Vi uns homens passarem na rua e pedi que ele perguntasse se eles conheciam o meu avô. Responderam: "Ele morava aqui. Os alemães chegaram, jogaram ele na rua e bateram nele, 'Jüdisches! Jüdisches! Jüdisches!'" "Jüdisches" quer dizer "judeus". Bateram nele e levaram embora para o campo de concentração. Ele tinha mulher, tinha filhos, tinha netos, tinha irmã, tinha família. Morreu como um cão, sem ninguém.


São quantos os judeus hoje no Brasil, foco dos seus estudos na USP?


No Brasil tem 150 mil. Aqui em São Paulo tem 80 mil, e 50 mil no Rio de Janeiro. A maioria está em São Paulo e no Rio de Janeiro, porque judeu gosta de morar perto (um do outro). Todos os brasileiros de classe média têm origem judaica, porque ninguém vinha para o Brasil. Ou se morria de malária, ou se morria em naufrágio, ou se morria comido pelos índios. Só vinha quem não tinha onde ficar. A Inquisição ameaçava matá-los e queimá-los vivos. Então, claro, eles fugiam. E cada nau que saía do porto de Lisboa, do Tejo, vinha carregada de fugitivos. Os ricos tiveram engenhos. Depois vieram os pobres e os ricos deram um pedaço de terra para eles cultivarem.


Hoje, todo povo de Israel quer a pátria e por isso quer fazer a paz. Mas os radicais e os religiosos não querem, tanto judeus como árabes. A única diferença é que para esses fanáticos judeus a vida é o supremo bem. E para os árabes fanáticos a vida não é o supremo bem.


Já que estamos falando de intolerância, queria que a senhora falasse do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância.


Bom, nós criamos o laboratório no ano de 2002 na Universidade de São Paulo. É um novo centro de pesquisa. Ele já é reconhecido internacionalmente e tem uma equipe de pesquisadores numerosa. Eu tive a ideia de criar o laboratório depois do 11 de Setembro. Estava na Europa e percebi que os intelectuais tinham que entrar na realidade. Os intelectuais não podem mais ficar na academia, escrevendo sobre a Antiguidade para meia dúzia de leitores. Esses intelectuais têm de ter um papel no mundo e se manifestar. Porque ou nós nos manifestamos ou os totalitaristas e os fundamentalistas ganham. Ou nós trabalhamos ou eles ganham. Então eu acho que o intelectual não pode mais ficar alheio ao que está acontecendo no mundo. Ele tem que ser ativo, tem que ser engajado.


E o que o laboratório comporta é a história brasileira?


Tem seis módulos, por enquanto. Vai ter mais, porque o laboratório está se expandindo muito. Cada módulo tem um coordenador e os seus pesquisadores. Vou dar um exemplo: eu sou a coordenadora do módulo sobre a Inquisição, intolerância, que é a minha especialidade. E então eu coordeno os meus pesquisadores. Eu tenho dez que estão fazendo o doutoramento, que são oficialmente inscritos para trabalhar na pesquisa. Depois, tem os módulos sobre a educação, o holocausto, a mulher, os índios e um módulo sobre os negros, a escravidão. São seis módulos. Cada módulo tem o seu coordenador e seus pesquisadores. Nós já publicamos doze livros. A ideia é que o laboratório evolua para um Museu da Tolerância, aberto ao público, para as crianças, as escolas freqüentarem. O museu pretende instalar, pela primeira vez na América Latina, uma escola aberta a todas as raças e credos, esclarecendo os danos causados pela intolerância, responsável pelo sofrimento e extermínio de milhões de seres humanos. Deverá ser um espaço vivo voltado para a aprendizagem e a educação, apontando por meio de exposições permanentes e itinerantes questões cruciais como racismo, escravidão, inquisição, antissemitismo, holocausto, terrorismo, discriminações contra a mulher e grupos étnicos, conflitos religiosos, trabalho infantil.


No projeto do museu constam duas biblioteca, uma cinemateca, um auditório para 400 pessoas, galerias para exposições, salas multimídia, salas de aula, lanchonetes e espaços de estar para encontros informais. Um espaço também será reservado para as atividades do laboratório.


O ensino precisa de uma disciplina que seja tolerância, algo nesse sentido?


Pois é, a ideia do museu é as escolas irem lá para ver o que a intolerância fez, os massacres que a intolerância causou: o nazismo, a Inquisição, a escravidão, isso é o que o Museu da Tolerância vai mostrar. Por exemplo, o Museu da Tolerância de Los Angeles é assim: você pode acessar um computador em que aparecem questões para responder. E depois aparece no telão a resposta certa. Então, por exemplo, um deles dizia assim: "A maior parte da mortalidade infantil é por causa de..." E dá dez razões: fome, espancamento, doença... Das dez você tem que responder no seu computador qual é a que acha a certa. E eu que achava que era muito bem informada, respondi que era por inanição, má alimentação, crianças mal alimentadas, não é isso? Doenças. Não é verdade. A maior causa da mortalidade infantil é o trabalho infantil. Eu descobri isso lá. Eu, que achava que sabia tudo, cheguei lá e vi aquilo.


É nesse tipo de museu que você vai entrar. Na sala de racismo vai aparecer o que é o racismo. E as pessoas do povo vão aprender. É uma escola, o nosso museu vai ser uma escola.


E a senhora é muito crítica também do ensino.


Nossa! É preciso haver uma renovação completa do sistema educacional brasileiro e mundial. Não pensa que é só aqui, é mundial também. Porque esse espírito de competição é um veneno para a criança, esse espírito de competição: "Você tem que ser o primeiro. Se não for o primeiro, você vai ficar inferior ao seu vizinho". Isso é a pior coisa que pode existir para uma criança. Eles não têm psicologia, não conhecem. Aliás, no dia 22 de abril, agora, vai acontecer no Sesc Pinheiros o Congresso Mundial sobre Tolerância, que eu organizei. Virá gente do mundo inteiro.

Os palestinos não existem



Luis Dolhnikoff
confronta a alegação de que o Estado de Israel seria uma criação "artificial", afirma que o "povo palestino" não possui, na realidade, uma identidade cultural ou étnica que o diferencie no interior do mundo árabe como um todo, mas defende a solução de dois Estados independentes

"Só existem duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana", segundo Einstein. Parafraseando-o, creio que existem poucas coisas realmente universais, uma delas, a mentira. Não cabe aqui insistir nos infinitos motivos por que se mente. Grosso modo, trata-se de uma necessidade da sociabilidade. Não por acaso, há infinitos modos de mentir, e a vasta maioria é não somente inócua como necessária. O mesmo não vale, porém, para a mentira profissional, caso geral dos políticos, e para a mentira ideológica, caso particular do fascismo, como sintetizado por Goebbels: "Uma mentira muito repetida se torna uma verdade". Uma mentira muito repetida é uma mentira muito repetida. Pois não se trata de questão de quantidade, mas de qualidade: a verdade possui outra natureza.


A natureza da verdade, não obstante, é dupla. Há a verdade da intenção e a verdade do fato. A verdade da intenção é o mesmo que a sinceridade: está-se dizendo a verdade quando se diz o que se pensa, ainda que o que se pense não corresponda aos fatos. Neste caso, não se trata de mentira, mas de engano. A verdade do fato é aquela que corresponde à realidade. Pois ainda que a apreensão da realidade não seja jamais unívoca, neutra ou ideal, e ainda que, no limite, toda descrição de um fato seja uma interpretação de um fato, há interpretações que cabem na moldura de um fato e outras que não cabem. As que não cabem são uma forma de mentira.


O Estado de Israel comemora, em maio de 2008, os sessenta anos de sua fundação. A data, como a verdade, tem caráter duplo. Por um lado, o grande júbilo pela criação e pela sobrevivência de um pequeno e heróico Estado-nação surgido nas condições e circunstâncias geopolíticas mais difíceis, tendo por fundo histórico imediato a tragédia da Shoá e por fundo histórico mediato dois milênios de diáspora e de anti-semitismo. Por outro lado, o não-pequeno amargor de a fundação de Israel significar o nascimento da última grande mentira envolvendo a história judaica, tão cheia de grandes mentiras (como a dos Protocolos dos Sábios de Sião) quanto de grandes tragédias. Esta mentira é, ainda uma vez, dupla: afirma, de um lado, que Israel é um Estado artificial, e, de outro, que é o responsável pela miséria geopolítica dos árabes nas últimas décadas conhecidos como palestinos.


A dupla grande mentira sobre Israel é, porém, unívoca na sua condição de ser uma mentira de tipo fascista. Não importa que um de seus principais fiadores seja a esquerda internacional; não há aqui contradição incontornável, pois desde Stálin, pelo menos, sabemos que pode haver mais semelhanças entre o fascismo e a esquerda do que seria natural supor. Tampouco importa que o outro fiador dessa mentira sejam as lideranças políticas árabes e muçulmanas em geral, e as lideranças políticas palestinas em particular. Não é impossível nem inverossímil, sequer incomum, que muitos compartilhem uma mesma mentira (como os alemães durante o nazismo).


Não é difícil repetir os argumentos que demonstram ser falsa a afirmação da "artificialidade" de Israel. Primeiro, porque tal afirmação traz um "somente" implícito: só se justifica se somente Israel for "artificial". Caso contrário, seria uma afirmação ridícula por sua obviedade, como a de que a rosa é um vegetal. Se não há nada mais vegetal do que uma flor, não há nada mais artificial do que um Estado. Dito de outro modo, não existem Estados naturais. Estados são criações geopolíticas. Todas, portanto, igualmente "artificiais" (e todas diferentes; não há dois Estados com a mesma história; a criação de cada um dos quase duzentos Estados existentes hoje no mundo foi, portanto, particular, apesar de eventuais semelhanças em certos grupos geográficos ou de possíveis proximidades em alguns momentos históricos; se a criação de Israel foi particular, compartilha com todos os demais Estados esta condição paradoxal: ser comum em sua particularidade). Segundo, porque Israel é, na verdade, um dos Estados menos "artificiais", tendo o povo judeu uma das histórias mais antigas e melhor documentadas. Por fim, a criação de Israel é obra da comunidade internacional por meio da ONU. Ou seja, traz a marca de nascença inquestionável da legalidade e da democracia, pois fruto de uma votação, a da Assembléia Geral.


O argumento da "artificialidade" se apóia, grosso modo, no fato de a maioria da população do novo país advir de um fluxo migratório, fruto, por sua vez, de um movimento político, o sionismo. O sionismo, porém, é tão legítimo, como movimento nacionalista surgido no século 19, quanto qualquer outro dos inúmeros movimentos nacionalistas surgidos no século 19, um dos momentos mais intensos da história dos nacionalismos; o sionismo tem, portanto, toda a legitimidade de seu momento histórico. O fluxo migratório judaico não é menos legítimo. Em primeiro lugar, porque a Palestina era, à época, não um Estado, mas colônia de um império (esta sim artificial; o território da então Palestina britânica fora definido pelo colonialismo inglês a partir do rearranjo de ex-colônias do Império Otomano, que dominara a região nos últimos séculos antes da 1ª Guerra). Em segundo lugar, porque havia um importante núcleo judaico original na região - que correspondia ao antigo Reino de Israel. Em terceiro lugar, pelas tão antigas quanto profundas ligações da cultura e da história judaicas com o território. Em quarto lugar, porque a migração judaica não foi afinal determinada predominantemente pelo sionismo, mas pelo nazismo, ao desalojar milhões de judeus europeus e ao negar aos sobreviventes qualquer esperança de viver em segurança na Europa. Em quinto lugar, porque o momento histórico da criação de Israel foi marcado por vários grandes fluxos migratórios mundiais - sendo o maior o que envolveu milhões de indianos muçulmanos para o território do nascente Paquistão (plenamente artificial, no sentido de ser fruto de um programa político de um partido - aliás, religioso).


A segunda parte da grande mentira de tipo fascista que envolve Israel é ser ele o responsável pela miséria geopolítica dos árabes hoje conhecidos como palestinos. Pois como no caso do "somente" implícito na primeira parte, há aqui implícito um "único": Israel seria o único - ou o grande - responsável por sua miséria. Mais uma vez, duplamente; por sua própria criação, gerando o primeiro importante fluxo migratório árabe, e pela ocupação dos territórios da Cisjordânia e de Gaza em 1967. É preciso, portanto, dizer e redizer que, se existe um grande responsável pela miséria geopolítica dos árabes da ex-colônia britânica, este responsável são suas próprias lideranças. Pois foram elas os únicos autores de dois erros históricos catastróficos e determinantes (de que israelenses e palestinos seriam as vítimas); um, recusar - ao contrário de Israel - a partilha da ONU de 1947, cuja aceitação teria resultado na criação do Estado palestino já em 1948; dois, adotar como objetivo estratégico no período subseqüente, entre 1947 e 1967, a destruição de Israel, em lugar da criação de seu Estado nas áreas então sob domínio árabe - ou seja, Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Gaza. Fato este que está na origem da Guerra dos Seis Dias e da subseqüente ocupação dos territórios (em parte já desocupados, como no caso de Gaza).


Mentiras de tipo fascista também são conhecidas como verdades de tipo orwelliano, como nos slogans do livro 1984: "Guerra é paz". Trata-se, na realidade, de um subtipo da mentira fascista, caracterizado não pelo mero falseamento deliberado dos fatos, mas por sua completa inversão. Golda Meir afirmou, certa vez, que não existia um povo palestino. É até hoje vilipendiada por parte importante da esquerda como se estivesse decretando a inexistência de um povo visando preparar objetivos inconfessáveis. A verdade é o contrário disso, pois a mentira está na afirmação da existência histórica de um povo palestino. O que Golda Meir estava, em suma, dizendo, era simplesmente isto: não existia, historicamente, um povo palestino - mas existia um povo judeu.


Não há uma língua palestina. Não há uma literatura palestina. Não há heróis históricos palestinos (ao menos não antes de Arafat e de seu antecessor, o Mufti de Jerusalém, aliado entusiasmado de Hitler). Não há uma histórica geopolítica palestina. Não há uma cultura palestina. Não há, em suma, uma História palestina. E não há porque, historicamente, não existe aquele que seria o sujeito dessa história, o povo palestino. Cuja emergência data dos anos 1960. E cuja inexistência explica, em grande parte, os erros de 1947-1948.


Os que afirmam a existência do povo palestino pretendendo, com isto, que este tenha uma existência robusta, ou seja, baseada numa história profunda e/ou numa caracterização étnica, são obrigados a afirmar, por coerência, que existe um povo coreano-do-norte e um povo taiwanês, assim como teria existido, até recentemente, um povo alemão-oriental e um povo vietnamita-do-norte. Mas nada disto é verdade. Em nenhuma das múltiplas definições de povo a população do Vietnã do Norte poderia ser enquadrada, assim como não o pode a população da Coréia do Norte. No máximo, existe um povo vietnamita e um povo coreano; aquele dividido em dois Estados até recentemente (como os alemães), este ainda hoje dividido. O chamado "povo palestino" é, na verdade, apenas uma parte do povo árabe, não tendo, em relação aos demais árabes da região, qualquer distinção significativa, seja lingüís­tica, histórica, cultural ou geopolítica. Neste último aspecto, toda a região fora, por vários séculos, parte fragmentada do Império Otomano, até ser re-subdividida, de modo igualmente arbitrário, pelo Império Britânico e pela França. Não obstante, o nascimento dos novos países da região, num longo processo de descolonização que duraria até os anos 1960, não corresponde, de modo algum, à emergência de Estados que seriam, afinal, a tradução geopolítica de entidades étnico-lingüísticas. Pois jamais existiu um povo jordaniano, um povo kuwaitiano, um povo iraquiano, um povo saudita. Este último, aliás, deriva seu nome de certo Ibn Saud, que passou a governar parte da Península Árabe no início do século 20 com apoio britânico, no contexto da disputa da Inglaterra com os turcos. De modo semelhante, o Iraque jamais foi qualquer unidade geopolítica até o Foreign Office traçá-lo num mapa, nos anos 1920. Afirmar a existência de um povo iraquiano, ao menos no sentido em que existe um povo chinês (na verdade, povo han), um povo aborígine australiano ou um povo curdo é, no limite, mentira. O chamado "povo" iraquiano é apenas o subconjunto do povo árabe que se viu historicamente confinado numa unidade geopolítica arti­ficial (esta, sim) chamada Iraque. Assim como o "povo" jordaniano, o "povo" sírio, o "povo" libanês (os últimos criados pela França), e o "povo" palestino - criado pela mudança estratégica das lideranças árabes da região nos anos 1960.


Até então, o termo palestino era, na verdade, rejeitado pela maioria dos árabes, e com razão: não passa de uma invenção do colonialismo inglês, ao criar, em 1920, uma província e lhe dar o nome de Palestina, retirado da antiga história da região, assim conhecida no tempo do Império Romano (e apenas então, e apenas pelos romanos). Nos anos 1940, 50 e 60, a idéia geopolítica dominante no mundo árabe era o pan-arabismo, segundo o qual existe uma unidade étnico-lingüística árabe, artificialmente subdivida, primeiro, pelo Império Otomano, em seguida pelo colonialismo europeu. Assim, o território da agora ex-Palestina britânica, dividido, entre 1948 e 1967, entre Israel, Egito (Gaza) e Jordânia (Jerusalém Oriental e Cisjordânia), deveria integrar, no futuro, uma grande unidade geopolítica árabe que englobaria o Líbano, a Síria e a Jordânia - para começar. Foi a derrota árabe - e não palestina - na Guerra dos Seis Dias, em 1967, que afinal impôs uma mudança estratégica nas lideranças árabes locais, fazendo-as, por fim, adotar decididamente o que fora até então uma entre outras opções (e não a predominante). Em suma, se Israel não seria destruído, pela incapacidade militar árabe consignada nas consecutivas derrotas, e se o pan-arabismo morrera pela consolidação dos aparatos político-burocráticos de poder em cada uma das ex-unidades coloniais agora transformadas em Estados, só restava um modo de reverter ao menos em parte a derrota histórica que fora, para os árabes da região, a vitória da causa israelense: a saída política nacionalista. Para isto, era preciso que existisse um agente político relevante a embasá-la, isto é, a justificar a reivindicação tardia de uma parte da antiga Palestina britânica. Ou seja, o "povo" palestino.


Grosso modo, há dois tipos de Estado-nação na sua relação com unidades étnico-lingüísticas: ou esta unidade preexiste, e cria seu Estado, ou um Estado é criado e, com o tempo, determina o surgimento de uma unidade lingüística. Os países das Américas são o paradigma do Estado anterior ao povo; assim, o povo brasileiro só existe porque existe o Estado brasileiro, como os povos argentino e norte-americano. Dito de outro modo, se não existisse o Estado brasileiro, não existiria nenhum povo brasileiro - não porque ficaria então oculto, mas porque não existiria de fato, isto é, não teria sido criado. Já o povo curdo existe a despeito de não existir um Estado curdo - que, se e quando existir, será fruto da existência prévia do povo curdo. O povo palestino é fruto de um movimento político (assim como o povo brasileiro é, portanto, fruto de uma entidade geopolítica criada pelo Império Português). A criação recente do povo palestino não é, porém, mais artificial do que a de outros povos. Mesmo porque os povos, como os Estados, não são fatos da natureza.


Como em relação à terra, partilhar a verdade é dividi-la. Ao contrário, porém, da terra, a verdade, quando dividida, fica maior. O caminho para a paz no Oriente Médio passa pela divisão da terra, mas também pelo compartilhar da verdade. E a verdade é que, por caminhos inteiramente distintos, tanto o atual Estado de Israel quanto um futuro Estado palestino são igualmente legítimos. Portanto, o reconhecimento do direito à existência de um Estado palestino não pode e não poderá nunca se dar à custa de qualquer questionamento da legitimidade do Estado de Israel. Questionamento jamais realmente abandonado pelo movimento palestino, que dele obtém, não sua força, mas sua trágica fraqueza.


Luis Dolhnikoff é escritor e ensaísta

Revista 18

Refugiados palestinos - Outra Mentira

O "direito de retorno" dos refugiados palestinos – a "grande mentira"

Os Palestinos fazem exigências descabidas - e todo o mundo os apóia sem conhecer as verdadeiras circunstâncias que levaram ao conflito.

Uma das mais surpreendentes tendências recentes é o apoio dado por muitos cidadãos europeus e americanos ao "direito de retorno" dos refugiados palestinos para Israel. O que é surpreendente nessa proposta, expressa pelas numerosas cartas e comentários publicados ultimamente pelos jornais, é a tentativa de dar aos palestinos um "direito" que jamais foi desfrutado por algum outro grupo de refugiados no decorrer da história.


A maioria das pessoas que escreve a respeito não tem consciência disso, mas trata-se apenas de uma das muitas táticas para que a "grande mentira" se perpetue – ou seja, qualquer mentira, por mais absurda que pareça, acabará sendo crida, se for repetida muitas vezes. Certamente seria difícil encontrar outras alegações que podem ser tão facilmente rebatidas como a idéia de que refugiados têm tido o "direito de retornar" para seu território original.


A história do século XX é uma grande lição sobre a falsidade dessa reivindação. Vejamos alguns exemplos:


– Milhões de muçulmanos fugiram da Índia para o Paquistão após os sangrentos conflitos de 1947. A Índia não apenas os privou da cidadania, como também os proibiu, através de sua Constituição, de voltarem para lá. Em momento algum alegou-se que aqueles muçulmanos tinham "direito de retorno".


– Após a II Guerra Mundial, a Checoslováquia expulsou de seu território todos os alemães que lá residiam. Mas ninguém sugeriu que os milhões de alemães que viviam na região dos Sudetos tinham o "direito de retorno". Em 1997, a Alemanha assinou um tratado concordando que a expulsão não seria revogada.


– Quando os comunistas assumiram o poder no Vietnã, milhões de pessoas fugiram em barcos e a maioria acabou sendo levada para os EUA. Ninguém insinuou que eles tinham "direito de retorno".


– Nos cinco primeiros anos após seu restabelecimento em 1948, Israel recebeu cerca de 500.000 refugiados judeus – cerca de 50% eram sobreviventes do Holocausto e o restante vinha dos países árabes.


– Um número similar de pessoas chegou nos três anos seguintes. Como resultado, a nova população do Estado de Israel já havia dobrado em 1953 e triplicado em 1956. Mesmo assim, ninguém jamais sugeriu que esses refugiados tivessem um "direito de retorno" para os seus países de origem.


Na verdade, nenhum desses refugiados chegou a receber alguma compensação financeira – outro "direito inalienável" exigido pelos palestinos. Existem muitos outros exemplos semelhantes. Por que, então, os refugiados palestinos teriam esse direito garantido inquestionavelmente, algo que qualquer outro grupo de refugiados jamais recebeu?


A melhor explicação consiste de uma circunstância que também é peculiar aos palestinos. Diferentemente do que aconteceu no caso da maior parte dos outros refugiados, os países para onde os palestinos fugiram recusaram-se a acolhê-los, preferindo que ficassem em campos de refugiados, para assim encorajar o sentimento antiisraelense.


Os muçulmanos que fugiram para a Índia tornaram-se cidadãos do Paquistão. Os alemães dos Sudetos foram totalmente absorvidos pela Alemanha. Os vietnamitas que fugiram nos barcos são agora cidadãos produtivos dos Estados Unidos. Os refugiados judeus que vieram dos países árabes estão integrados em Israel.


Mas os palestinos, cuja fuga é de responsabilidade direta dos árabes, devido à sua decisão de declarar guerra a Israel ao invés de aceitar a divisão proposta pelas Nações Unidas, continuam nos campos de refugiados depois de 52 anos.


A Jordânia chegou a conceder cidadania aos refugiados palestinos que recebeu, mas não fez esforço algum para retirá-los dos campos. Por isso os campos de refugiados ainda estavam cheios quando Israel conquistou a Margem Ocidental do Jordão em 1967, depois de 19 anos de domínio jordaniano.


Ainda assim, aqueles que fugiram para os territórios controlados pela Jordânia tiveram sorte, pois os que foram para o Líbano, por exemplo, além de não receberem a cidadania, também foram privados dos direitos civis mais básicos, como a proibição de exercerem mais de 70 profissões.


Ironicamente, o único país que tentou melhorar a situação dos refugiados [palestinos] foi Israel. Em Gaza, por exemplo, 36.000 refugiados foram removidos para alojamentos melhores em 1973, antes que a pressão internacional e as ameaças da OLP contra os refugiados interrompessem esse processo.


O elemento mais impressionante nessa história de negligência é o papel dos próprios palestinos. A maioria dos refugiados esteve sob o governo palestino autônomo nos últimos anos – mesmo que a Autoridade Palestina (AP) não tenha gasto nenhum centavo dos milhões de dólares de ajuda internacional recebidos para melhorar as condições de vida deles. Aparentemente a AP também prefere deixar o seu povo sofrer para fazer propaganda de sua causa.


É impossível não ter pena dos refugiados que, graças à insensibilidade de seus companheiros árabes, têm vivido na miséria nos últimos 50 anos. Mas isso não dá a eles o "direito de retorno", algo que não foi concedido a nenhum outro grupo de refugiados na história.


A única solução justa para o problema é que o mundo árabe, particularmente o futuro Estado Palestino, os absorva – assim como Israel tem feito com todos os refugiados judeus do mundo desde 1948. (The Jerusalem Post).


Que história impressionante! Seria de se esperar que os meios de comunicação investigassem com profundidade a verdadeira situação dos refugiados palestinos e a divulgassem para todo o mundo. Trata-se de uma situação incomum, que realmente nunca aconteceu antes, mas a mídia continua silenciosa a respeito, repetindo simplesmente a frase da OLP: "direito de retorno".


Mas há algo mais envolvido além de uma disputa entre judeus e árabes. Trata-se de um conflito global: o mundo é contra os judeus.

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