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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Bobo como uma raposa

Distorcendo a Terminologia


A manipulação das notícias pela mídia alterou efetivamente a opinião pública mundial. Um exemplo gritante desse fato é o uso comum do termo Margem Ocidental no rádio, na televisão e nos jornais. Os repórteres usam esse termo corriqueiramente para descrever a área conhecida na Bíblia como Judéia e Samaria.

Entretanto, se examinarmos essa expressão mais detidamente, vamos entender melhor qual é a intenção dos jornalistas ao utilizá-la. Durante uma de minhas primeiras visitas à Secretaria de Imprensa do Governo, perguntaram ao então diretor Morty Dolinsky sobre a Margem Ocidental (West Bank) e sua localização exata. Com seu jeito bem-humorado, Dolinsky disse que o país tem muitos bancos, como o Bank of Israel; mas ele não conhecia nenhum West Bank (Margem Ocidental) Assim, ele encerrou a discussão.

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Clique no mapa para ampliá-lo

Quando a mídia usa a expressão Margem Ocidental, ela está se referindo à região situada a oeste do rio Jordão e que é o ponto nevrálgico das negociações de paz intermitentes entre israelenses e palestinos. Essa é a parte de Israel onde estão assentados os colonos judeus que acreditam estar vivendo na terra de seus ancestrais. Quando as pessoas usam o termo Margem Ocidental, estão fazendo uma declaração política. Falando em Margem Ocidental dá-se a entender que ela não faz parte de Israel, mas da Jordânia, a nação que ocupou a área biblicamente conhecida como Judéia e Samaria até junho de 1967.

O uso da expressão Margem Ocidental é apenas uma das formas através das quais a mídia manipula a opinião pública mundial. Muitas vezes, ouve-se falar que os israelenses estão vivendo nos "territórios ocupados". Essa declaração dá a impressão de que os judeus decidiram usurpar um pedaço de terra das mãos de seus proprietários legais.

As áreas em questão são constituídas pela Faixa de Gaza, pela Judéia e Samaria, pelas Colinas de Golan e pela Cidade Velha de Jerusalém. Para árabes e palestinos, essas quatro regiões são o pomo da discórdia na luta por seus "direitos" ao território controlado por Israel.

Entretanto, essas regiões geográficas não foram tomadas por "forças de ocupação". O que aconteceu foi isto: Israel estava sob ataque em três frentes – norte, leste e sul – em junho de 1967. Para defender seu povo e assegurar a proteção de suas famílias, o Exército de Defesa de Israel (EDI), numa ação defensiva, repeliu os invasores que haviam chegado aos centros populacionais de Israel.

Na verdade, o EDI estabeleceu zonas-tampão entre o Estado judeu e seus inimigos. As três nações agressoras foram a Síria ao norte, a Jordânia a leste e o Egito ao sul. Lutando por sua sobrevivência, Israel empurrou a Síria de volta a Damasco e tomou as Colinas de Golan para serem a zona-tampão do norte. No leste, o exército jordaniano foi repelido até Amã, e Israel estabeleceu a região da Judéia e Samaria (que alguns chamam de Margem Ocidental ou Cisjordânia) como zona-tampão. Os egípcios foram forçados a recuar para o sul, em direção ao Cairo, e o EDI separou a Faixa de Gaza e o deserto do Sinai como zona-tampão.

Há muitos anos, os israelenses fizeram um acordo com o Egito para entregar o deserto do Sinai, retendo, porém, a Faixa de Gaza. Como resultado dos Acordos de Oslo, assinados em 1993, os israelenses outorgaram aos palestinos responsabilidades administrativas na Faixa de Gaza.

Dizer que Israel está "ocupando" essas áreas é incorreto. O mundo entende a palavra ocupando como uma ação ofensiva em que uma força armada toma o território de uma parte inocente com propósitos sinistros. A verdade é que, nessas áreas, Israel só esteve envolvido em operações militares defensivas.

Alguém disse, certa vez, que se você repetir muito uma mentira, não só vai começar a acreditar nela como as pessoas ao redor também vão achar que ela é a verdade. Foi isso que aconteceu com a questão de Israel "ocupar os territórios palestinos". Os palestinos alegam que Israel ocupou sua terra, e a mídia mundial mostra que abraçou a causa deles através da forma como noticia os eventos que estão ocorrendo no Oriente Médio.

Embora não mintam abertamente, muitos jornalistas contam só a metade da história quando se trata de questões importantes. Um bom exemplo da ocultação de certos fatos e contextos numa matéria é o problema do Estado palestino. Os líderes palestinos afirmam que têm o direito de ter de volta o seu Estado que, segundo eles, foi tomado por Israel. A terra em questão inclui a Cisjordânia e Jerusalém (pelo menos a Cidade Velha), que eles desejam que seja a capital de um Estado chamado Palestina.

A verdade é que nunca houve um Estado chamado Palestina, com um governo palestino. Antes da Guerra dos Seis Dias, em 1967, a Cidade Velha de Jerusalém e o território a leste, na direção do rio Jordão, estavam sob a soberania da Jordânia. Os palestinos que viviam nessas áreas tinham passaporte jordaniano e eram súditos do falecido rei Hussein.

Antes dos jordanianos assumirem o controle daquela região, ela estava sob administração britânica, desde 1917. Em dezembro de 1917, o general Edmund Allenby, do Império Britânico, aceitou a rendição de toda a área da Margem Ocidental, incluindo a cidade de Jerusalém, que estivera sob o controle do Império Turco-Otomano por mais de quatrocentos anos.

Conhecer a verdade é algo que ajuda um estudioso dos tempos e das profecias da Palavra de Deus a entender melhor o que está realmente acontecendo em nossos dias. Um dos motivos dessas meias-verdades causarem tanto impacto no mundo de hoje é, certamente, o trabalho tendencioso dos jornalistas que fazem a cobertura dos eventos contemporâneos em Israel.

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Lutando por sua sobrevivência, Israel empurrou a Síria de volta a Damasco e tomou as Colinas de Golan para serem a zona-tampão do norte. Na foto: uma rua em Damasco.

"Bobo Como Uma Raposa"


No entanto, os noticiários não são os únicos culpados pela campanha de propaganda deflagrada no Oriente Médio. Yasser Arafat, que muitos acreditam ser o "vovô" do terrorismo atual, não foi um líder "bobinho" de seu povo. Ele é tão bobo quanto uma raposa. Arafat esteve em evidência no cenário mundial há anos, defendendo sua causa com grande sucesso.

Ele foi conhecido por usar meias-verdades e até mentiras deslavadas para promover sua causa. Organizações como o Palestinian Media Watch (Observatório da Mídia Palestina) provaram que o líder da Organização Pela Libertação da Palestina dizia uma coisa em árabe ao povo palestino e outra ao resto do mundo.

O que Arafat dizia ao "povo palestino" às vezes incita essas pessoas a agirem de uma forma que se ajusta perfeitamente ao esquema de seu plano geral para o estabelecimento de um Estado palestino com capital em Jerusalém.

Por outro lado, Arafat era mestre em manipular a mídia e os líderes mundiais para que se juntassem a ele na luta contra o "perverso governo israelense". Posso testemunhar pessoalmente sua habilidade para manobrar a imprensa. Certa vez, estive com Arafat em seu palácio, em Jericó, e vi como ele usou o rei Hussein da Jordânia, que havia comparecido à entrevista coletiva organizada por Arafat, para ajudá-lo a lidar com jornalistas veteranos, inclusive um repórter da CNN.

Quando perguntei ao meu amigo Morty Dolinsky, muitos anos atrás, por que os israelenses não conseguiam se relacionar melhor com a mídia, ele respondeu que as relações públicas de Israel não se preocupavam com o Ocidente, ou mesmo com a imprensa mundial. Dolinsky afirmou que toda a propaganda de Israel e os comunicados à imprensa precisavam ter em mente o Oriente Médio, porque os vizinhos de Israel tinham de estar cientes dos riscos potenciais que estariam assumindo se resolvessem atacar aquele país. Entretanto, essa filosofia não ajudou Israel a contar sua história para o mundo ocidental.

À medida que as tensões na região aumentam, torna-se ainda mais crítico que as pessoas conheçam a tendenciosidade das fontes de informação que lhes transmitem notícias sobre os acontecimentos do Oriente Médio. Além disso, é importante ter uma visão de mundo baseada na compreensão do cenário profético dos últimos dias, conforme apresentado na Palavra de Deus.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Brasil Precisa Saber

Ciro Gomes, hoje comandante da campanha de Dilma no segundo turno tem essas opiniões sobre seus patrões.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A Lendária Força Aérea Israelense

Neste post mostramos a história da força aérea israelense em suas diversas épocas.

 

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4

Parte 5

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Para Entender Israelenses X Palestinos

 

O mais frequente que eu vejo é relacionar diretamente o reconhecimento do Estado de Israel com o massacre promovido pelos nazistas, ou supor que houve uma ocupação forçada e expulsão dos nativos de suas terras.

 

Desde o fim do século XIX os imigrantes judeus habitavam em terras compradas com dinheiro angariado pelo movimento Sionista entre os judeus europeus e norte-americanos. Décadas antes da ONU surgir, já existiam na região (que pertencia à Turquia e ao Líbano) cidades, hospitais, universidades, governo provisório e várias milícias (ilegais, segundo as leis turcas da época) construídos por imigrantes judeus, sem contar o estímulo estrondoso na economia das cidades árabes existentes com o capital proveniente dos imigrantes.

 

Os árabes viam bem a imigração judaica, até 1911, quando foi fundada em Jafa uma associação antijudaica que se opunha à compra de terras pelos judeus. A associação era formada de cerca de 150 proprietários de terras turcos e o medo deles era que os judeus influenciassem politicamente as pessoas da região: a maioria dos agricultores árabes trabalhava em terras de grandes proprietários, num regime de locação, em troca de 35% a 60% da produção anual. A presença dos kibutzin, as fazendas coletivas de imigrantes judeus (que provavelmente são a mais concreta implementação dos ideiais comunistas já feita, tanto que foi copiada em alguns aspectos pela ex-URSS e pela China), onde todos trabalhavam livremente, com os lucros da produção beneficiando a todos, ameaçava o poder local desses proprietários de terras, que temiam que os felahim, os agricultores, fossem influenciados pelos judeus e se revoltassem.

 

Apesar da hostilidade que surgia entre a população contra os imigrantes judeus, em 1913 o presidente de um comitê árabe formado no Cairo para discutir a questão fez a seguinte declaração formal:

O partido decidira proteger os direitos nacionais judaicos e não adotar qualquer lei ou resolução que os limite ou confine. Compreendemos plenamente o valioso auxílio que o capital, a diligência e a inteligência dos judeus podem propiciair para o acelerado desenvolvimento de nossas áreas e por isso não devemos errar ao não aceitá-los

A maioria da população árabe, uma boa parte da qual integra hoje em dia a massa de refugiados que convencionou-se chamar de "palestinos", já que nunca houve uma Palestina, é formada de imigrantes de países vizinhos que foram para a região atrás das oportunidades oferecidas pelos imigrantes judeus e depois fugiram das guerras. A população árabe da região era de 260,000 habitantes em 1882 e chegou a 840,000 em 1931, um aumento de mais de 220% em menos de 50 anos. A população árabe das maiores cidades cresceu estrondosamente na década de 30: 87% em Haifa, 61% em Jafa, 37% em Jerusalém, fora as comunidades agrícolas fundadas e o aumento de 25% da participação de árabes na indústria. Ainda que tenham sido cometidas injustiças contra a população local nos primeiros anos da imigração judaica, os benefícios à população árabe mais do que compensam essas injustiças: Em 1920, 70% dos árabes muçulmanos da região viviam da agricultura, no regime de locação que citei anteriormente, não possuiam qualquer tipo de instalação sanitária, menos de 2% das crianças frequentavam escolas.

 

No entanto, mesmo com os benefícios óbvios e conivência dos líderes árabes, a hostilidade dos árabes nativos contra os judeus cresceu muito. Pessoalmente, eu acho que a culpa foi deles mesmos: os judeus se preocupavam mais com os europeus e americanos do que com os árabes quando explicavam o que era o movimento sionista e quais as suas intenções. Eu tenho um livro sobre a história do Sionismo e há inúmeras referências de entidades criadas em países europeus, mas nenhuma criada em um país árabe. Não havia quaisquer documentos em língua árabe explicando.

 

É impressionante a quantidade de gente que acha que a ONU decidiu "criar" Israel por causa do massacre dos judeus no holocausto, e pra isso expulsou os árabes de suas terras. E muita gente defende esse mito com unhas e dentes. Acredito que ocorra isso porque normalmente, o conhecimento histórico que a maioria das pessoas tem está limitado ao que aprendeu na escola, e esse assunto não é estudado muito a fundo. Uma vez debatendo "oficialmente" esse assunto, o outro debatedor repetiu até cansar que existia um país chamado Palestina que deixou de existir por decisão da ONU. O mais lamentável de tudo é alguém ignorante assim ter sido escolhido como debatedor.

 

Durante a segunda guerra mundial, Churchill defendia a idéia de armar os imigrantes judeus do Oriente Médio para enfrentar os árabes aliados do Eixo, em especial a Síria, pra que assim, as tropas britânicas estacionadas lá pudessem combater em outras frentes. E o cômico que tudo é que foram justamente os britânicos que proibiram os judeus de se armarem, desde que começou o Mandato Britânico. Só em 1940 que eles liberaram a Haganah e o Palmach (as principais milícias judaicas) além dos fazendeiros nos kibutzim a se armarem novamente. Muitos foram levados pelos ingleses para serem treinados na Inglaterra e nas bases inglesas no Egito.

A questão árabe-israelense só chegou na ONU em 1946, quando o conflito entre árabes e israelenses estava prestes a tomar proporções de uma guerra real, já que os israelenses clamavam por independência há vários anos, detinham o poder econômico sobre a região, já tinham um governo democrático provisório e se armaram novamente.

 

Sem os ingleses na região pra manter os ânimos controlados, uma guerra era só questão de tempo.

O argumento frequente de que os EUA foram os principais responsáveis pelo reconhecimento de Israel tem alguns pontos discutíveis. O primeiro é que o governo dos EUA não tomava uma posição clara na questão porque na época as companhias aéreas norte-americanas negociavam com vários países árabes sobre o uso do espaço aéreo em viagens internacionais. Depois, durante a Campanha do Sinai, os EUA foram totalmente contra Israel, já que se interessavam em ter participação no Canal de Suez. O apoio dos EUA só veio depois da guerra do Yom Kipur quando começaram as grandes emigrações de judeus americanos para Israel.

A comissão da ONU que decidiu a questão da Partilha não tinha participação direta dos EUA, e dentre os dois países que sofriam maior influência dos EUA, Austrália e Canadá, o primeiro absteve-se de votar. Os outros eram Guatemala, Índia, Irã, Iugoslávia, Países Baixos, Peru, Suécia, Tchecoslováquia e Uruguai. Não era um grupo totalmente imparcial, mas a Índia, Irã e Iugoslávia, por exemplo, tinham uma população muçulmana considerável.

De 47 a 48, membros da comissão fizeram as investigações na região, justamente procurando por invasões, massacres, expulsões, etc. Concluído o relatório, a comissão dividiu-se entre as duas possibilidades: Índia, Irã e Iugoslávia, defendiam a criação de um Estado árabe e judaico, os sete países restantes defendiam a partilha em dois Estados, exceto a Austrália que se absteve de votar.

 

A decisão então, foi que seriam criados dois Estados, um árabe, que compreenderia a maior parte do território, fazendo fronteira com a Síria, o Líbano e o Egito (o Deserto de Negev todo era dos árabes), e um judeu, que ficaria com o resto dos territórios. Jerusálem e Belém seriam internacionalizadas. Os Estados Unidos só entraram na questão durante a votação da partilha na Assembléia Geral, quando sugeriram que Jafa (cidade de maioria árabe, com o maior porto da região) ficasse sob controle árabe. Vale mencionar que no plano final, o Estado árabe teria uma população de 800.000 árabes e 10.000 judeus, ao passo que o Estado judeu teria uma população de 500.000 judeus e 400.000 árabes, quase metade da população. O plano foi votado e aprovado por 33 votos a 13. Tirando Cuba, todos que votaram contra eram países árabes ou asiáticos, de grande parte da população muçulmana.

Obviamente, depois da partilha ser aprovada e da ONU começar a debater como colocar o plano em prática, as hostilidades aumentaram. O maior aliado de Israel não foram os EUA (que cortaram o envio de suprimentos à Israel e rejeitaram um pedido de empréstimo) mas sim o faccionismo dos próprios árabes. Por exemplo, os mediadores da Liga Árabe compravam armas no Egito pra revender a preços exorbitantes entre as milícias da região.

 

Com o aumento das hostilidades e vendo que os israelenses tinham vantagem, a Liga Árabe, com o apoio dos britânicos passou a bloquear os acessos a cidades e kibutzin judaicos, pra forçar uma trégua. O governo provisório judaico rejeitou a trégua e declarou a independência de Israel em 14 de maio de 1948. Foi aí que os sete países árabes vizinhos atacaram Israel, na Guerra da Independência, e surgiu o problema dos refugiados palestinos.

A região que compreendia o estado judaico estava às margens do mar mediterrâneo, praticamente sem fronteiras e sem regiões estratégicas de defesa. Para atacar Israel, os sete exércitos atravessaram todo o estado árabe, e para se defender, Israel os repeliu até os principais pontos estratégicos da região. Durante essa guerra, a maioria dos habitantes fugiu, alguns para seus países de origem, outros para trás das linhas árabes. Só em 1950 que foi declarado um cessar-fogo, o Armísticio de Rodes, e uma parte dos refugiados pode retornar as suas casas, só que agora as terras estavam sob controle de Israel e eles não podiam ser incorporados à população como cidadãos israelenses, ficando na situação de refugiados de guerra.

 

Em 1956, o Egito, que já armava os Fedayim que lançavam ataques contra Tel-Aviv a partir de Gaza, invadiu Israel de novo. Com a construção do canal de Suez, eles queriam garantir hegemonia sobre o Mar Mediterrâneo. Aí que entrou em cena o atual primeiro-ministro, Ariel Sharon, que era coronel e comandava a divisão de para-quedistas que atravessou o Sinai e tomou diversos pontos estratégicos do exército egípcio. De novo, os habitantes fugiram de suas terras e quando retornaram, de novo, as terras estavam sob controle israelense, e eles ficaram como refugiados.

De novo, ficamos em paz até 1967, quando novamente o Egito invade o Negev, toma Gaza, coloca submarinos no mar vermelho e proíbe a passagem de navios israelenses. Algumas semanas depois a Jordânia se junta e ataca na Cisjordânia e a Síria ataca no norte da Galiléia, todos rompendo os acordos de paz que firmaram anteriormente. Os generais Israelenses se juntam e chegam à conclusão que o país não sobreviveria a mais uma guerra longa e formulam a estratégia que seria usada. Israel conquistou o Sinai, Jerusalém, a Cisjordânia, as Colinas de Golã e a Galiléia em seis dias. Por isso Guerra dos Seis Dias. De novo, os habitantes fugiram, e quando retornaram para suas casas, já não estavam mais sob o governo de seus países de origem. Mais refugiados de guerra. Israel firmou acordos de paz com todos os envolvidos e devolveu parte de alguns territórios.

 

Relativa paz até 1973. O presidente Sadat assume no Egito, depois da morte do Nasser e firma acordos com a Síria. De novo, A Síria ataca o norte de Israel num dos principais feriados judaicos, violando os acordos de 1967. O Egito envia tropas em navios pelo canal de Suez e ataca Israel nas margens do Mediterrâneo. A Guerra do Yom Kipur. De novo, Israel contra ataca e repele os invasores. De novo, os habitantes da região fogem e quando retornam não são mais cidadãos egípcios ou sírios, mas refugiados de guerra. De novo, Israel firma acordos de paz com todo mundo.

Como vê, há um ciclo. Israel é atacado, defende-se, toma territórios e firma acordos de paz para sua proteção. Os habitantes desses territórios não são aceitos dentro das novas fronteiras de seus países, perdem sua cidadania original e tornam-se refugiados de guerra. Ao invés de se revoltar contra seu país de origem, que iniciou os ataques, são incitados por seus líderes a se revoltar contra Israel. Israel relaxa nas precauções devido à pressões internas e internacionais, é atacado novamente numa violação dos acordos de paz e começa tudo de novo.

Outro ponto frequentemente mencionado é que Israel violou tratados e acordos de paz, mas a maioria das pessoas esquece que por acordo entende-se que ambas as partes têm obrigações a serem cumpridas. Israel violou cláusulas de diversos acordos, claro, mas na maioria dos casos, cláusulas que estavam condicionadas ao cumprimento de outras obrigações da parte dos árabes. Por exemplo, os acordos informalmente conhecidos como Acordos de Oslo, que precederam a atual intifada.

Os pontos mais importantes dos acordos que eram o reconhecimento mútuo da OLP pelos israelenses e do direito de Israel a existir em paz foi formalmente reconhecido em carta. Outra parte do acordo que eram a retirada de Israel das principais cidades palestinas e a transferência do governo à AP (Belém, Hebron, Jenin, Nablus, Ramalah e Tulkarem) também foram cumpridas.

 

Já a retirada total de Israel estava condicionada ao cumprimento dos palestinos de sua parte nos acordos. A violação mais grave, é a AP não ter cumprido o artigo que exigia o desmantelamento de todas as milícias existentes em áreas palestinas e o confisco de suas armas. Ela não só não fez isso (o Hamas, a Jihad Islâmica, a Fatah, ligada a própria AP, a PFLP, e o DFLP continuam existindo.), como até surgiu uma nova, a Brigada dos Mártires de Al-Aqsa.

Depois, eles não cumpriram o artigo que exigia a colaboração da então criada polícia palestina com a polícia israelense, muito pelo contrário, em 1996 os policiais palestinos não só atacaram policiais israelenses em várias cidades como a AP não fez nada pra punir os responsáveis. Depois, Israel ainda descobriu que vários policiais da AP eram antigos membros da Fatah, o que é outra violação dos acordos (incluir terroristas conhecidos entre os policiais da AP). E também não cumpriu a cláusula que limitava o número de policiais e vários abusos de direitos humanos pelos policiais palestinos foram denunciados pela Anistia Internacional e pela Cruz Vermelha.

Mais ainda. A AP não cumpriu o artigo que exigia que os suspeitos de atos terroristas fosem extraditados pra Israel. Nesses 11 anos, nem um único terrorista preso pela AP foi punido. Um bom exemplo, e o Ahmed Yassin, morto recentemente: Israel libertou-o numa troca de prisioneiros, depois de ele assinar um acordo que não iria mais realizar ataques terroristas. O Hamas continuou com os ataques e ele foi preso e solto várias vezes pela AP (claro, porque a Fatah rivaliza com o Hamas) e nunca foi entregue de volta à Israel.

 

Fora isso, tem muitas outras coisas: a AP não alterou as cláusulas da sua declaração de princípios que clamavam pela destruição de Israel. Yasser Arafat violou a Carta de Reconhecimento e a cláusula de não incitar a violência contra Israel diversas vezes, clamando por uma jihad em entrevistas no rádio e nos jornais palestinos.

Outro ponto que merece alguns comentários é sobre a situação política e econômica dos palestinos e o status de "coitadinhos" que as vezes eles parecem querer roubar dos judeus.

Yasser Arafat, por exemplo, aparece na lista de "Reis, Rainhas e Déspotas mais ricos" da Forbes em sexto lugar. O patrimônio pessoal estimado dele é de um bilhão e trezentos milhões de dólares. O Fundo Monetário Internacional estima que ele desviou mais de 900 milhões da AP pra contas pessoais. A mulher dele recebe um salário mensal de 100 mil dólares da AP! É impossível estabelecer um governo sério com esse cara no poder (e eu tenho sérias dúvidas quanto às eleições que o elegeram).

A quantidade de milícias, grupos terroristas e warlords que existem aqui e ali entre os palestinos, frequentemente brigando entre si. Fundar um Estado com essa situação atual vai recair no mesmo problema do Líbano, no início do século, onde surgiram um monte de milícias e o país praticamente estava separado em vários estados. O próprio Arafat estabeleceu hegemonia no sul do Líbano de 1970 a 1982, praticamente criando um estado separado, atacando tanto os libaneses cristãos da região quanto lançando ataques contra os israelenses (no que culminou no famoso massacre de Sabra e Shatila, promovido pelos falangistas, cansados de levar na cabeça por 12 anos). O desmantelamento dessas mílicias constitui as cláusulas mais importantes dos tratados firmados por Israel e os palestinos nos anos 90, e nunca foram cumpridas, pelo contrário. Até surgiram milícias novas e a polícia palestina não toma qualquer atitude contra isso. Com frequência, ex-terroristas são empregados como policiais.

 

A total dependência econômica dos palestinos de entidades internacionais, de outros países árabes e de Israel. Os palestinos nas áreas controladas por israel frequentemente trabalham pra israelenses (que provavelmente sairão da região uma vez estabelecido o Estado palestino) ou então dependem de colaborações de entidades internacionais. Ainda que os acordos estimulem as relações econômicas entre Israel e o futuro Estado, duvido muito que haja estabilidade econômica nessa situação. A idéia de que Israel usa os palestinos como "mão de obra barata" também não é muito bem fundamentada, já que a parcela da população israelense composta de árabes muçulmanos que são oficialmente cidadãos de Israel é de cerca de 20%, e têm os mesmos direitos trabalhistas que outros cidadãos.

Sobre serem "coitadinhos" ou não (obviamente não estou falando dos realmente civis), quando o atual primeiro ministro de Israel, Ariel Sharon, foi acusado de ser responsável pelos massacres de Sabra e Chatilla (perpetrado pelos falagitas cristãos, liderados por Elias Hobeika), o Sr. Naji N. Najjar, diretor da Lebanon Foundation for Peace enviou uma carta sobre o assunto à Human Rights Watch, questionando alguns pontos (o principal é a inocência dos palestinos, já que mais de 200.000 cristãos libaneses cristãos foram mortos por palestinos nos 12 anos, de 1970 a 1982 em que Arafat estabeleceu hegemonia no sul do Líbano). Alguns trechos que acho interessantes (e antes que me acusem de citar coisas fora de contexto, o texto integral está nas referências):

Citação:

 

Você realmente acredita que os Palestinos foram atacados sem qualquer razão ou que grupos de civis cristãos subitamente desenvolveram uma sede de sangue por eles? Por que os cristãos atacaram apenas os Palestinos e não os muçulmanos libaneses com quem viveram pacificamente por séculos? Os cristãos libaneses tem um histórico de um povo pacífico, que prefere viver em um equilíbrio com seus vizinhos muçulmanos, um equilíbrio amigável e respeitável que existia até que Yasser Arafat e seus assassinos entrarem no líbano.

Sua visão míope dos massacres de Sabra e Chatilla ignora os massacres perpetrados por Yasser Arafat e seus assassinos contra os cristãos libaneses. Deixe-me lembra-lá de algumas de suas ações (das quais sou testemunha ocular):

  • a distribuição de armas e dinheiro aos muçulmanos do Líbano com o objetivo expresso de subjugar os cristãos libaneses e promover limpeza étnica.
  • O massacre da cidade de Chekka, no norte do Líbano, pelas forças de Arafat, onde dezenas de civis, a maioria cristãos, foram assassinados e torturados.
  • No massacre da cidade de Damour, sul de Beirute, dezenas de cristãos foram assassinados e mulheres foram estupradas, por forças vindas dos mesmos campos palestinos que você defende.
  • O massacre das cidades de Aintoura e Mtein, onde grupos de Palestinos assassinaram cristãos civis, unicamente pelo fato de serem cristãos.
  • Os ataques diários pelas forças da OLP contra as cidades cristãs de Hadath, Ain-el Remmaneh, Jisr el Bach, Dekaouneh, Beirut e Ment, que resultaram em centenas de cristãos mortos por defenderem suas cidades e sua própria existência. Esta foi uma época em que o governo Libanês estava paralizado, incapaz de enviar o exército para deter as atrocidades cometidas pelos palestinos, devido à intervenção árabe em assuntos libaneses pelos "acordos do Cairo".

Ainda nessa questão dos "coitadinhos", frequentemente alega-se que os atos terroristas cometidos pelos palestinos são atos de extremo desespero, realizados por pessoas sem qualquer esperança. Isso é um engano total. Frequentemente, os suicidas são na verdade pessoas excluídas. Duas ocorrências que merecem ser mencionadas foi um atentado em abril do ano passado, em que dois muçulmanos ingleses se suicidaram (para mostrar o comprometimento dos muçulmanos do mundo todo com a "causa palestina"). Outra é o atentado, no começo desse ano, em que uma mulher muçulmana, mãe de dois filhos se suicidou num posto de fronteira, matando cinco soldados israelenses. Algum tempo depois veio à tona a notícia que na verdade ela tinha sido descoberta alguns meses antes numa relação extra-conjugal (e acho que todo mundo aqui tem uma idéia do que isso significa pra uma mulher muçulmana). O marido e o amante dela negociaram pra que ela fosse "mártir" e assim o caso fosse abafado, limpando a honra da coitada.

Então, como disse lá em cima, não estou defendendo Israel intransigentemente ou fanaticamente como muitos fazem. Acho que o país tem o direito de existir em paz, assim como os palestinos têm o direito de ter seu estado próprio, com um governo democrático. Ambos os lados cometem erros, o tempo todo, mas querer imputar a Israel tudo que ocorre, ou defender os palestinos por serem aparentemente o lado mais fraco.


Algumas das referências na internet (pelo menos as que me lembro agora):

Tratados, acordos e outros documentos:

http://www.yale.edu/lawweb/avalon/mideast/mideast.htm#1990

Relatório da cruz vermelha sobre o conflito:

http://www.icrc.org/Web/eng/siteeng0.nsf/htmlall/onwar_reports/$file/israel.pdf

Carta do Diretor da Lebanon Foudantion for Peace:

http://www.free-lebanon.com/LFPNews/Witnesses/witnesses.html

Economia Palestina e patrimônio de Yasser Arafat:

Pedro Werneck

 

Sobre os dois homens bomba ingleses:

http://www.haaretz.com/hasen/spages/402530.html

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Mezuzá–A Proteção Judaica

 

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Hoje em dia, e sempre, a mezuzá, uma mitsvá que tem acompanhado o povo judeu ao longo dos anos, mais do que nunca constitui o sinal de que nesta residência ou estabelecimento se encontra um judeu, e em sua porta sua maior proteção: D'us.

"Mezuzá" é a palavra hebraica para designar umbral. Consiste em um pequeno rolo de pergaminho (klaf) que contém duas passagens bíblicas, manuscritas, "Shemá" e "Vehaiá". A mezuzá que deve ser afixada no umbral direito da porta de cada dependência de um lar ou estabelecimento judaico, obedece ao seguinte mandamento da Torá: "Escreve-las-ás nos umbrais de tua casa, e em teus portões" (Deuteronômio VI:9, XI:20)

A mezuzá tem uma função semelhante à do capacete. Ao usá-lo, um possível acidente é evitado ou amenizado. Do mesmo modo, quando é casher, a mezuzá tem o poder de proteger os moradores da casa e evitar infortúnios.

É no conteúdo, guardado em seu interior, que reside o verdadeiro valor da mezuzá, e não em seu invólucro. A mezuzá não deve ser julgada pela sua aparência. Para ser casher deve ser escrita à mão, sobre pergaminho, e por um sofer (escriba) temente e observador dos mandamentos divinos, habilitado para esta função, o que é fator essencial para tornar o pergaminho sagrado.

No momento em que é afixada no batente da porta, ela atrai a santidade de D'us que pairará sobre a casa ou estabelecimento.

No verso do pergaminho estão escritas as letras hebraicas Shin, Dalet e Yud, que forma o acróstico das palavras hebraicas "Shomer Daltot Israel" – "Guardião das casas de Israel".

A mezuzá tem uma função semelhante à do capacete. Ao usá-lo, um possível acidente é evitado ou amenizado. Do mesmo modo, quando é casher, a mezuzá tem o poder de proteger os moradores da casa e evitar infortúnios.

Conteúdo

A Mezuzá contém duas passagens bíblicas que mencionam o mandamento Divino de afixá-la nos umbrais das portas: "Shemá" e "Vehaiá" (Devarim 6,4-9 e 11,12-21).

O "Shemá" proclama a unicidade do D'us único e nosso eterno e sagrado dever de servi-Lo, e somente a Ele.

O "Vehaiá" expressa a garantia Divina de que nossa observância dos preceitos da Torá será recompensada e nos previne sobre as consequências se os desobedecermos.

A mitsvá da mezuzá demonstra claramente que não somente a sinagoga ou qualquer outro local de estudo são sagrados, como também nosso lar.

Significado

Embora atualmente existam centenas de sofisticados equipamentos de vigilância (câmeras, aparatos eletrônicos, entre alarmes e até cercas elétricas) para o povo judeu a mezuzá afixada na porta sempre constituirá sua maior proteção.

Ao entrar ou ao sair seremos sempre lembrados de quem é o verdadeiro "Guardião das casas de Israel."

Cuidados na aquisição

É importante lembrar que o componente principal da mezuzá é o pergaminho, e não o estojo. Deve-se tomar cuidado na hora da compra da mezuzá, pois ela é um objeto sagrado. Deve ser escrita por um escriba autorizado, com tinta e pena apropriadas sobre um pergaminho de um animal casher.

Mesmo que na hora de sua compra a mezuzá esteja casher, ela pode, com o tempo, tornar-se inválida por várias razões. Uma única trinca numa pequena letra pode tornar a mezuzá não-casher, imprópria para uso; por isso ela deve ser periodicamente verificada por um escriba competente.

Leis referentes à colocação da mezuzá

  • O rolo de pergaminho é enrolado no sentido do comprimento e envolvido por um plástico ou papel e colocado dentro de um estojo e afixado ao batente da porta. É permitido talhar uma cavidade (com menos de 7,5 cm de profundidade) no batente para lá colocar a mezuzá.
  • A mezuzá deve ser colocada em cada entrada da casa (mesmo que apenas uma entrada seja usada normalmente), escritório, loja, fábrica, etc.
  • Pátios e propriedades fechadas por cercas ou muros também devem possuir mezuzá, que deve ser colocada na entrada, uma vez que está escrito que as mezuzot precisam ser afixadas "nos teus portões".
  • Coloca-se uma mezuzá na entrada de cada cômodo no interior da casa, não somente na porta principal, mas em todas as portas que conduzem a aposentos com área mínima de 1.80 m2 (inclusive despensa e quarto de empregados).
  • Não se coloca mezuzá nas portas de banheiros, toaletes ou casas de banho.
  • Ela é afixada no terço superior do batente direito, na parte mais externa do umbral e em posição oblíqua, com a parte superior apontada para o interior do aposento, para os ashkenazim, e em posição quase reta para os sefaradim.
  • Quando a porta se abre para dentro do cômodo a mezuzá é afixada do lado direito de quem entra; quando a porta se abre para fora, ela é afixada do lado direito de quem sai.
  • Não se deve afixar a mezuzá atrás da porta dentro de casa.
  • Se mais de uma mezuzá fôr afixada ao mesmo tempo (em várias portas), uma só bênção é suficiente (na primeira a ser afixada).
  • Onde não houver porta entre dois ambientes, o lado direito será considerado da entrada para o aposento mais importante.
  • Numa casa própria a benção da mezuzá é recitada na hora da colocação, enquanto que numa alugada, é recitada somente sobre a mezuzá afixada após trinta dias do início da locação. (exceto na Terra de Israel, onde devem ser afixadas imediatamente).
  • O costume Chabad é afixar as mezuzot logo, sem recitar a bênção; e no trigésimo dia trocar a mezuzá da porta principal por outra de melhor qualidade e então recitar a brachá.
  • A mezuzá só precisa ser colocada em casas ou cômodos construídos para uso permanente (uma sucá, por exemplo, não precisa de mezuzá, pois é uma moradia temporária).
  • Toda abertura construída com dois batentes e uma verga precisa de mezuzá (se não possuir uma porta para fechá-la, coloca-se sem recitar a brachá, bênção).
  • A mezuzá pode ser afixada por qualquer membro da família.
  • Quando nos mudamos de uma casa e sabemos que um judeu se mudará para lá, devemos deixá-las.
  • Desde tempos imemoriais a mezuzá, vem marcando o lar judeu e identificando-o como uma residência judia. O judeu deve lembrar ao entrar e ao sair, da Presença Divina e de Sua Unicidade, bem como de seu dever de acatar todas as leis e todos os preceitos contidos na Torá.
  • Maimônides explica que são ignorantes os que consideram a mezuzá um amuleto, algo que traz sorte para a casa. "Aqueles tolos não apenas deixam de cumprir a mitsvá, mas tratam uma grande mitsvá, que diz respeito à Unicidade de D'us e nos lembra a amá-lo e venerá-lo, como se fosse um amuleto destinado a beneficiá-los pessoalmente...".
  • É costume colocar a mão direita sobre a mezuzá e beijá-la, ao entrar e sair de casa.
  • As mezuzot devem ser examinadas ao menos duas vezes a cada sete anos, embora seja aconselhável que sejam revisadas uma vez por ano por um escriba devidamente qualificado. Mesmo se na hora de sua compra a mezuzá esteja casher, ela pode, com o tempo, tornar-se inválida.
  • Em caso de dúvida um rabino deve ser consultado.

Bênção

Antes de afixar a mezuzá, a seguinte bênção deve ser recitada:

Baruch Atá A-do-nai E-lo-hê-nu, Me-lech haolám, asher kideshánu bemitsvotáv vetsivánu licbôa mezuzá.

"Bendito és Tu, ó Eterno nosso D'us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou afixar a mezuzá."

Duas Histórias

O poder da mezuzá

O Talmud nos conta que Ônkelos, filho de Kalônimos (eminente personagem do antigo Império Romano), ao converter-se ao judaísmo, despertou a ira de César.

César enviou um grupo de soldados para induzi-lo a mudar de idéia, mas ocorreu justamente o contrário. Ônkelos conseguiu persuadir os soldados a se converterem, como ele próprio havia feito.

César enviou outros soldados prevenindo-os para não conversarem com Ônkelos. Os soldados agarraram-no para levá-lo perante César, e ao deixar a casa, Ônkelos pousou sua mão na mezuzá e sorriu.

Ao perguntarem-lhe porque fazia isto, respondeu: "Habitualmente, quando um rei de carne e osso está dentro de seu palácio, seus servos protegem-no, e ficam do lado de fora. :Nosso Rei do Universo permite que seus servos sentem do lado de dentro, enquanto Ele os protege".

Também aqueles soldados converteram-se.

Rabi Yehudá Hanassi, o "Príncipe"
Relato do Talmud

O Talmud relata uma história sobre o grande Rabi Yehudá Hanassi (o "Príncipe"): Artaban, o rei de Partin enviou-lhe como presente uma pérola maravilhosa. Rabi Yehudá retribuiu com outro presente – uma mezuzá. Ultrajado pelo que lhe parecia zombaria, o rei repreendeu severamente a Rabi Yehudá:"–Vós me insultastes. Eu vos enviei um presente de valor incalculável e vós retribuistes com uma ninharia sem valor!"

Rabi Yehudá apressou-se em explicar: "O presente que me enviastes é tão valioso que deverá ser cuidadosamente vigiado, ao passo que o que eu vos dei vos guardará mesmo quando estiveres dormindo".

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O Terrorismo está bem perto

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Terrorista do hesbolah



FOZ DO IGUAÇU - "Se você deixar uma bomba aqui, for embora e ela explodir, isso é terrorismo. Agora, se você se explodir e morrer com os outros, então você não é um terrorista, mas um mártir." O raciocínio não é de um militante radical islâmico, mas de um respeitado comerciante libanês que vive há décadas na Tríplice Fronteira.

Nas comunidades árabes e muçulmanas de todo o mundo, e a Tríplice Fronteira não é uma exceção, há um forte sentimento de aceitação daquilo que, para o senso comum cartesiano, não passa de terrorismo. A compaixão para com o "mártir", que sacrifica a vida pela causa, é embalada no ódio aos israelenses: "E o que Israel faz com os palestinos, não é terrorismo?", perguntou outro comerciante bem-sucedido da região, durante um jantar em Foz do Iguaçu.

"Nunca tive contato com o hezbollah, mas, pelo que sei, ele resiste contra a ocupação israelense", disse o presidente da Câmara de Comércio de Ciudad del Este, Aly Abou Saleh. "Se for para condenar esse tipo de coisa, vamos ter que começar condenando a resistência francesa contra a ocupação nazista."

"Como libanês, sinto orgulho do hezbollah, por ter expulsado Israel do nosso território", declara o xeque Taleb Jomha, da mesquita sunita de Foz do Iguaçu. "Acho que isso não é terrorismo", analisa Jomha, há três anos no Brasil, como enviado do múfti do Líbano, a máxima autoridade sunita do país.

"O mesmo se aplica ao hamas, que está lutando com os israelenses porque estão no território palestino", continua o xeque. "Todos os dias, os israelenses bombardeiam casas, matam civis, e ninguém diz que isso é terrorismo."Jomha nega, no entanto, que haja remessas de dinheiro da comunidade para esses grupos.

"Pelo nosso conhecimento, o hezbollah é um partido libanês, lutando pela causa do Líbano", diz Ali Khazan, um libanês xiita há 11 anos no Brasil, que dirige a Escola Libanesa Brasileira, em Foz, com 450 alunos.

A fronteira entre educação religiosa e doutrinação política é tão móvel quanto a que confunde terrorismo e resistência legítima. No início dos anos 90, Ali Khazan e Assaad Ahmad Barakat, o libanês preso em Brasília com pedido de extradição para o Paraguai, costumavam promover acampamentos de fim de semana em chácaras de Foz do Iguaçu, para transmitir aos alunos ensinamentos morais e religiosos.

Fotografias desses eventos, obtidas pelos agentes da Secretaria de Prevenção e Investigação do Terrorismo do Paraguai, mostram que bandeiras do hezbollah ornavam o ambiente. Um dos participantes desses acampamentos, que está na foto ao lado com jovens de punho em riste, explicou ao Estado que se trata de simpatizantes do hezbollah festejando o fim da guerra civil no Líbano (1975-91).

O xeque Tareb Khazraji, que segundo os agentes aparece na foto ao lado falando num desses acampamentos, trabalhava até há um mês na mesquita xiita do Brás, na zona leste de São Paulo. Seu pai, Hussein, é membro dos serviços de segurança do hezbollah, segundo a inteligência paraguaia. Hassan Gharib, presidente da Associação Beneficente Islâmica do Brasil, à qual está filiada a mesquita, informou que Khazraji foi para o seu país, o Irã, e "talvez volte, futuramente". Ele disse que não sabe se o xeque pertence ao hezbollah.

O dono da chácara onde foi tirada a foto dos jovens de punho em riste, o comerciante libanês xiita Mohamed Youssef Abdallah, contou que Khazan tinha acabado de chegar à região e lhe pediu a chácara emprestada para levar rapazes na passagem do ano de 1991 para 1992. A idéia era criar um "ambiente saudável", onde pudessem lhes transmitir ensinamentos sobre religião.

Abdallah não esconde que construiu a mesquita xiita de Ciudad del Este, inaugurada em 1996, e os 19 andares de apartamentos e escritórios sobre ela, com dinheiro enviado por Mohamed Fadlallah, considerado o "líder espiritual" do hezbollah. De acordo com Abdallah, no entanto, Fadlallah, com quem ele se reúne uma vez por ano no Líbano, "não tem nada a ver com política, é um homem apenas religioso".

Fadlallah se notabiliza pelos discursos virulentos contra Israel e os Estados Unidos. No enterro do ex-dirigente do Hezbollah Abbas Mussawi, morto pelos israelenses, em fevereiro de 1992, Fadlallah anunciou: "Israel não escapará à vingança." No mês seguinte, a embaixada israelense em Buenos Aires foi alvo de atentado a bomba.

Criado em 1982, no calor da invasão do Líbano por Israel, o hezbollah, ou Partido de Deus, foi que introduziu os atentados suicidas, uma inovação na interpretação dos conceitos islâmicos de shahid (mártir) e jihad (esforço em prol de Deus). No ano seguinte, seus carros e caminhões-bomba mataram 60 pessoas na Embaixada dos EUA em Beirute, 241 no quartel-general dos fuzileiros navais americanos e 58 no quartel-general das forças francesas.

Ainda nos anos 80, a onda de seqüestros de ocidentais no Líbano, reivindicada por células terroristas desconhecidas, foi atribuída ao hezbollah. Suas operações mesclam táticas de guerrilha - com disparos de foguetes contra o norte de Israel e emboscadas contra patrulhas israelenses - e atentados a bomba, suicidas ou não.

LOURIVAL SANT’ANNA

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